Produção da Marcopolo cai, mas a receita sobe

O resultado reflete a ação da companhia, como o realinhamento de preço de alguns modelos e o câmbio, fator responsável pela participação de 42,1% na receita líquida no trimestre (R$ 199,7 milhões, 15% acima do montante obtido entre janeiro e março de 2008)

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A produção da Marcopolo, de Caxias do Sul (RS) somadas unidades montadas no Brasil e no exterior, caiu 17,5% no encerramento do primeiro trimestre de 2009 – no primeiro trimestre de 2008 foram produzidas 4.761 unidades. No mesmo período, a receita líquida consolidada cresceu 4,6%, situando-se em R$ 474,5 milhões, ante R$ 453,2 milhões registrados no ano passado, conforme balanço enviado, ontem, ao mercado acionário.

O resultado reflete a ação da companhia, como o realinhamento de preço de alguns modelos e o câmbio, fator responsável pela participação de 42,1% na receita líquida no trimestre (R$ 199,7 milhões, 15% acima do montante obtido entre janeiro e março de 2008). O esforço, porém, não conteve a queda de 29,9% no lucro líquido consolidado, de R$ 20,3 milhões no primeiro trimestre deste ano, ante R$ 28,9 milhões no mesmo intervalo de 2008.

A queda de 17,5% é a média do recuo de 20,3% da produção no mercado interno e de 13,5% no mercado externo. Considerando só a produção brasileira da Marcopolo, a retração foi de 36,9%, com 23% de diminuição da produção destinada ao mercado interno e de 61% para o exterior (são embarques de unidades montadas a partir de Caxias do Sul).

“Nós adotamos todas as medidas para poder enfrentar a situação. Nós sabíamos que o trimestre teria este comportamento”, informa o diretor de relações com investidores, Carlos Zignani. “Por isso os números não surpreenderam”, acrescenta o executivo. A companhia, segundo ele, continua mantendo a previsão de fechar 2009 com produção total ao redor de 23 mil unidades e uma receita de R$ 2,6 bilhões.

Sinais generalizados – No mercado interno, Zignani diz que começa a perceber “sinalizações generalizadas” e que no plano externo vê o encaminhamento de negócios pontuais. Ele cita o exemplo do Uruguai, que aponta a aquisições de modelos rodoviários. “A Colômbia foi o menos afetado na América do Sul e tem reagido bem”, diz Zignani, que deposita confiança no mercado indiano. No primeiro trimestre foram produzidas 848 unidades, das quais 424 ficaram com a Marcopolo. “A expectativa é chegar ao mês de setembro fazendo cerca de mil unidades mensais”, projeta o diretor de relações com investidores.

Na África do Sul, o retardamento nas decisões locais não tira o ânimo da companhia. Após o contrato para fornecimento de 143 ônibus, em março, a Marcopolo prepara- se para receber o resultado de uma nova licitação, envolvendo aproximadamente 500 unidades, visando a preparação do País para a Copa do Mundo de Futebol em 2010 – e também a Copa das Confederações que ocorre em junho próximo, servindo como teste para o grande espetáculo do próximo ano.

“Nós e a Mercedes-Benz levamos, de certa forma, vantagem por estarmos presente no País”, conta Zignani. Fazendo uma análise do quadro atual, o executivo da Marcopolo concorda com o posicionamento dados por alguns economistas, os quais indicam “que o pior da crise já passou”. Ao tocar no assunto, Zignani comenta que tem recebido da própria empresa posições bem animadora. “Quando você vê que há negociações em andamento, mesmo em estágio inicial, isso é muito bom”, finaliza.

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