Pão de Açúcar antecipa em 40 dias compras para Ponto Frio

O grupo ainda estuda como ficará a logística e a área interna das duas redes. O primeiro passo da sinergia será pelo comércio eletrônico

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Uma das primeiras medidas de sinergia depois da compra da rede Ponto Frio pelo Grupo Pão de Açúcar foi adiantar as encomendas para o final do ano, além de se preparar com itens importados, que não eram vendidos nas lojas do Ponto Frio havia cerca de três anos. De acordo com Hugo Bethlem, vice-presidente executivo do Grupo Pão de Açúcar, a rede já usa a vantagem de ser a maior varejista do País nas suas operações comerciais e na negociação com fornecedores, tendo inclusive adiantado a compra de alguns produtos em 40 dias, aproveitando a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

“Nós não apenas adotamos as melhores condições que uma ou outra rede tinha com fornecedores, mas chamamos a indústria e falamos que agora somos dois, temos maior volume para negociar. Todo conceito é de ‘ganha-ganha’, é mostrar que há um grupo sólido também por trás do Ponto Frio”, diz o executivo.

Bethlem explica que não foi antecipada a compra de todos os itens devido a custos com armazenamento, mas que é esperado um grande impulso nas vendas este mês, já que a partir de outubro o IPI deve voltar a subir. A expectativa para o melhor período do ano para o varejo, o Natal, é otimista e deve superar a do ano passado em volume de vendas.

No último semestre, as vendas nas mesmas lojas do grupo registraram alta de cerca de 9%. O final do ano ainda terá mais importados nas lojas da rede e até nas lojas do Ponto Frio. “Importamos com bastante antecedência e a primeira leva de importados já chegará ao Ponto Frio no Natal; serão itens como micro-ondas, rádios e itens da área de tecnologia.”

O grupo ainda estuda como ficará a logística e a área interna das duas redes. O primeiro passo da sinergia será pelo comércio eletrônico. Até o final do ano passará a funcionar uma plataforma digital, que unirá informações do Extra.com e do PontoFrio.com em toda a área de tecnologia, atendimento e logística. Mas as redes continuarão a ter dois sites diferentes, tanto que o Extra.com já foi reformulado e estreou esta semana. “O PontoFrio.com já atuava separadamente das lojas físicas e o Extra.com também tem certa autonomia. Vamos reforçar as duas e criar uma estrutura. Se no futuro fizermos um ‘spin off’ [formação de empresa derivada], já estaremos preparados.”

Os Centros de Distribuição (CDs) ainda serão mantidos separadamente, mas um próximo passo pode ser a integração também dessa área. Segundo Bethlem, um novo CD do Grupo foi ampliado, mas já “está apertado”. “Nada impede que amanhã também aproveitemos os CDs, juntos. Temos 28 CDs, 10 dos quais são do Ponto Frio. Ainda estamos analisando se precisamos de tudo isso.” O próximo passo será a análise das lojas físicas da rede adquirida: mais de 400 lojas deverão ser estudadas para ver quais são mais modernas e têm melhores resultados.

Concorrência

A concentração do mercado deve fazer a concorrência acelerar a expansão e movimentar-se para não perder espaço. O Magazine Luiza, terceira maior no mercado, por exemplo, completa um ano da entrada na capital paulista, com 53 lojas atualmente. A rede afirma que o resultado supera as expectativas, o que mantém a expectativa original de abrir 100 lojas na cidade até 2010, disputando o mercado que é reduto da líder do setor, a Casas Bahia.

Segundo Frederico Trajano, diretor de Vendas do Magazine Luiza, a rede já atingiu a marca de 1 milhão de clientes, e, mesmo com a estratégia ambiciosa e algumas dificuldades de entrega, o executivo garante que a operação da capital já é lucrativa. “O investimento em uma loja é feito a longo prazo, independentemente da crise econômica. Diante dos bons resultados, estamos mantendo nosso projeto”, disse ele. Em relação à aquisição de outras redes, o executivo afirma que não farão aquisições de varejistas do sul do País, e devem aguardar para dar continuidade ao plano de abertura de capital – que seria feito este ano e foi abortado devido à crise.

Para especialistas do varejo, o período é de aceleração de investimentos diante da concentração do mercado. Segundo Alberto Serrentino, sócio da consultoria Gouvêa de Souza (GS&M), o mercado colabora com a volta da oferta de crédito, e as redes regionais seguem entrando umas no mercado de outras. É o caso da Casas Bahia, que entrou no nordeste, onde é forte a rede Insinuante, que anunciou a abertura de mais lojas; assim como da gaúcha Lojas Colombo, que entrou na capital paulista. (Danielle Fonseca-DCI)

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