Frete de superpetroleiros deve dobrar até o quarto trimestre

O colapso dos preços do frete marítimo, a partir do pico de US$ 177.036 ao dia registrado em julho do ano passado para o recorde de baixa de US$ 7.173 ao dia de 16 de abril último, e a proibição de utilização de embarcações de casco simples, que entrará em vigor já no ano que vem, ameaçam tirar cerca de 20% de superpetroleiros de circulação

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O atual mercado de superpetroleiros, o pior desde o embargo do petróleo do mundo árabe, decretado em 1973, está armando o cenário para a duplicação dos preços até o quarto trimestre deste ano, num momento em que os armadores encostam embarcações antigas e adiam as encomendas por novas. O preço do frete na rota referencial da Arábia Saudita para o Japão vai subir para pelo menos US$ 32.000 ao dia no quarto trimestre, a partir dos atuais US$ 16.007, estima a Fearnley Consultants A/S, sediada em Oslo, na Noruega. Esse valor supera o de US$ 26.994 ostentado pelos derivativos de frete – contratos empregados pelos investidores para especular sobre as taxas futuras.

O colapso dos preços do frete marítimo, a partir do pico de US$ 177.036 ao dia registrado em julho do ano passado para o recorde de baixa de US$ 7.173 ao dia de 16 de abril último, e a proibição de utilização de embarcações de casco simples, que entrará em vigor já no ano que vem, ameaçam tirar cerca de 20% de superpetroleiros de circulação, diz a Fearnley, parte da Astrup Fearnley A/S. A proibição foi aprovada por 151 países, que concluíram que as duas camadas de aço, que formam o casco duplo, são mais seguras que uma para evitar vazamentos. As novas encomendas devem, além disso, ser adiadas ou canceladas, uma vez que os bancos estão limitando os empréstimos e os armadores estão retendo recursos em caixa, dizem as empresas proprietárias de navios. “O montante necessário para concluir a carteira de pedidos não está disponível no mundo de hoje”, disse Morten Arntzen, principal executivo da Overseas Shipholding Group Inc., o maior armador de petroleiros sediado nos Estados Unidos. “Teremos uma redução da frota mercante no ano que vem.”

As taxas de afretamento despencaram quando a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) aprovou cortes recorde da produção para sustentar os preços do petróleo bruto, o que reduziu os fretes do produto. A demanda por petróleo, que desabou 65 por cento em relação à sua alta recorde de julho do ano passado, terá seu segundo ano de queda, em seu primeiro recuo de dois anos consecutivos desde 1983, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), sediada em Paris.

(Gazeta Mercantil/Caderno C – Pág. 2)(Alaric Nightingale e Todd Ze ranski/Bloomberg News)

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