Leiloar rodovias federais continua sendo o caminho

No caso específico do Rio Grande do Sul discutimos a prorrogação dos contratos de concessão de rodovias como uma solução para manter, ampliar e evitar danos ao erário estadual

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No Rio Grande do Sul continuamos com a centenária dicotomia, ou somos contra ou a favor. Depois que caiu a versão de que éramos um Estado altamente politizado, infenso às falcatruas que, aqui e ali, permeiam os serviços públicos e algumas empresas privadas, agora mantemos o tradicional embate entre duas forças, uma contra, sempre, outra a favor, às vezes nem sempre. Além disso, estamos com altos índices de criminalidade, jovens de classe média se distraem pichando prédios públicos e destruindo equipamentos em praças e as novíssimas cestas de lixo. Até o advento do governo Lula quase tudo o que de mal ou errado havia no Brasil era culpa do imperialismo ianque, do FMI e outras frases padronizadas. Agora que não devemos nada aos organismos multilaterais de crédito, temos de assumir nossos comportamentos e maneiras de ser, para o bem e o mal. No caso específico do Rio Grande do Sul discutimos a prorrogação dos contratos de concessão de rodovias como uma solução para manter, ampliar e evitar danos ao erário estadual. O governo do Estado, através de Daniel Andrade, promoveu uma seqüência de entrevistas, argumentando pela proposta que estava na Assembléia e foi retirada.

O Orçamento para 2009 está muito aquém das necessidades de recuperação, pavimentação e, mais ainda, da abertura de novas rodovias de que tanto necessitamos. Teremos, no final de 2008, mais 300 mil automóveis registrados no Estado, além de 11 mil caminhões. Por dia, são 20 mil fretes que circulam pela malha estadual e a federal. Temos, ainda, mais de 100 municípios sem ligação asfáltica com as BRs ou RSs. Isso aqui no Rio Grande, uma vez que o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, anunciou que será publicado edital em 2009 para um novo leilão de concessão de rodovias. Serão leiloados três trechos que somam 1.600 quilômetros: BR-101 no Espírito Santo, da divisa RJ-ES até a divisa ES-BA; BR-101 na Bahia, da divisa ES-BA até o entroncamento com a BR-324; o terceiro na BR-470, em Santa Catarina, de Navegantes até a divisa SC-RS. Quando for concluído esse leilão, no final do ano que vem, o governo federal terá concedido à iniciativa privada a administração, manutenção e operação de 20% da sua malha rodoviária.

Antes, em março, será publicado o edital para o leilão de 2.000 quilômetros de rodovias federais em trechos do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, incluindo a BR-040, no trecho de Brasília a Juiz de Fora, a BR-381, de Belo Horizonte a Governador Valadares, e a BR-116, entre as divisas MG-BA e a divisa MG-RJ. A União faz assim, o estado de São Paulo também, Minas Gerais não fica atrás. Aqui tivemos uma discussão acadêmica, sem abordar fatos, números e dados para serem cotejados para uma conclusão lógica e válida, com a exceção dos transportadores de cargas, muito lúcidos. Pensar no custo dos pedágios sobre o transporte dos produtos é fundamental. Mas há algumas pessoas que se debruçam e se ocupam, se ufanam e discutem pequenas coisas, deixando as grandes realizações de lado. Quando o interesse é pessoal, tudo bem. Mas quando está em jogo a visão pública, como é o caso da esburacada e desorganizada malha rodoviária gaúcha, com as exceções que confirmam a regra, aí não dá para se permitir o descalabro, hoje visível. A par disso, poderíamos escoar por hidrovias 20% de toda a produção estadual, mas aproveitamos tão-somente 4%. Quanto menor for a percepção popular sobre assuntos de governo, tanto maior deve ser a dos que nos governam.

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