Petrobras vai priorizar áreas já em produção

A Petrobras anunciou na sexta-feira a descoberta de novas reservas no Espírito Santo. Com os novos indícios, a região batizada de Parque das Baleias, com vários campos de petróleo, inclusive Jubarte, soma até 4 bilhões de barris de petróleo

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Para escapar dos elevados custos do pré-sal e enfrentar a crise e o preço do barril em queda livre, a Petrobras vai explorar o petróleo que está embaixo de campos já em produção. O plano de negócios da empresa, previsto para ser divulgado no próximo mês, deve estimular projetos abaixo da camada de sal sob estruturas já existentes, a fim de aproveitá-las ao máximo. A estatal tentará usar a mesma infra-estrutura para produzir óleo acima e abaixo do sal.

“Vamos tentar produzir o pré-sal nos lugares que já tem infra-estrutura. Na região de Jubarte (na bacia de Campos), por exemplo, fica mais barato produzir em baixo, onde o óleo é leve, do que em cima, onde o óleo é pesado”, afirmou um executivo que prefere não ser identificado.

A Petrobras anunciou na sexta-feira a descoberta de novas reservas no Espírito Santo. Com os novos indícios, a região batizada de Parque das Baleias, com vários campos de petróleo, inclusive Jubarte, soma até 4 bilhões de barris de petróleo.Além do Parque das Baleias, a Petrobras quer aproveitar a infra-estrutura de outros campos acima da camada de sal para também produzir do pré-sal. Para tanto, começou há alguns meses a buscar petróleo abaixo de campos produtores. A empresa está perfurando novos poços a profundidades suficientes para atingir o pré-sal em megacampos como Marlim Sul, Marlim Leste e Roncador. São os maiores campos do País em produção atualmente. A empresa também perfura o campo de Xerelete, com objetivo de 5.225 metros, na mesma bacia.

“A bacia de Campos tem grandes e pequenos reservatórios no pré-sal e estamos estudando isso”, disse a fonte. As tentativas na maior bacia produtora, contudo, não desvia a atenção da Petrobras para a bacia de Santos, segundo o executivo.

A Petrobras iniciou perfuração do campo de Mexilhão, na bacia de Santos, a uma profundidade de 5.632 metros. Se encontrar óleo no pré-sal desta área, que fica no litoral paulista em frente à Caraguatatuba, a Petrobras poderá aproveitar a estrutura que já foi encomendada inicialmente para produzir no pós-sal. Há cinco anos, a Petrobras encontrou na região importantes reservas de gás na área, o bloco BS-400. Hoje, quem passa pela ponte Rio-Niterói se surpreende com o tamanho da plataforma de Mexilhão, que está sendo finalizada no estaleiro Mauá, na beira do cais.

Outras companhias, como Shell, Anadarko e Repsol YPF também procuram óleo em níveis de profundidade compatíveis com a fronteira do pré-sal, de acordo com informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O executivo também descartou a possibilidade de retirar o desenvolvimento de Tupi do plano de negócios, apesar das estimativas sombrias de necessidade de investimentos de alguns bancos. Mesmo diante da crise, a exploração continua, com desenvolvimento do campo e projetos-piloto a partir de 2010. A exploração não deve ser acelerada.

Os trabalhos de perfuração devem continuar no Espírito Santo. A P-34 já foi instalada e vai produzir óleo tanto no pré-sal como no pós-sal. Já foram perfurados seis poços no pré-sal do Espírito Santo, todos eles com sucesso. Com as novas descobertas, o volume total de óleo estimado na área do Parque das Baleias, incluídos os reservatórios localizados acima e abaixo da camada de sal, já chega a aproximadamente 3,5 bilhões de barris de óleo equivalente, informou a Petrobras em nota à imprensa.

A estatal concluiu a perfuração de dois poços na seção pré-sal do litoral do Espírito Santo e comprovou “expressiva descoberta” de óleo leve (30 graus API) na área denominada Parque das Baleias. O volume das duas últimas descobertas, feitas em reservatórios do pré-sal localizados abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, é estimado entre 1,5 e 2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe).

A Petrobras informou que os poços 6-BFR-1-ESS e 6-BAZ-1DB-ESS foram perfurados a cerca de 80 quilômetros da costa e a cinco e seis quilômetros a norte e a sul, respectivamente, do poço descobridor 1-ESS-103A, localizado na seção pré-sal abaixo do campo de óleo pesado de Jubarte, que já produz, com alta vazão, desde setembro deste ano.

“Os excelentes resultados dessas duas perfurações, as ótimas respostas do Teste de Longa Duração (TLD) do poço pioneiro 1-ESS-103A e as facilidades logísticas já instaladas e em instalação na área levam a Petrobras a intensificar os estudos para acelerar a produção do pré-sal do Espírito Santo”, diz o comunicado. Nesses dois poços, os reservatórios foram descobertos sob uma camada de sal de até 700 metros e em lâminas d”água de 1.348 e 1.426 metros. Os reservatórios estão entre 4.200 e 4.800 metros de profundidade a partir do nível do mar e apresentam espessuras porosas com óleo de 190 e 300 metros, o que comprova o grande potencial das descobertas.

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