Moinho Pacífico investe em silos para encarar entressafra

O objetivo do empreendimento é assegurar a estocagem em períodos de entressafra para poder ter um preço mais estável da matéria-prima

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O Moinho Pacífico está investindo R$ 80 milhões em um conjunto de silos no Porto de Santos que irá duplicar sua capacidade atual de armazenamento de trigo para 95 mil toneladas. O objetivo do empreendimento é assegurar a estocagem em períodos de entressafra para poder ter um preço mais estável da matéria-prima que, hoje, representa cerca de 70% do custo de produção. As obras foram iniciadas e devem ser concluídas até outubro de 2010.

Segundo Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, o aporte foi feito, principalmente, em função da insegurança quanto ao suprimento da matéria-prima aliada às mudanças constantes na política agrícola do governo argentino. Para ele, o país vizinho vai continuar sendo o maior exportador de trigo para o Brasil. O executivo também afirma que problemas climáticos frequentes nesta safra estão dizimando a produção de trigo nacional e a queda de qualidade também está dificultando as compras. “Todas essas questões nos levaram a investir em silagem e, quando houver disponibilidade de qualidade a preços competitivos, aumentar nossas aquisições para que em épocas de dificuldade de suprimento tenhamos a garantia de qualidade para nosso parque industrial”, disse Pih.

De acordo com o presidente do Moinho Pacífico, na região norte do Paraná as chuvas não estão permitindo a colheita e o que se tira da lavoura é de baixa qualidade e não é adequado para o processamento. A situação deve se agravar já que há projeções de mais chuva. Como consequência do fenômeno climático El Niño deverá haver queda significativa no Paraná, Rio Grande do Sul e no Uruguai, que também tem atuado como fornecedor para o Brasil. “Teremos um período de dificuldade em conseguir trigo de qualidade”, avalia Pih.

Ainda que os produtores nacionais não consigam suprir a necessidade doméstica por trigo de qualidade, o proprietário do Moinho Pacífico afirma que não haverá aumento nos preços da farinha, já que a cotação mundial da matéria-prima está em patamares baixos.

Mesmo o representante da indústria reconhece que o cenário para o triticultor não é dos melhores. Com uma safra de baixa qualidade e preços mundiais baixos, o produtor brasileiro precisará de novos subsídios para escoar a safra 2009/2010.

No período de intenção de plantio o triticultor estimou a produção com preços mínimos muito atrativos e significativamente acima do mercado mundial. “De lá para cá a disparidade de preço do produto no mercado interno e mundial só tem se acentuado e dificultando o escoamento da safra”, destacou Pih.

Para piorar a situação do produtor da safra estimada em cerca de 6 milhões de toneladas, a expectativa agora é a de que sejam colhidas apenas 3 milhões de toneladas de trigo considerado adequado pelas panificadoras. Por conta dessa queda na qualidade, boa parte do cereal que está saindo do campo não se enquadra no padrão que o governo federal se dispunha a comprar inicialmente.

Sem poder participar dos programas de preço mínimo resta a cadeia produtiva correr atrás do seguro rural.

No Paraná, o secretário da Agricultura, Valter Bianchini, encaminhou ofício ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e ao Banco Central pedindo para acelerar os pedidos de vistoria dos produtores de trigo que fizeram o seguro agrícola do plantio.

Segundo Francisco Carlos Simioni, diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, o seguro agrícola ainda não está sendo acionado porque as seguradoras alegam que a cobertura atinge somente as perdas provocadas pelas chuvas e não pelas doenças. Ele explicou que o ofício assinado pelo secretário Bianchini tem como base uma nota técnica, assinada por 12 pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e da Embrapa, atestando que as doenças que estão prejudicando as lavouras de trigo são decorrentes do excesso de chuvas que estão impedindo ou impediram o agricultor em entrar nas lavouras e fazer o controle químico. “Com as chuvas, muitos agricultores não conseguiram aplicar os fungicidas. E aqueles que conseguiram, os produtos foram perdidos e as doenças atacaram da mesma forma”, salientou.

Mesmo diante das perdas o mercado brasileiro de trigo continua travado. No Paraná, indicações nominais chegam a R$ 470 por tonelada. Produtores que têm trigo de boa qualidade, da safra velha, conseguem negociá-lo por até R$ 490 por tonelada, mas não há interesse comprador. Na Bolsa de Chicago os contratos fecharam ontem cotados a 455,75 centavos de dólar por bushel. (Priscila Machado-DCI)

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