Na Star Alliance, TAM ganha proteção a crises

A TAM terá até 18 meses para adequar seu sistema aos sistemas das empresas integrantes da aliança, principalmente de tecnologia da informação e dos programas de milhagem

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Depois de dois anos o Brasil terá novamente uma companhia com representatividade no mercado internacional. A TAM Linhas Aéreas anunciou ontem a sua entrada na maior aliança global de aviação comercial Star Alliance, composta atualmente por 21 companhias aéreas de longo curso e três empresas regionais que operam mais de 18.100 vôos diários. O presidente da companhia brasileira, David Barioni Neto, disse que a TAM terá até 18 meses para adequar seu sistema aos sistemas das empresas integrantes da aliança, principalmente de tecnologia da informação e dos programas de milhagem.

“Hoje, estamos concretizando um trabalho que durou pelo menos dois anos. Com a entrada da TAM na Star Alliance nossos passageiros terão muitos benefícios como o compartilhamento em programas de milhagens de pelo menos 23 companhias”, disse.

O executivo adiantou que a empresa terá uma receita adicional de US$ 60 milhões por ano por conta da sua entrada na Star Alliance. “Além disso, poderemos ter redução nos custos de manutenção e nas despesas com combustíveis”, disse Barioni.

Com a conclusão das adaptações, a rede de rotas da Star Alliance será expandida para mais de mil destinos em 170 países, oferecendo mais de 20 mil frequências diárias. O presidente da organização, Jaan Albrecht, disse que a entrada da TAM abre a América do Sul para o mundo.

“O Brasil já é servido por sete membros da aliança e em 12 meses a Turkish Arlines começa a operar também no País. É um mercado muito atraente para todos da Star Alliance, pois, teremos condições de expandir também nossas operações na América do Sul. Essa cooperação trará o mundo para a região e levará a região para o mundo”, ressaltou Albrecht.

Quanto aos acordos de code share (compartilhamento de vôos) com companhias que integram outras alianças globais, Air France/KLM e Lan Chile, Barioni informou que a TAM reviu esses acordos. “No caso da Lan, decidimos manter o compartilhamento já que o acordo se estende somente na América do Sul. Foi uma condição que fizemos junto a Star Alliance. Quando o acordo estiver acabando vamos avaliar se vale a pena ou não continuar, desde que tenha outra companhia em condições de suportar nosso movimento na América do Sul”, disse o executivo.

Sobre o acordo com a Air France, Barioni adiantou que ele se encerra no dia 31 de outubro. “Optamos por terminar com o code share já que na Europa temos duas importantes companhias integrantes da Star Alliance, a Lufthansa e TAP, que mantêm seus centros de distribuição em cidades de grande movimento. Não fazia sentido continuar, seriam compartilhamentos concorrentes”, explicou Barioni. Ainda este ano, a TAM, segundo o vice-presidente comercial e de planejamento, Paulo Castello Branco, deverá fechar acordos de code share também com as empresas Swiss e BMI, ambas da Suíça.

A TAM entra numa aliança global num momento em que o mundo passa por turbulências. Segundo o presidente da Star Alliance, a crise realmente preocupante, há previsão de queda no mercado de aviação, mas as companhias que integram a aliança terão capacidade para sair desse momento mais fortes. “Já passamos por grande crises, como depois do 11 de setembro. As sinergias e as experiências internacionais com certeza ajudam as empresas aéreas que integram alianças. Posso dizer que estamos preparados para um arrefecimento do mercado”, disse Albrecht.

Segundo Glenn Tilton, presidente da United, empresa que ciceroneou a TAM na Star Alliance, no quarto trimestre será sentido o efeito da crise norte-americana. Por isso, diz ele, é importante a aliança. “Temos de nos disciplinar para ajustar nossas redes, pois prevemos tempos difíceis com retração no mercado”, disse o executivo.

Tilton acrescentou que a companhia já estrutura uma joint venture com a Lufthansa, Air Canada e Continental para operações intercontinentais. “Isso vai melhorar nossos custos e a posição de caixa da companhia em 2009”, ressaltou o executivo.

O presidente da TAP, o brasileiro Fernando Pinto, que também foi presidente da Varig em tempos áureos, disse que a companhia portuguesa deve manter o crescimento de dois dígitos apurados nos últimos anos, pois, ainda não foi afetada pela crise econômica que assola a Europa. “A aliança é fundamental para este crescimento. No ano passado os ganhos com a Star Alliance foram de € 30 milhões – destes, € 10 milhões foram para fazer caixa. Prevemos uma elevação desse valor em torno de 10% a 15% em 2009”, disse Pinto, que também comandou a entrada da Varig na Star Alliance, quando ainda era presidente da companhia. (Ana Paula Machado – Gazeta Mercantil)

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