Paranaguá disponibiliza dois berços para socorrer Itajaí

A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) anunciou ontem que está disponibilizando dois berços dos 19 do cais público para que sejam destinados à operação de contêineres para atender exclusivamente as cargas de congelados originárias dos dois terminais atingidos

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A pedido dos armadores que operam nos terminais de Itajaí e Navegantes, danificados e com canais de acesso assoreados pelas enchentes da semana passada. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) anunciou ontem que está disponibilizando dois berços dos 19 do cais público para que sejam destinados à operação de contêineres para atender exclusivamente as cargas de congelados originárias dos dois terminais atingidos. “Estamos em plena época de entressafra e podemos usar para esta finalidade, por pelo menos seis meses, os dois berços antes utilizados para grãos e descarga de fertilizantes que estão sem movimento”, disse o superintendente da Appa, Daniel Lúcio Oliveira de Souza. Em Paranaguá há ainda mais dois berços operando este tipo de carga no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) que também possui quase 3 mil tomadas para armazenagem de contêineres refrees.

Souza calcula que o movimento de contêineres, principalmente os tipo refrees, aumentará em 20% em Paranaguá nas próximas semanas. No início da semana dois navios já foram desviados para o porto paranaense embarcando 800 contêineres e ontem era esperado mais um. Navegantes e Itajaí movimentam mensalmente perto de 64 mil TEU’s (unidade que equivale a um contêiner de 20 pés). Também foi disponibilizado espaço na área portuária para depósito de contêineres originários de Santa Catarina e que já abriga 300 contêineres vazios. Há pedidos para depósito de mais 1.200, entre cheios e vazios. Com estas iniciativas a Appa resolveu ajudar também 791 trabalhadores portuários avulsos (TPAs) de Itajaí, 568 na ativa e 223 inativos, sem perspectiva de trabalho nos próximos meses. “O armador vai pagar 15% a mais de tarifa para usar os berços e nós vamos dar um desconto de 15% sobre que ele paga. Somando as duas contribuições, teremos 30% da tarifa que será destinada aos seis sindicatos de TPAs de Itajaí num total superior a R$ 1,2 milhão mensais para a compra de cestas básicas e utilidades domésticas diversas”, informou Daniel Lúcio Oliveira de Souza.

Para os navios que desviam de Itajaí e Navegantes e entram no terminal de Paranaguá não há agregação de custo ou frete e toda a operação de embarque será realizada pelo TCP utilizando carregadores móveis e guindastes dos navios. Todos eles já fazem uma rota em que embarcam contêineres que vai do porto de Rio Grande ao de Suape (PE). No frete terrestre, um contêiner vindo do Oeste catarinense com frango congelado tem de agregar pelo menos R$ 800 a mais para chegar a Paranaguá, chegando a R$ 2.500 por caminhão. De janeiro a 30 de novembro, o Porto de Paranaguá movimentou 534.480 contêineres, sendo que 262.738 foram exportados e 271.742 importados. Já Itajaí é o maior exportador brasileiro de cargas congeladas e refrigeradas e o terceiro do país na exportação de cargas em contêineres, movimentando US$ 33 milhões por dia ou 4% da balança comercial do país. O governo federal liberou R$ 350 milhões para as obras no porto e na semana que vem, uma draga vai começar a nivelar o Itajaí-Açu que antes das chuvas tinha profundidade de 11,3 metros e com a enchente ficou com o fundo muito acidentado. Há trechos com 22 metros de profundidade e outros com 5,5 metros e para a navegação vale a menor medida. As chuvas destruíram 740 metros de cais. Dos quatro berços de atracação, um foi levado pelas águas, outro foi destruído parcialmente e um terceiro sofreu avarias leves.

O terminal de Paranaguá, por sinal, está se preparando para competir com os terminais de Santa Catarina de igual para igual no setor de congelados. Ontem foi anunciado o projeto de construção do Terminal Público de Frigorificados, com capacidade estática de 12 mil toneladas e capacidade de operação de 14.440 contêineres anuais, num investimento de R$ 20 milhões e que deverá estar operando a partir de setembro de 2009, segundo André Cansian, diretor técnico da Appa.

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