É hora de enxugar para sobreviver

Há cerca de uma década, vários analistas previam um processo de consolidação que levaria à sobrevivência de apenas seis ou sete grandes grupos

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O ano de 2009 começa prometendo uma reviravolta na indústria automobilística mundial. Há cerca de uma década, vários analistas previam um processo de consolidação que levaria à sobrevivência de apenas seis ou sete grandes grupos. A compra da Chrysler pela Daimler-Benz seria o ponto de partida, mas esse movimento não deu certo. Agora, volta-se a cogitar de que com menos de seis milhões de unidades fabricadas por ano marcas generalistas independentes teriam pouca chance de continuar no mercado. Deveriam se fundir com outras para alcançar tal escala produtiva.

No olho do furacão da atual crise financeira e econômica mundial estão os fabricantes de Detroit. A consolidação mundial passa, obrigatoriamente, pelo destino das Três Grandes: General Motors, Ford e Chrysler. O debate nos EUA têm sido aberto, amplo, apaixonado e extrapolou as fronteiras do país. O tema, mais complexo que parece. Ainda há dúvidas sobre o peso dos fatores que levaram aos prejuízos acumulados.

Uns acreditam que erros estratégicos, produtos inadequados, distanciamento do mercado, má aplicação dos lucros do passado e presunção são as únicas explicações. Outros apontam altos benefícios sociais voluntários aos empregados, subsídios aos fabricantes orientais e europeus por parte de estados com mão-de-obra barata e obrigatoriamente não-sindicalizada, como fardos insuportáveis.

O que vai acontecer depois dos empréstimos à GM e Chrysler também divide estudiosos e analistas da indústria. Karl Ludvigsen, por exemplo, consagrado jornalista e historiador americano, com passagens pela GM, Fiat e Ford, acredita que a Chrysler apresenta mais chance de recuperação do que Ford e GM (na ordem). Outros como Bill Visnic, do Edmunds AutoObserver, apontam para o desaparecimento depois de vender para concorrentes a marca Jeep e os monovolumes rentáveis.

Rexford Parker, ex-diretor da consultoria Auto Pacific, opina de forma objetiva: “Imagino uma GM menor, apenas com Chevrolet, Cadillac, Buick (só na China), Opel, Holden, além de sua empresa de tecnologia. Assim, bem enxuta, pode continuar e até viver muito bem! Precisaria apenas de 1.500 concessionárias, para vender 2,5 milhões de veículos/ano nos EUA (caso da Toyota), em vez de 6.400. Empregando trabalhadores que custariam, incluindo benefícios, na faixa de US$ 45/hora (Toyota e Honda) e não mais US$ 70/hora.” Para ele, é razoável esperar que o grupo possa se estabilizar em um rentável terceiro ou quarto lugar no mundo, ao contrário de insistir em manter uma liderança inviável.

De que forma tudo isso se refletiria aqui? A menor das três, a Chrysler (mais Dodge e Jeep), possui presença pequena e apenas importando. A Ford, quarta colocada no ranking brasileiro, defende uma posição aproximadamente alinhada à participação mundial do grupo. Sua capacidade produtiva é menor e administrável.

Já a GM sofre pela superexposição de sua crise nos meios de comunicação e notícias sobre a ameaça de bancarrota. Sua cota de mercado no Brasil é bem maior do que a média mundial e vem sendo atingida nos últimos meses mais do que seus competidores. A recuperação pode depender da saúde financeira da matriz.

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