Redução no preço do diesel não anima transportadores

Fretes defasados e aumento nos custos para o transporte rodoviário são alguns dos fatores que pressionam as negociações no setor. Presidente da NTC&Logística, Flávio Benatti, diz que redução no preço do óleo diesel não é animadora nem significa que transportadoras poderão dar mais descontos nos fretes

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O anúncio feito na semana passada de que haverá uma redução no preço do óleo diesel nas bombas de todo o Brasil na ordem de 9% em média não animou os empresários do setor de transporte de cargas. Apesar da boa notícia, o setor reclama da falta de incentivos governamentais em áreas como infraestrutura e renovação de frota e ainda tenta repassar o reajuste recomendado em abril deste ano pela NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística) de 7,6% nos fretes.

flavio-benatti-transporta-bSegundo o presidente da NTC&Logística, Flávio Benatti, que concedeu entrevista à reportagem do Portal Transporta Brasil, a redução no preço do óleo diesel não ajuda a reduzir a pressão sobre os fretes e não se configura em uma oportunidade para a redução dos fretes no mercado. “Na realidade o setor vem vivendo há algum tempo um problema sério para fazer o repasse dos custos dos insumos para as tarifas de fretes. A NTC divulgou em abril uma recomendação para o reajuste dos fretes em 7,6%, pela necessidade do repasse do reajuste dos insumos que envolvem o transporte rodoviário de cargas. Nesses 7,6% estava o aumento no preço do óleo diesel realizado em maio do ano passado. Mas, o setor não tem tido êxito no repasse desses custos, em virtude até da crise econômica mundial. Ainda é prematuro dizer que haverá redução nos fretes devido a esta baixa no preço do diesel. Em minha opinião, pelo que vemos no setor, é praticamente impossível que haja alguma redução nos fretes, já que o setor sequer conseguiu repassar o reajuste que já era necessário com os aumentos dos insumos em abril”, diz Benatti em entrevista ao Transporta Brasil.

Cide

Além disso, a notícia de que, junto com a redução no preço do principal combustível do transporte de cargas, vem um aumento na Cide (Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico – imposto sobre o preço do litro do combustível que foi criado para gerar recursos para investimentos em infraestrutura do transporte), suscitou o debate sobre o verdadeiro destino das verbas provenientes dessa rubrica. De acordo com Flávio Benatti, a Cide não é devidamente aplicada na construção e melhorias em estradas, portos, hidrovias ou qualquer outro item da infraestrutura do transporte. “Lamentavelmente, a Cide não é aplicada para seu fim, que é a manutenção e a construção de novas estradas. Somente depois de uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) movida pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) o governo passou a aplicar de 25% a 30% da Cide na infraestrutura do transporte, seja em rodovias, portos ou ferrovias. Na verdade, este dinheiro da Cide não vinha sendo aplicado em sua finalidade real, vinha ficando nos cofres do Governo para fazer superávit primário. Mesmo com as obras do PAC, vemos que o governo vem investindo muito menos do que deveria na infraestrutura do transporte”, comenta Benatti.

Além da boa aplicação dos recursos da Cide na infraestrutura do transporte brasileiro, o representante dos empresários considera outros incentivos que faltam para que o setor prospere no País e não sofra com tantas dificuldades. “Dentre os incentivos que seriam primordiais para o transporte no Brasil estão o fomento da renovação de frota, que é fundamental, e os investimentos com maior velocidade na infraestrutura, pois a falta de investimentos nesse setor causa uma baixa produtividade e uma competitividade comprometida para o transporte e a logística brasileiros. Fazer transporte com o ambiente que temos no Brasil não é fácil. Sem os incentivos necessários, fazer transporte no Brasil é uma aventura”, finaliza o presidente da NTC&Logística.

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