Autopeças querem IPI menor até dezembro

Segundo o presidente do Sindipeças, para este mês as montadoras já encomendaram componentes para a produção de 230 mil veículos - volume que garante a ocupação de 80% da capacidade atual das fábricas

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A indústria de autopeças vai além das montadoras e espera que a prorrogação do IPI reduzido seja estendida até o final deste ano, o que garantirá que a produção de veículos atinja 2,7 milhões de unidades neste ano, volume 16% abaixo de 2008, quando foram fabricados 3,22 milhões de unidades no País. “Essa é uma decisão chave para o setor. Se o IPI não for renovado haverá em abril uma parada forte nas vendas de automóveis; não sabemos se será igual ou maior que em dezembro”, antevê o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori.

Segundo o presidente do Sindipeças, para este mês as montadoras já encomendaram componentes para a produção de 230 mil veículos – volume que garante a ocupação de 80% da capacidade atual das fábricas. Mas a partir de abril não temos confirmação de pedidos”, disse Butori.

Efeitos da crise mundial – Por causa da crise mundial, que atingiu bruscamente o setor automotivo brasileiro, a indústria de autopeças, que até setembro empregava 231,7 mil funcionários, reduziu o efetivo para 207,5 mil pessoas em dezembro e encerrará março com 203 mil empregados, segundo o Sindipeças.

Já a capacidade ociosa das fábricas, que em outubro de 2008 era de 8%, deverá fechar março com índice de 20%. “O ano de 2009 está mais difícil do que eu imaginava por causa da intensidade da crise no mercado internacional, que derrubou as exportações brasileiras”, disse Butori.

Segundo o presidente do Sindipeças a situação mais corriqueira hoje no setor de autopeças é o cancelamento de pedidos de clientes no exterior. “Se vendo um produto no mercado internacional pela manhã, à tarde recebo o cancelamento com o argumento de que a Coréia tem preço 10% menor. Além da grande competitividade no exterior também não temos para quem vender porque não tem comprador – o castelo desabou no mundo inteiro”, afirmou Butori.

Para a Argentina, o principal cliente da indústria automobilística e de autopeças, as exportações caíram 50,57% no primeiro bimestre deste ano em relação a igual período de 2008, de US$ 360,5 milhões para US$ 178,2 milhões. Para os Estados Unidos, segundo maior mercado do setor, os embarques tiveram queda de 54,46%.de US$ 306,3 milhões para US$ 139,5 milhões. Ao México as exportações caíram 43,74%, de 123,2 milhões para 69,3 milhões, e para Alemanha a queda foi de 49,08%, de US$ 133,2 milhões para US$ 67,8 milhões.

Diante deste cenário de incertezas, o presidente do Sindipeças afirmou que os investimentos para o setor neste ano estão congelados, com exceção das empresas que já anunciaram lançamentos de novos produtos. Em 2008 os investimentos totalizaram US$ 1,6 bilhão, 15,5% superior aos US$ 13,5 bilhões aplicados em 2007.

“Muitas empresas não têm respostas das suas matrizes sobre os novos investimentos. As multinacionais, que têm suas filiais instaladas aqui, estão olhando em todas as partes do mundo para decidir sobre os novos programas de investimentos”, disse Butori.

Sobre as importações feitas diretamente pelas montadoras e a indústria de autopeças, a tendência, segundo Butori, é de aumentar porque o dólar não se sustentará neste patamar de R$ 2,31 até o primeiro semestre, “porque o mercado americano está em declínio “.

A estimativa de Butori é que neste ano a produção de veículos nos Estados Unidos atinja 9 milhões de unidades, diminuindo a diferença para o Brasil que deverá fabricar 2,7 milhões. “Há alguns anos os EUA produziam 16 milhões de veículos e o Brasil 1,6 milhão”, comentou Butori.

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