Diversificação ajuda a MWM International

Empresa dribla crise com variedade de itens e multiplicidade de mercados

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A diversificação de produtos e a atuação em vários segmentos de negócios têm ajudado a MWM International driblar a crise mundial. Ao contrário de muitas empresas, que já registram forte retraçãodos negócios no exterior, a
subsidiária brasileira da Navistar, fabricante americana de caminhões e motores diesel, não alterou seu cronograma de exportação e ainda aposta no crescimento dos seus embarques ao mercado externo. Para os Estados Unidos, onde a recessão está mais forte do que em outras localidades do mundo, a empresa tem programado para este ano a exportação de 41 mil unidades de componentes de motores e cabeçotes completos e ainda 12 mil blocos de cilindros para os motores de 11 e 13 litros (marca Big Bore MaxxForce). Estes embarques que começaram o ano passado, vão para a International, que produzirá em Huntsville, Alabama, caminhões extrapesados. Para o México começa exportar propulsores que atendam a norma Euro 4, o Acteon de 4 cilindros para equipar os ônibus da International Truck & Engine Corporation e motores de 7.8 e 9.3 litros para equipar caminhões pesados.

“Mesmo com a retração do mercado nos dois países os pedidos feitos para a empresa no Brasil estão mantidos porque a Navistar prepara o lançamento de um novo produto”, disse Roberto Alves, gerente de marketing da empresa. “Além disso, a empresa vai aumentar suas ações na Índia e na China e já está prospectando novos negócios também na Rússia e Turquia”.

A manutenção dos embarques para o México e principalmente aos Estados Unidos, além de compensar a retração de 20% das vendas que a empresa terá este ano na Argentina, também fará com que a subsidiária brasileira passe a ter uma participação ainda mais estratégica dentro de toda a corporação, segundo Alves.

Para a China a MWM International começou enviar no ano passado o motor eletrônico NGD 3.0 litros em CKD (completamente desmontado). Este motor, que equipa a picape Ranger da Ford e o jipe T4 da marca Troller, já está em produção no mercado chinês.

Na Índia a afiliada da Navistar International Corporation tem um contrato assinado desde o final de 2007 com a Mahindra & Mahindra — numa joint venture de 51% para cada empresa — para produzir motores diesel Acteon de 9.8 litros e 7.2 litros que irão equipar caminhões médios, pesados e ônibus. O investimento feito pelas duas companhias até 2012 foi de US$ 90 milhões. Essa quantia envolve a construção de uma nova fábrica na Índia com capacidade inicial de 25 mil unidades por ano pela Mahindra International Engines. A previsão é de iniciar a produção de motores em abril deste ano foi adiada para setembro em função da crise mundial.

Safra agrícola

No mercado brasileiro, apesar da queda de 24,4% nas vendas de veículos comerciais em janeiro e de ainda ter caminhões estocados nas fábricas e nas concessionárias, a MWM Internacional tem confiança na retomada do segmento de veículos pesados a partir de março, quando começa a movimentação da safra agrícola no País. “A previsão é que a safra deste ano chegue a 135 milhões de toneladas. É um volume 6,25% menor que no ano passado (144 milhões), mas ainda assim é superior aos 132 milhões de toneladas de 2007. Além disso, há uma sinalização de crescimento para a economia brasileira porque nenhum segmento apontou queda do PIB (Produto Interna Bruto) e isso vai demandar o uso do transporte no País”, diz Alves.

Diante de um cenário de incertezas, a MWM International, que já tem pedidos confirmados de 115 mil motores, ainda prevê que, se o mercado der sinais de recuperação a partir de abril, será possível produzir neste ano 125 mil propulsores. É volume 3,8% abaixo da meta prevista de 131 mil unidades, e 11,5% abaixo das 143 mil unidades fabricadas em 2008, quando havia uma demanda recorde no mercado brasileiro. Do total produzido 33% serão destinados para o mercado de picapes, 37% para caminhões e ônibus e 30% para segmento de máquinas agrícolas, industrial e de geradores. “Se houver retomada do mercado a empresa começa pagar o que foi descontado do salário, sem o funcionário precisar repor as horas trabalhadas”, disse Alves.

Para evitar demissões de seus empregados, a MWM International fechou com o Sindicato dos Metalúrgicos um acordo para cortar em 20% a jornada de trabalho (eliminando as atividades nas sextas-feiras) e reduzir o salário em 17,5% de fevereiro até abril.

Na América do Sul a MWM International emprega atualmente 3 mil funcionários, que trabalham em dois turnos, exceto a linha de usinagem do motor Big Bore, que cumpre jornada em três expedientes. Deste total, 2.800 são no Brasil — no bairro paulista de Santo Amaro e em Canoas (RS) — e 200 na unidade de Córdoba, na Argentina. “Não demitimos os empregados porque temos confiança que o mercado vai se recuperar. E, se isso acontecer, teremos mão-de-obra treinada para sair na frente no mercado brasileiro”, comentou Alves.

Programa de expansão

Para atender aos pedidos da International, nos Estados Unidos, a MWM International inaugurou no ano passado moderna linha de usinagem de blocos na unidade de Santo Amaro, com investimentos de US$ 36,8 milhões e contratou 25 pessoas especializadas na área técnica e de engenharia.

Também no ano passado a empresa fechou contrato com a General Motors do Brasil para fornecer anualmente 60 mil motores de 2.8 litros de 4 cilindros até 2018 para equipar nova família de veículos que a montadora lançará no mercado brasileiro.

Em razão da expansão dos negócios no exterior e do bom desempenho das vendas no mercado brasileiro no ano passado, a empresa comemorou a antecipação dos resultados ao atingir um faturamento de US$ 1,1 bilhão, antes previsto para 2010, superando as estimativas de faturar US$ 880 milhões em 2008. A quantia, que é 27% superior a 2007, é recorde na história da companhia. Do total, 70% foram provenientes de vendas para as montadoras de veículos e máquinas agrícolas, 30% para o setor industrial e o restante para o mercado de reposição. Para 2009 a estimativa é que faturamento tenha uma queda de 15%. Segundo o gerente de marketing, são esses fatos favoráveis, mesmo em um cenário de incertezas, que faz a MWM International manter seu programa de investimentos no País. Para este ano vai investir US$ 80 milhões no Brasil — em 2008 aplicou US$76 milhões. A quantia será aplicada em novas tecnologias para atender as novas leis de emissões no Brasil e nos Estados Unidos.

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