Consumidor pagará a conta de rodízio

As transportadoras já calculam os prejuízos e avisam que os custos, que devem ficar até 15% mais altos, serão repassados aos clientes, que por sua vez, repassarão para o preço final do produto

Azul fará voos fretados para a Argentina
Vendas de caminhões caem 22% em novembro, diz Fenabrave
MPF move ação para apurar irregularidades em obras no aeroporto de Congonhas

O consumidor final deverá pagar, mais uma vez, pelo aumento nos custos de produção e transporte. Desta vez, é a legislação municipal de São Paulo, que impede os caminhões de médio e grande portes de transitar na chamada Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), durante o período das 5h às 21h, o que vai encarecer os fretes por conta de todo o trabalho de gestão de frotas e aquisição de novos equipamentos. As transportadoras já calculam os prejuízos e avisam que os custos, que devem ficar até 15% mais altos, serão repassados aos clientes, que por sua vez, repassarão para o preço final do produto.

A estimativa é de que pelo menos 40% da frota total de caminhões do Brasil, que hoje é de quase 1,9 milhão de veículos, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), passem por São Paulo. A cidade está no caminho entre as regiões Norte e Nordeste com o Sul, interliga as outras regiões e também é o caminho para se chegar ao maior porto de cargas do País, em Santos. Além disso, boa parte das cargas também são recolhidas ou entregues na própria Capital. Somente nas Centrais Gerais de Abastecimento de São Paulo (Ceagesp) circulam diariamente cerca de 12 mil caminhões e 10 mil Veículos Urbanos de Carga (VUCs), com até 6,3 metros de comprimento. A Ceagesp recebe mercadorias de todos os estados e comercializa os produtos em todo o território nacional e também para outros países.

Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Campinas e Região (Sindicamp), Carlos Panzan, que também é diretor da Transportadora Americana (TA), o decreto expandindo a área de restrição – que era de 25 quilômetros quadrados e passou para 100 quilômetros quadrados, agora incluindo as marginais e a Avenida dos Bandeirantes -, vai acarretar mais custos de transportes. Segundo ele, no lugar de um caminhão, a empresa terá que usar cinco vans para o mesmo volume de produtos, o que não resolverá o problema do trânsito em São Paulo. “Isso deverá gerar ainda mais congestionamentos no centro expandido”, analisa. Panzan acredita ser mais inteligente um projeto que inclua a obrigatoriedade no comércio e na indústria de fazer a carga e descarga a noite ou de madrugada. Isso, conforme o empresário, ampliaria a eficiência nas transportadoras, que teriam que contratar mais gente para fazer entregas durante o dia e à noite. Os caminhões também poderiam ser usados nos dois períodos. “Mas isso já esbarra em outro problema, que é a lei do silêncio. Ou indo mais longe, aumentaria os custos de mão-de-obra também destas empresas. Ninguém quer custos adicionais. Por que nós temos que ter?”, questiona.

Outro caminho apontado por Panzan seria adotar medidas para melhorar a infra-estrutura do transporte coletivo, o que reduziria o número de veículos de passeio circulando na cidade. Segundo ele, esses carros representam 95% do total de veículos que passam pelos 15 mil quilômetros de vias asfaltadas da Capital diariamente. O empresário lembra que hoje os caminhões são vistos como os vilões do congestionamento, mas na verdade não há outra alternativa para o transporte no Brasil. “O ideal seria ampliar o transporte ferroviário. Porém isso não acontece. E são os caminhões que atendem a demanda de consumo em todo o País.”

Outra alternativa que tiraria os caminhões da Capital paulista, deixando apenas os que precisam carregar e descarregar dentro da cidade, segundo lembra Panzan, é a conclusão do Rodoanel. Hoje esse sistema atende apenas quem precisa passar no percurso que atinge as rodovias Anhangüera, Bandeirantes, Castelo Branco e Régis Bittencourt. “A previsão é de que a obra que expande até a Rodovia dos Imigrantes fique pronta no próximo ano. Mas ainda ficará faltando a ligação da Imigrantes com a Presidente Dutra e esta, com a Bandeirantes, que nem sabemos para quando está prevista.”

Somente na Transportadora Americana, que possui uma frota de 470 caminhões próprios e mais 700 terceirizados, Panzan diz que fez um cálculo ainda superficial de que terá um aumento de 12,8% nos custos. Mas imagina que outras empresas, que circulem mais dentro de São Paulo com carga e descarga, o percentual de custos deve aumentar ainda mais.

COMMENTS