Megaestaleiro desembarca em Rio Grande

Depois de mais de um ano de negociações, a busca do grupo WTorre por um parceiro asiático para construir seu segundo estaleiro em Rio Grande chegou ao fim. Há cerca de um mês, a empresa, que é dona do Dique Seco, assinou acordo prevendo a fusão de suas operações na indústria naval com Keppel Fels, de Cingapura, uma das maiores fabricantes de plataformas de petróleo do mundo e que já atua no Brasil

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Depois de mais de um ano de negociações, a busca do grupo WTorre por um parceiro asiático para construir seu segundo estaleiro em Rio Grande chegou ao fim. Há cerca de um mês, a empresa, que é dona do Dique Seco, assinou acordo prevendo a fusão de suas operações na indústria naval com Keppel Fels, de Cingapura, uma das maiores fabricantes de plataformas de petróleo do mundo e que já atua no Brasil.

O acerto foi confirmado ontem, em Porto Alegre, pelo presidente da WTorre, Walter Torre Jr. Ainda falta, porém, acertar os últimos detalhes para o anúncio oficial do negócio, que deve ocorrer nos próximos dias, acrescenta.

A entrada dos asiáticos na operação vai permitir o avanço do investimento de R$ 450 milhões no novo estaleiro, que deve ser destinado à produção de cascos para plataformas de petróleo do tipo FPSO (módulos instalados sobre cascos de navios). A ideia é atender à demanda da Petrobras, que prepara uma licitação para aquisição de 12 dessas estruturas, e de petroleiras do resto do mundo.

Em torno de 1,5 mil empregos devem ser gerados na construção do novo estaleiro, de acordo com Torre. A largada das obras é esperada para o início do segundo semestre, quando as companhias pretendem fechar acordo com o Fundo da Marinha Mercante com a finalidade de obter financiamento de 60% do empreendimento.

– A obra começa assim que a gente conseguir finalizar os nossos entendimentos com o Fundo, que estão indo muito bem – afirma o executivo.

O novo estaleiro deve ficar pronto de seis a oito meses depois do início da construção. Em operação, deve ampliar em 900% a capacidade inicial de processamento de aço. Vai subir das 500 toneladas/mês do Dique Seco para 5 mil toneladas/mês, totalizando um potencial para gerar 24 mil empregos simultâneos nas construções de embarcações. Ao todo, seriam 60 mil toneladas por ano – o que colocaria o empreendimento entre os principais do planeta.

– O maior estaleiro do mundo processa 80 mil toneladas – compara Torre.

A ampliação do polo será feita sob o comando da multinacional asiática, que vai adquirir o controle acionário da WTorre Óleo e Gás, atual subsidiária do grupo WTorre que hoje opera o Dique Seco e será responsável pelo novo empreendimento. Os valores da negociação e a participação acionária que caberá à WTorre e aos asiáticos na nova companhia não foram revelados.

O complexo ainda será completado por um terceiro projeto, um condomínio industrial para receber sistemistas voltados à fabricação de componentes para embarcações.

Parceria estrangeira deve aumentar competitividade

Para Torre, o ingresso dos asiáticos deve trazer competitividade à operação e ainda mais força à companhia para disputar clientes no mercado internacional. O objetivo é reduzir a dependência do polo dos pedidos da Petrobras.

– E isso será bom também para a Petrobras. Quando tivermos uma demanda maior, vamos conseguir bons preços para eles – diz Torre.

A entrada da Keppel Fels no polo naval gaúcho deve fortalecer o complexo na avaliação de Marcos Pinto, professor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Universidade de São Paulo (USP).

– Certamente vai ser muito bom para o polo porque eles são fortes para fazer uma estrutura de produção com potencial para trazer obras de clientes internacionais – analisa.

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