A transmissão automatizada TraXon da ZF não é uma novidade no mercado brasileiro de caminhões e também ônibus, mas é, sem dúvida, um exemplo de como a engenharia e a alta tecnologia conseguem melhorar a vida de quem transporta cargas e passageiros no Brasil e no mundo.
A caixa chegou ao nosso país em 2019, estreando nos caminhões da Ford, no mesmo ano em que a montadora decidiu encerrar suas operações por aqui. Os primeiros caminhões brasileiros equipados com a transmissão ZF TraXon foram os Ford Cargo 2631, 3131 e 3133.
Feita com ligas de alumínio, em sistema modular e cheia de módulos eletrônicos, a transmissão automatizada TraXon da ZF é a evolução da tradicional caixa ASTronic, sua antecessora, que trouxe um salto em economia de combustível, velocidade nas trocas de marchas, performance, funções eletrônicas e torque.

“A TraXon é um projeto que marca a evolução das transmissões da ZF. Nós partimos de um produto que já era muito bom, a ASTronic, e o deixamos ainda melhor colocando mais funções de software, mais opções para o mercado. Uma de suas principais características é a sua modularidade, que facilita muito o processo de manutenção. Outra vantagem da TraXon é o seu alto torque de saída, com 2.800 Nm na versão de 12 marchas e 3.400 Nm na de 16 marchas”, conta Cristiana Grecco, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Sistemas de Driveline para Veículos Comerciais da ZF América do Sul.
Consagrada no Brasil

Hoje, a TraXon é utilizada por quatro das seis principais montadoras de caminhões que fabricam veículos pesados no Brasil: DAF, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Iveco a utilizam em seus modelos de cavalos-mecânicos extrapesados nas famílias XF, CF, Meteor, Constellation e S-Way; e a Mercedes-Benz, que é a única a utilizar a TraXon em chassis de ônibus, para seus modelos rodoviários de alta performance.
Fabricada pela ZF em Sorocaba, no interior de São Paulo, em um planta moderna que faz jus às suas características, a TraXon já ultrapassou a marca de 50 mil unidades feitas no Brasil e está caminhando para a evolução, com novas versões vindo por aí, com maior segurança cibernética, para proteger o sistema de invasões hacker e uma versão híbrida para contemplar o movimento da indústria rumo à eletrificação.
A reportagem do Transporta Brasil visitou a fábrica da TraXon no final do ano passado e pôde atestar: o processo de montagem da caixa é extremamente preciso e tecnológico e conta com maquinários e procedimentos especialmente desenvolvidos pela ZF para este modelo de transmissão. Cada caixa TraXon sai da linha de montagem com uma característica própria, dependendo do modelo de veículo, da marca e da aplicação que vai equipar. A fábrica também é modular e totalmente ergonômica e o processo de produção é muito rápido: desde o início até o teste de qualidade, cada caixa demora cerca de uma hora e meia para ser produzida.

A linha de produção conta com sistemas de Indústria 4.0, com todos os processos conectados sendo monitorados por um sistema eletrônico, que controla desde o tempo de andamento da linha até a identificação visual e eletrônica de cada produto em cada processo, controlando até o torque específico que uma ferramenta usará para apertar um determinado parafuso ou componente. Ao final, as caixas TraXon passam por modernos testes de prevenção de vazamentos, de segurança e de qualidade para garantir que irão cumprir seu papel ao serem instaladas nos veículos de destino.

Cristiana Grecco, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Sistemas de Driveline para Veículos Comerciais da ZF América do Sul
“A TraXon tem muita tecnologia envolvida. Além da caixa leve, da concepção de engrenagens para corroborar com o alto torque, o baixo ruído e a economia de combustível, ela tem uma parte eletrônica que dá muitas opções para cada montadora que vai utilizá-la em seus veículos. Os sensores e sistemas eletrônicos da caixa permitem que ela preveja, por exemplo, um terreno acidentado, com aclives e declives, usando o sinal do GPS, para antecipar um cálculo para uma troca de marcha inteligente a cada etapa da viagem, evitando trocas desnecessárias e ajudando tanto na performance do veículo quanto na economia de combustível”, conta Grecco.
O projeto, que nasceu em 2014 na Europa, não veio diretamente para o Brasil sem passar pelas devidas configurações e adequações para as aplicações severas do transporte brasileiro. “A TraXon recebeu um portador planetário exclusivo brasileiro, desenvolvido pela engenharia da ZF aqui no Brasil, para poder suportar as aplicações severas do transporte rodoviário de 74 toneladas e das operações fora-de-estrada, que podem chegar a mais de 150 toneladas. É uma caixa que se adequou perfeitamente ao transporte brasileiro”, finaliza a engenheira Cristiana.
Não é à-toa que a TraXon tenha ultrapassado um milhão de unidades fabricadas em todo o mundo e mais de 50 mil no Brasil, ajudando cargas pesadas e grandes números de passageiros a serem transportados por todo canto do planeta Terra.
Leo Doca – Agência Transporta Brasil (ATB)
leodoca@transportabrasil.com.br
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