Manaus quer aportes em logística para crescer

Como o Plano Nacional de Ferrovias não contempla a região nem até 2023, este e o modal marítimo são os que têm deixado acalorados os debates das empresas e entidades no estado

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A necessidade de mais aportes em logística para suprir a demanda de escoamento de produtos do Pólo Industrial de Manaus, também conhecida como Zona Franca, tem sido cada vez mais acentuada, devido ao aumento da produção local nos últimos anos. Como o Plano Nacional de Ferrovias não contempla a região nem até 2023, este e o modal marítimo são os que têm deixado acalorados os debates das empresas e entidades no estado.

Para a iniciativa privada, que anuncia aos quatro cantos ter interesse em atuar na concessão de aeroportos e também de rodovias no País, a região da Zona Franca também desponta como um filão a ser analisado, dizem fontes do setor, por conta da demanda, além da necessidade de revitalização de várias estradas para transporte de cargas e até passageiros. Logo, o cenário poderia ser diferente. Um exemplo é que ir do Município de Taquatiara a Manaus, de barco, demora cerca de 12 horas de barco. “Se tivéssemos uma ferrovia, esse trajeto seria de apenas 5 horas”, afirma o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Jorge Campos. Para especialistas como Campos, as medidas no Pólo têm sido paliativas e é necessário um plano integralizado de desenvolvimento logístico para o gargalo não se tornar maior.

Segundo Flávia Grosso, superintendente da Zona Franca de Manaus, a logística é, ainda o principal obstáculo a ser transposto. “A logística é o nosso calcanhar-de-Aquiles. É por isso que o Governo Lula está atento a essa questão, destinando investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para ligar a Ferrovia Norte-Sul, no Tocantins, à Ferrovia Leste-Oeste, na Bahia”, disse.

Jorge Campos, o professor da UFAM, explica que a integração de todos os modais é determinante para o Amazonas. Segundo ele, em Taquatiara existe um projeto para construção de um porto no local, com verba já definida, mas que não sai do papel. “Temos também a necessidade de fazer a revitalização da BR-319, que vai de Porto Velho (RN) a Manaus (AM); da Rodovia Cuiabá-Santarém, que também precisa ser recuperada porque atualmente temos de ir de barco até Belém (PA) para, de lá, escoar as mercadorias por estradas para o resto do País; a Ponte Manaus-Boa Vista (RR) e de lá para Bonfim; da Ponte Manaus-Iranduba, sobre o rio Negro; e da BR-174, que liga Bonfim à Venezuela; entre outras melhorias”, explica Campos.

Negócios

Uma melhoria que parece estar saindo do papel na Zona Franca é a ampliação do Entreposto Logístico de Resende, de cujas cargas 80% são escoados por meio da cabotagem e apenas 20% através do sistema rodo-fluvial. O local opera cerca de 300 contêineres ao mês, o que seria mais ou menos equivalente a R$ 80 milhões mensais – ou R$ 9,6 bilhões ao ano. “Se o PAC realmente recuperar a estrada Cuiabá-Santarém, como está previsto, isso irá trazer o Amazonas para muito mais perto dos centros comerciais do Sudeste e do Sul, por exemplo”, explicou José Darci Granziol, diretor do Entreposto Resende.

Foi também pensando nisso que o empreendimento investiu na sua ampliação. Estão sendo aplicados cerca de R$ 10 milhões para aumentar a capacidade do entreposto em 50%, passando de 20 mil metros quadrados de área, para 30 mil m². “As obras estão previstas para terem início já nos primeiros meses de 2009 e creio que em seis meses elas já estejam concluídas”, contou Granziol ao lembrar que mesmo com o incremento da capacidade do empreendimento, isso pouco irá aliviar a necessidade de outros investimentos na região, uma vez que o Entreposto Resende movimenta, hoje em dia, menos de 5% de to- da a carga produzida em Manaus.

A maioria está em outros armazéns ou filiais de empresas, ou ainda é exportada diretamente, para Venezuela e Argentina, principalmente. Uma dessas companhias que oferecem armazéns na região é a Aurora EADI, que já está há nove anos no mercado manauara. Por isso mesmo, a companhia tem planos de ampliar os seus galpões, em 2009.

Sem revelar valores, Ricardo Ferreira de Assis, supervisor administrativo da companhia, disse que a Aurora tem planos de fazer mais um galpão, em parte frigorífico, no ano que vem. “Temos dois galpões atualmente, um frigorífico, o outro, não. Com a demanda, principalmente do mercado de duas rodas e de telefones celulares, precisamos de mais espaço”, disse. Segundo ele, a companhia registrou crescimento de 15% a 20% no primeiro semestre de 2008, se comparado ao mesmo período do ano passado. As obras do novo galpão devem começar em fevereiro de 2009 e estarão prontas em apenas quatro meses.

Contramão

Se algumas empresas comemoram crescimento com o aumento da produção na Zona Franca de Manaus, outras não estão tão otimistas assim. Este é o caso de um dos maiores players do setor de cargas, a Aliança Navegação e Logística, empresa ligada ao armador Hamburg Süd e especializada em cabotagem, que registra desaceleração nos negócios desde 2006. “Crescíamos a um ritmo de dois dígitos até 2006. Com algumas mudanças no setor de eletroeletrônicos, como a chegada das TVs de plasma e de LCD, que ocupam menos espaço no contêiner, e também a queda da Gradiente, registramos um incremento de apenas um dígito de 2006 para 2007”, contou o diretor da companhia, Norberto Kobelt.

Ano passado, a empresa efetuou mais de 501 mil carregamentos de TEUs (contêineres de capacidade equivalente a 20 pés cúbicos), enquanto em 2006, esse valor foi de cerca de 478 mil TEUs. (Rafael Bresciani – DCI)

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