Montadoras cortam 25% de pedidos e 35 fornecedores param

A grande parte só decidiu pela programação a partir da semana passada, depois que os pedidos dos clientes caíram em pelo menos 25% das encomendas que vinham sendo feitas

Consórcio Draga Brasil pode iniciar operação em Santos
Log-In movimenta 12% mais
Sefaz /MT divulga valores e calendário

Pelo menos 35 empresas do setor metalmecânico de Curitiba e região metropolitana vão dar férias coletivas para seus funcionários em dezembro como um reflexo direto da crise econômica que provocou paradas e realinhamentos da produção em várias montadoras de veículos do País. Das empresas que vão recorrer ao expediente no próximo mês, apenas 20% já tinham isso planejado. A grande parte só decidiu pela programação a partir da semana passada, depois que os pedidos dos clientes caíram em pelo menos 25% das encomendas que vinham sendo feitas.

As informações são de Roberto Karam, presidente do Sindimetal, sindicato que congrega as empresas do setor metalmecânico. Para ele isso era inevitável depois que as montadoras começam a reduzir a produção. “Não há outra alternativa para os fornecedores”, disse Karam.

No Paraná, a Volkswagen já deu férias coletivas para 1,8 mil dos 3,6 mil funcionários a partir deste mês e a Renault, que tem 4 mil trabalhadores, depois de adotar o banco de horas negativo para dispensar temporariamente alguns trabalhadores, resolveu parar completamente a unidade de veículos de passeio a partir de 2 de dezembro até 7 de janeiro.

A Volvo do Brasil também terá férias coletivas em dezembro, mas neste caso, elas são tradicionais na empresa que até agora não informou redução na produção e continua com turnos normais. Para Roberto Karam “se não houver nenhum fato novo até janeiro, de 5 mil a 6 mil pessoas estarão com o emprego em risco.”

Em Curitiba e região, há cerca de 30 mil empregados no setor metalmecânico. O presidente do Sindimetal disse que as empresas estão sendo orientadas a não demitir porque “há alguns meses, quando o cenário econômico era outro, as empresas estavam precisando de mão-de-obra qualificada, e por isso investiram em treinamento. Demitir agora seria um péssimo negócio”, justificou.

O anúncio da Renault mundial feito na sexta-feira passada de que está adaptando seus estoques a uma queda de vendas no mercado global não terá efeitos na fábrica do Paraná porque há uma semana a unidade já anunciou sua programação de final de ano levando em conta as modificações de mercado, segundo informou a assessoria da empresa. A Renault do Brasil decidiu paralisar a produção por um período um pouco maior do que 30 dias, entre 2 de dezembro e 7 de janeiro, nas unidades de São José dos Pinhais (PR) que fabricam motores e carros de passeio, para a redução de estoques e a adaptação a um novo patamar de mercado. A fábrica de utilitários, que produz o Renault Master e a Nissan Frontier não foi atingida pela medida e vai paralisar suas atividades somente entre 27 de dezembro e 7 de janeiro, em férias consideradas normais.

Segundo nota da Renault mundial, a montadora francesa planeja cortar ainda mais sua produção para reduzir estoques de carros não vendidos até o final de 2008. A idéia é trazer o estoque para o mesmo nível do final do ano passado.

“Em um mercado automotivo mundial atingido pela crise, as vendas da Renault em outubro caíram 14,1% sobre outubro de 2007”, informou a montadora em comunicado. A empresa acrescentou que a redução no ritmo de vendas do mercado europeu se intensificou em outubro. Na Europa, as vendas do grupo caíram 16% no mês passado, em linha com a queda de 15% do mercado.

Estoque mundial – No Brasil ao contrário, em outubro a montadora francesa praticamente não sentiu os efeitos da crise de crédito no mercado automotivo e registrou o volume de 9.253 veículos comercializados com um crescimento de 25% em relação a outubro do ano passado, informou a empresa.

A empresa não falou sobre detalhes financeiros, mas uma porta-voz afirmou que os estoques mundiais estão em patamar equivalente a € 6,5 bilhões (US$ 8,12 bilhões) e precisam cair para € 5,9 bilhões.

COMMENTS