Crise não altera ritmo forte na produção de caminhões

"O mercado brasileiro de caminhões continua firme e deverá fechar o ano com bom volume de produção", disse Sergio Castioni Veinert, diretor-geral da BorgWarner

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As fabricantes de autopeças que abastecem a linha de produção das montadoras de caminhões e ônibus não alteraram os programas de produção e de investimentos por causa da crise financeira mundial. A BorgWarner, que fabrica turbocompressores, a Saint-Gobain Sekurit, que produz conjuntos de vidros, e a Frum, que faz peças fundidas para freios, confirmaram ontem durante a Automec (primeira feira de peças para veículos pesados), que os pedidos de componentes estão mantidos até o final do ano. “O mercado brasileiro de caminhões continua firme e deverá fechar o ano com bom volume de produção”, disse Sergio Castioni Veinert, diretor-geral da BorgWarner.

Roberto Del Papa, diretor comercial da Frum que abastece todas as montadoras de veículos pesados (menos a Volvo), disse que a empresa mantém seu programa de investimentos fechado em 2004 de US$ 60 milhões até 2011. “Nossa posição é de cautela, mas não vamos interromper os investimentos porque não recebemos nenhum comunicado oficial sobre diminuição do volume de produção por parte das montadoras”, comentou o diretor da Frum. “Seria impossível interromper os investimentos porque temos máquinas paradas no porto que serão utilizadas para aumentar em 33% a capacidade de produção a partir de 2009”.

A Frum, empresa brasileira que está há 56 anos no mercado, tem sua unidade industrial instalada em Extrema (MG). Com 650 funcionários que trabalham em três turnos, prevê produzir neste ano 30 mil toneladas de peças fundidas para freios de veículos pesados e elevar esse volume para 40 mil toneladas em 2009. “Em 2011, quando os investimentos forem concluídos pretendemos elevar a produção para 75 mil toneladas”, disse Del Papa.

O diretor comercial da Frum admite que há uma sensação de desconforto em investir num momento conturbado, com tantas incertezas no mercado financeiro mundial. “Mas é preciso ser cauteloso em relação ao pessimismo que ronda o setor financeiro para se ter uma visão mais clara sobre o mercado industrial”, disse Del Papa.

O diretor geral da BorgWarner disse que prefere trabalhar com fatos e dados concretos antes de tomar qualquer decisão. “Os resultados dos três últimos meses do ano darão uma indicação clara de como será o ano de 2009”, diz Veinert.

A Saint-Gobain Sekurit também está confiante que a crise não atingirá fortemente o mercado de veículos pesados. “As montadoras estão com seis meses de fila de espera para entregar caminhões e o setor de ônibus tende a se manter aquecido por causa do programa de renovação de frota e já temos pedidos de pára-brisa até o final do ano”, disse Rubens Sautnei, gerente comercial da empresa.

A Remy Automotive do Brasil, que abastece as fábricas de caminhões da Mercedes-Benz, Volks-wagen, Ford, Cummins, CNH e International, também mantém em alta sua produção na fábrica de Brusque (SC) e calcula fabricar neste ano 1 milhão de motores de partida e alternadores e de faturar US$ 65 milhões. Em 2009 o faturamento vai girar em torno de US$ 75 milhões a US$ 80 milhões. “O crescimento da empresa é decorrente de novos negócios, principalmente na linha de veículos pesados na América Latina”, disse Mário Morelli, diretor de negócios na América Latina. (Sonia Moraes – Gazeta Mercantil)

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