Transportadores estão preocupados com queda de produtividade e colapso no trânsito

O impacto das restrições à circulação ao tráfego de caminhões na cidade de São Paulo causa grande preocupação nos empresários e profissionais do setor

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Redação Transporta Brasil

O impacto das restrições à circulação ao tráfego de caminhões na cidade de São Paulo causa grande preocupação nos empresários e profissionais do setor. Com duas semanas de vigência, a regra, que proíbe a circulação de caminhões na nova e ampliada Zona de Máxima Restrição à Circulação, que inclui o Centro Expandido da cidade e outras regiões importantes da Capital, a Companhia de Engenharia de Tráfego já emitiu mais de 6 mil multas, mas o impacto no trânsito da cidade não é tão positivo.

Ontem, 14 de julho, a média de congestionamentos pela manhã ultrapassou os 60 km, índice acima do normal para um mês de férias escolares. Apesar do resultado negativo, a Prefeitura insiste que a medida irá melhorar de forma considerável o trânsito na cidade, que vem batendo recordes sucessivos de lentidão.

A reportagem do Portal Transporta Brasil ouviu empresários e técnicos do setor de transporte de cargas e logística e detectou uma grande preocupação com a queda de produtividade dos caminhões, risco de desabastecimento do comércio paulistano e possibilidade de quebra de empresas do setor, além do aumento do número de veículos nas ruas da cidade, já que as empresas serão obrigadas a utilizar carros menores para fazer as mesmas entregas que seriam feitas pelos caminhões, proibidos de circular.

Urubatan Helou, presidente da Braspress, empresa que opera com carga fracionada, está preocupado com o fato de os veículos, que terão que esperar o horário para poder acessar a cidade de São Paulo, formem filas gigantescas no entorno da cidade e gerem transtornos de mobilidade nas cidades circunvizinhas de São Paulo. Ele considera que a vigência do rodízio municipal para os caminhões nas Marginais Tietê e Pinheiros é um “absurdo”, já que os veículos não terão alternativa de circulação: “O Rodoanel não está pronto e não temos alternativa para desviar o tráfego.

De acordo com Helou, as cargas continuarão sendo entregues, não importa o tamanho dos veículos a serem utilizados. “As mercadorias dos clientes vão continuar sendo entregues de qualquer jeito, seja de van, Kombi ou qualquer outro veículo. Somos um setor pulverizado, não existe consolidação. O caminhão não é o vilão. Nós somos as vítimas, pois arcamos com o custo operacional do trânsito e do alto custo por circularmos em São Paulo. A questão do abastecimento urbano não se revoga por decreto”, disse o presidente da Braspress, ex-presidente do SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região.

Primeiro Mundo

Para o gestor Comercial Corporativo do Expresso Mirassol, empresa de transporte de cargas e logística, Luiz Carlos de Faria Jr., priorizar o abastecimento urbano é uma questão lógica. “Nos países de primeiro mundo, os caminhões têm a preferência sobre os automóveis, simplesmente porque deles depende o abastecimento das cidades”, diz Faria.

Para ele, dificuldades operacionais serão comuns com a restrição e aumentos de custos, inevitáveis. “Por exemplo, uma empresa que precisa entregar tubos de aço de 6 ou 12 metros de comprimento em uma determinada obra, as empreiteiras já avisaram que não irão trabalhar a noite toda, o que esta empresa faz? Serra os tubos em pedaços de 2 metros? Daí uma entrega que seria feita com um único equipamento passaria a ser entregue em 6 veículos utilitários. Agora veja o espaço físico ocupado nos dois casos, o primeiro caso uma carreta ocupa no máximo 18,60m e os 6 utilitários juntos ocupariam no mínimo 30m. Só que no segundo caso precisaríamos de 6 motoristas e a relação de custo seria mais ou menos R$ 460,00 da carreta contra R$ 900,00 dos 6 utilitários, uma diferença de quase 100%, ou seja, o dobro! É óbvio que esse custo será repassado ao produto e no final das contas quem irá pagar somos nós mesmos, os consumidores”, explica Luiz Faria.

O aumento dos custos e, o que é ainda pior para o trânsito de São Paulo, o aumento do número de veículos circulando na cidade devido às restrições é um ponto de confluência na opinião dos transportadores. O consultor em Transporte de Cargas e Logística Fernando Abrahão Zerati, que já participou de diversos debates e estudos sobre a mobilidade urbana em São Paulo compartilha da mesma opinião. “Haverá um aumento automático do trânsito causado pelo aumento da quantidade de veículos destinada à Zona de Máxima Restrição à Circulação, bem como a dificuldade para o estacionamento, que força ainda mais a circulação destes veículos. Creio que haverá também aumento do risco de roubo de cargas e aumento dos preços de todos os produtos que  os cidadãos paulistanos consomem diariamente”, diz Zerati.

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