Pressa aumenta os riscos para entregadores

Presidente do Sintramotos, Tito Mori considera assédio moral o estabelecimento estipular o tempo máximo de uma entrega, colocando a responsabilidade no empregado caso o intervalo seja ultrapassado

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Além da fragilidade, a pressa está intimamente ligada ao número de acidentes dos motociclistas. “O pessoal da empresa quer urgência na entrega e, dependendo do horário, corre o risco do estabelecimento fechar ou perder o horário. É aí que você se coloca em risco”, diz o entregador Sebastião Bueno. “Em alguns momentos, você é pressionado para cumprir o horário, mesmo que seja quase impossível”, completa. “Pela pressa, muitos motociclistas reconhecem que abusam”, salienta a diretora de trânsito da Urbs, Rosângela Battistella.

Presidente do Sintramotos, Tito Mori considera assédio moral o estabelecimento estipular o tempo máximo de uma entrega, colocando a responsabilidade no empregado caso o intervalo seja ultrapassado. “Não existe isso na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Quem deve pagar, nesses casos, sempre é o empregador”, afirma. Para Mori, não é necessário infringir as leis de trânsito para entregar mercadoria rapidamente. “Existem outros meios, como conhecer ruas melhores para trafegar”, diz. “No atual estado do trânsito, em alguns momentos, é impossível andar em velocidade. Por isso, conhecer os melhores caminhos é essencial”, acrescenta.

Para o motoqueiro, estar atrás de um automóvel representa a mesma sensação de um motorista de carro quando para atrás de ônibus ou caminhão. “Você sabe que ele vai demorar para desenvolver a velocidade compatível com a via. Como vivemos tempos de urgência, ninguém tem tempo para aguardar esse breve período”, diz a coordenadora de Educação para o Trânsito do Detran-PR, Maria Helena Gusso Mattos.

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