Propostas para o trânsito ignoram frota

O número médio de emplacamentos realizados pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) para a capital foi de cerca de 40 mil veículos

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SÃO PAULO, 19 de agosto de 2008 – As propostas dos líderes na disputa pela prefeitura no setor de transportes e trânsito ignoram o principal e mais urgente problema da área: a explosão no número de veículos que entra a cada dia nas ruas. Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) têm projetos de investimentos em infra-estrutura, como a extensão das redes de metrô e corredores de ônibus, mas não apontam medidas concretas para lidar com o crescimento cada vez mais acelerado das frotas de carros, motos, caminhões e ônibus. É exatamente para enfrentar esse tipo de problema que medidas impopulares podem ser adotadas, como a criação do pedágio urbano e a extensão de datas e horários do rodízio de veículos.

Luís Antônio Seraphim, do Instituto de Engenharia e especialista em trânsito e transporte, os candidatos mostram falta de criatividade para enfrentar o problema da explosão da frota. “O políticos precisam inovar para lidar com o problema a curto prazo”, disse.

Segundo o Datafolha nos dias 3 e 4 de julho, 77% dos paulistanos avaliaram como ruim ou péssima a gestão do trânsito pela Prefeitura de São Paulo.

Nos últimos seis meses, o número médio de emplacamentos realizados pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) para a capital foi de cerca de 40 mil veículos. Se o cenário não se alterar, quando os primeiros corredores de ônibus e linhas de metrô prometidos ficarem prontos, em 2010, quase um milhão de novos veículos já estarão circulando.

A Folha enviou perguntas aos candidatos sobre a área de transportes e trânsito e as respostas dos quatro líderes nas pesquisas de intenção de voto não indicam a adoção de medidas para enfrentar a expansão da frota a curto e a médio prazo. Eles porém afirmam com clareza que não pretendem implantar o pedágio urbano ou incluir novas data e horários no rodízio municipal.

Marta diz que investirá na expansão do metrô, “acrescentando mais 63 km à atual malha metroviária da cidade”, e vai “construir mais 279 km de corredores de ônibus”.

Porém, quanto a medidas para melhorar a mobilidade nas vias da cidade, a primeira colocada no Datafolha, é vaga em suas propostas para o próximo mandato. A afirmação de que “no campo operacional, a CET voltará a atuar de forma integrada com a SPTrans, para garantir a fluidez do trânsito e do transporte coletivo” é a que mais se aproxima da questão da circulação de carros nas respostas enviadas pela petista.

Alckmin também mostra ter planos bem detalhados para o transporte público, indicando que pretende investir na expansão das linhas 2, 5 e 6 do metrô e na construção de mais corredores de ônibus -ele diz querer terminar principalmente as obras do Expresso Tiradentes (ex-Fura Fila).

Porém, em relação aos carros, o tucano limita-se a dizer que vai “organizar o transporte coletivo, para dar rapidez e conforto aos passageiros, estimulando os motoristas a deixarem os automóveis em casa”.

Apesar de não fugir à regra de enfatizar a necessidade de investimentos no metrô e em corredores de ônibus, Paulo Maluf (PP) aponta uma megaobra como uma das soluções para melhorar o trânsito. Maluf promete criar autopistas sobre lajes a serem construídas sobre as marginais Pinheiros e Tietê.
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) foi o único a enviar à Folha uma proposta restritiva em relação aos carros. “Um ponto a ser trabalhado é a questão do estacionamento. Fizemos um piloto na rua Bela Cintra, retirando uma faixa de estacionamento e liberando o tráfego de veículos. Isso aumentou em 30% a fluidez”, diz.

Kassab retirou na semana passada a impopular adoção de pedágio urbano em um projeto enviado à Câmara Municipal. (Folha de S. Paulo)

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