Marcopolo faz consulta para diminuir jornada de trabalho

Os 7,6 mil empregados decidem segunda-feira se aceitam parar nove dias em dois meses

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Primeiro foi a Randon. Agora é a vez da Marcopolo, de Caxias do Sul (RS), um dos maiores fabricantes de carrocerias para ônibus do mundo, lançar mão da cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho que oferecerá aos empregados a oportunidade de votar proposta para implantar a flexibilização da jornada de trabalho em período emergencial.

O objetivo da consulta é adequar a mão-de-obra com a demanda. Na próxima segunda-feira, 7,6 mil colaboradores das unidades de Ana Rech e Planalto da Marcopolo decidirão se aceitam (ou não) parar quatro dias neste mês (dias 13, 20, 23 e 24) e cinco dias em março (dias 6, 13, 20, 27 e 30).

Ao invés de 20 dias úteis, fevereiro terá 16 dias; março reduzirá de 22 para 17  ias úteis. Na soma total, a direção estima produção 20% menor de ônibus nas duas unidades no período.

Os dias parados não serão descontados. As horas não utilizadas formarão um “banco de horas”, a ser utilizado em outro momento pelo grupo. Um destes momentos é o Caminho da Escola, do governo federal, que está na fase final de licitação. Dependendo dos lotes conquistados, os funcionários poderão ser chamados antes do tempo. Em 2005, quando utilizou o mesmo mecanismo, os empregados voltaram ao trabalho mais cedo do que o previsto.

Concorrência ativa

Diferentemente da Marcopolo, a Comil, de Erechim (RS) e a Mascarello, de Cascavel (PR) não pensam em cortar dias. A Mascarello, ao contrário, faz planos para contratar 280 pessoas nos próximos meses em função da concorrência pública ganha do governo do Paraná, cuja encomenda é de 670 unidades de ônibus escolar — espécie de Caminho da Escola regional — cujo valor soma R$ 85 milhões. A empresa tem 1 mil empregados diz o diretor industrial Jair Bez .

A Comil, diz o diretor Dairto Corradi, está com o quadro enxuto e tem carteira para quatro semanas. No ano passado, a montadora fez 3 mil unidades e faz projeção de 2,8 mil para este ano. Em comum, Comil e Mascarello desistiram de participar da licitação de 6,6 mil ônibus escolares do governo federal. Dois são os motivos: o primeiro é a dificuldade para recuar os preços; o segundo é a impossibilidade de sacrificar as margens de rentabilidade.

Atualmente, o estacionamento de Ana Rech da Marcopolo parece um tapete branco, tal o volume de ônibus parados. Neste momento, 1,7 mil funcionários
da unidade cumprem férias coletivas (desde o dia 21 de janeiro) com retorno previsto no próximo dia 10. A partir de segunda-feira, outro grupo, entre 900 e mil pessoas, também vão entrar em férias. São profissionais que estão com férias vencidas. “Mesmo as pessoas em férias vão poder votar”, assegura o diretor de administração, Milton Susin.

O resultado será conhecido na terça-feira. O mínimo para aprovação é ter 62% dos votos válidos. Na Randon, o índice de aprovação alcançou 82,6% de 4,7 mil trabalhadores de cinco empresas do grupo gaúcho. A Randon optou por parar cinco dias nos meses de fevereiro, março e abril. A empresa comprometeu-se de pagar 50% dos dias parados.

O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Material Elétrico (Simecs) deve fechar na próxima semana a contagem de empresas que estão prevendo adotar a consulta. Extra-oficialmente, sabe-se que o número está próximo de 20, a maioria, indústrias de pequeno e médio porte. Dos 59 mil empregados, 80% estão em Caxias do Sul. O restante está espalhado por cidades vizinhas.

Fabricante de tambor de freio para montadoras de caminhões como Mercedes Benz e Volkswagen, a Metalúrgica Thomé, também de Caxias do Sul, teve o volume de pedido reduzido em torno de 20%, mas fechou acordo com os 250 empregados para não demitir nenhum deles. “Tenho capacidade instalada para fazer 5 mil toneladas mensais, mas estou fazendo 3 mil”, diz o diretor Humberto Thomé, 71 anos de idade. Metade da produção vai para montadoras, 30% exportações e 20% reposição.

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