Novas concessões terão reajuste maior no pedágio a partir de julho

Motivo é a diferença entre os índices de reajuste adotados nos novos contratos de concessão, firmados do ano passado para cá, e os contratos antigos, firmados no final dos anos 90

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O reajuste nas tarifas de pedágio das estradas paulistas marcado para o dia 1º de julho traz uma diferença entre o aumento na cobrança nas rodovias concedidas recentemente e o das rodovias que foram concedidas há alguns anos. De acordo com reportagem publicada na semana passada pelo jornal Folha de São Paulo, o motivo é a diferença entre os índices de reajuste adotados nos novos contratos de concessão, firmados do ano passado para cá, e os antigos, firmados pelo governo Mário Covas (PSDB) no final dos anos 90.

Nas rodovias recém-leiloadas (trecho oeste do Rodoanel, Dom Pedro 1º e partes da Raposo Tavares e da Marechal Rondon), as tarifas vão subir 5,20% -a variação do IPCA, do IBGE, nos últimos 12 meses.

Já os valores das concessões mais antigas (como Anchieta, Imigrantes e Anhanguera) terão alta de 3,64% -IGP-M, da Fundação Getulio Vargas.

Os preços exatos das tarifas ainda serão calculados pela Artesp (agência que regula as concessões). Em razão dos arredondamentos (para facilitar o troco), a alta pode ficar acima ou abaixo dos índices oficiais -as diferenças são compensadas no ano seguinte.

A tendência é que as praças do km 32 da Imigrantes e do km 31 da Anchieta aumentem dos atuais R$ 17 para R$ 17,70. Elas têm hoje a tarifa unitária mais alta do Estado (embora, proporcionalmente à extensão, seja igual à de outras estradas).

A diferença entre os índices frustrou tucanos ligados ao transporte. O governo Serra via no novo critério de reajuste um meio de atenuar as críticas às concessões nos últimos anos.

De 1998 a 2008, a variação do IGP-M (que tem forte influência de preços do atacado) atingiu 174%. A do IPCA (usado como taxa oficial das metas de inflação da União) foi de 94%.

Esse quadro, que vinha sendo desfavorável aos motoristas, levou integrantes do Estado a cogitar a troca do IGP-M pelo IPCA. A mudança não foi efetivada para os contratos antigos, mas a gestão Serra decidiu firmar os novos pelo IPCA. Com isso, repetiu a estratégia do presidente Lula (PT) para concessões de rodovias federais.

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