Demanda reprimida garantirá mercado para veículo comercial

A previsão da MWM International era que o segmento de tratores, que teve uma expansão de 38% até outubro, teria um crescimento de 15% no próximo ano

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Os fornecedores de componentes para a indústria de caminhões projetam um impacto menor para o mercado de veículos comerciais em 2009. “O Brasil vai sofrer com a crise mundial, mas não na mesma proporção que os Estados Unidos e a Europa. O mercado brasileiro ainda tem muita demanda para ser atendida”, disse Roberto Alves, gerente de marketing da MWM International, fabricante de motores.

Alves afirma que os pedidos dos seus clientes ainda mostram um crescimento dos negócios em 2009, mas num ritmo menor. “A agricultura vinha registrando forte crescimento neste ano e, se a safra do próximo ano for idêntica à de 2008, vai continuar exigindo demanda de transporte para a área agrícola e industrial”.

A previsão da MWM International era que o segmento de tratores, que teve uma expansão de 38% até outubro, teria um crescimento de 15% no próximo ano. “Reduzimos a nossa previsão para 5% e 8%”, mas mesmo assim será um bom crescimento”, comentou o gerente de marketing.

“Já o mercado de caminhões e ônibus, que neste ano crescerá 30%, deverá ter uma expansão entre 3% e 5% no ano que vem por conta da demanda do transporte, que cresce de acordo com a expansão do PIB, que vai variar entre 3,5% a 4% no próximo ano”, diz Alves.

“Ao contrário do mercado de automóveis, onde as vendas são motivadas pelas taxas de juros acessíveis e contratos de longo prazo, no segmento de caminhões e ônibus a decisão de compra leva em conta o comportamento dos negócios no setor de transporte, como será as atividades dos clientes e se tem carga para transportar”, comentou Alves.

Para Sergio Castioni Veinert, diretor-geral da BorgWarner, que produz turbocompressores para veículos comerciais, o mercado de caminhões está bom neste mês, “mas estamos vendo um período crítico no primeiro trimestre de 2009”.

A previsão de Veinert é que no próximo ano o segmento de caminhões feche com um volume igual ao de 2006 ou 2007. “Se chegar a este volume conseguiremos sobreviver”.

Falências

Veinert comentou que nos Estados Unidos, onde está a sede da empresa, a situação da BorgWarner é muito ruim, como a de muitos fornecedores – “que estão literalmente quebrando” . “Aqui no Brasil a companhia tem seus negócios focados no mercado de veículos comerciais, setor que teve uma retração, mas não foi um desastre. Por enquanto, estamos conseguindo sobreviver. Coloquei alguns funcionários em férias e vamos parar toda a produção em dezembro, acompanhando o ritmo das montadoras”.

O diretor da BorgWarner disse ainda que a empresa está sob controle. “Suspendemos novas contratações e vamos adequar a produção de acordo com a demanda do mercado”, afirmou.

O gerente da MWM International , afirmou que a empresa está reduzindo as horas extras e vai conceder as tradicionais férias no final do ano.

“A redução nas atividades está trazendo fôlego para a empresa. Os empregados estão trabalhando agora em melhores condições, sem estresse”, comentou Alves.

Exportações

Outro ponto positivo para a MWM International no próximo ano, segundo Alves, são os contratos de exportações fechados neste ano.

Para o México, a MWM International vai enviar o motor MWM Acteon e aos Estados Unidos embarcará blocos usinados para os motores de 11 e 13 litros (marca Big Bore MaxxForce) para a International nos Estados Unidos, que produzirá em Huntsville, Alabama (EUA), caminhões extrapesados.

Com as exportações de motores para os Estados Unidos, a MWM International espera compensar a redução de 8% nos embarques de cabeçotes, que equipa os caminhões pesados, cujas vendas estão em queda naquele país. A empresa também fornece seus produtos para a Ford , na Argentina, Volkswagen Caminhões e Ônibus , General Motors (para equipar as picapes), Volvo Caminhões e a Agrale.

A MWM International também tem perspectivas positivas para o País no próximo ano. “A economia do Brasil hoje é mais sólida. Nos anos 70 a crise atingiu em maior proporção os países emergentes. Agora, são os emergentes, que representam metade do PIB mundial que irão segurar a crise global”, comentou Roberto Alves. (Sonia Moraes-Gazeta Mercantil)

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