Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo

Atualmente a produção brasileira está voltada para frutas tropicais, subtropicais e temperadas, graças a sua extensão territorial, posição geográfica, solo e condições climáticas

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O Brasil é um dos três maiores produtores de frutas do mundo. Sua produção superou 43 milhões de toneladas em 2008, o que representa 5% da produção mundial. Com esse saldo, o País fica atrás apenas da China e da Índia. Cerca de 53% da produção brasileira é destinada ao mercado de frutas processadas e 47% ao mercado de frutas frescas. Existe hoje um mercado externo potencial acessível à fruticultura brasileira de 28,3 milhões de toneladas. Esse é o panorama da exportação brasileira segundo o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf).

Atualmente a produção brasileira está voltada para frutas tropicais, subtropicais e temperadas, graças a sua extensão territorial, posição geográfica, solo e condições climáticas. São 500 variedades de plantas produtoras de frutas comestíveis e 220 espécies de frutíferas nativas somente na Amazônia. O setor emprega 5,6 milhões de pessoas, o que equivale a 27% da mão-de-obra agrícola. Gera oportunidades de dois a cinco postos de trabalho na cadeia produtiva por hectare cultivado e está fundamentado em pequenas e médias propriedades.

Esses e outros dados relacionados à fruticultura brasileira foram apresentados pelo presidente do Ibraf, Moacyr Saraiva Fernandes, durante o I Fórum Internacional da Fruticultura. O evento integra a edição 2009 da Feira Internacional da Fruticultura Tropical Irrigada, a Expofruit, realizada até esta sexta-feira (5) em Mossoró, Rio Grande do Norte. Durante o encontro, Moacyr chamou a atenção para a importância de o setor criar um sistema exportador brasileiro. “Hoje, os pequenos produtores trabalham de forma individualizada e sem controle de oferta, o que dificulta a sobrevivência do negócio. O ideal é a união de toda a cadeia produtiva para discutir de forma conjunta soluções para o setor”, aconselha.

Entre as principais frutas exportadas pelo Brasil em 2008, a uva ocupa o primeiro lugar, com 172 mil toneladas, seguido do melão, com 153 mil toneladas, mangas, com 119 mil toneladas e a maçã, alcançando 80 mil toneladas. Esses números são favoráveis ao mercado brasileiro quando comparados aos números da exportação mundial. Nessa última análise, o melão é o produto mais demandado nas exportações mundiais, com 212 mil toneladas, seguidos da manga e da banana, com 134 mil e 131 mil toneladas, respectivamente.

Moacyr também ressaltou novos nichos de mercado que estão se apresentando no Brasil, como a chamada Agroindustrialização. De 2005 para cá, tem ocorrido um contínuo crescimento da produção das bebidas prontas para o consumo, incluindo sucos, néctares, drinques, blends de soja e água de coco, passando de 333 mil litros para 477 mil litros. Se cresce o consumo de bebidas prontas, a venda de frutas aumenta automaticamente. “Não se pode ser um monoprodutor, é preciso diversificar”, disse.

Durante sua apresentação, Moacyr também mostrou as barreiras que dificultam a expansão competitiva da fruticultura brasileira, como o baixo consumo de frutas comercializadas no Brasil, baixa capacitação dos pequenos produtores, normas e exigências diferentes, e barreiras fitossanitárias.

Crise financeira e a fruticultura brasileira

Segundo Moacyr, a crise financeira poderá ter um efeito menor na fruticultura do que em outros setores da economia e do próprio agronegócio brasileiro. “Considerando o crescimento do PIB do Brasil entre 1% e 2% em 2009 poderemos ter uma manutenção do consumo de frutas e derivados básicos”, afirma. A queda de renda nos Estados Unidos e, principalmente, na Europa poderá provocar um recuo de demanda e de preços, mas poderia haver uma compensação para o exportador brasileiro se o dólar permanecesse valorizado, o que não está acontecendo.

Moacyr acredita que se o setor realmente tiver em suas mãos créditos imediatos e compatíveis com a peculiaridade da fruticultura, poderá estar preparado para enfrentar 2009 e obter uma rentabilidade média positiva, ainda que inferior à dos últimos anos.

“A presente crise financeira mundial, que vem reduzindo a oferta de crédito no exterior e no próprio Brasil, é um indicador indiscutível de que se deve alterar o modelo atual de financiamento público do agronegócio e em decorrência, do agronegócio das frutas”, avalia.

Por outro lado, os agronegócios frutícolas deverão estar atentos a certos aspectos, como a possibilidade de produção crescente e preços nominais em queda; adotarem uma gestão de visão de médio prazo, de dois a quatro anos á frente, para decidir com mais segurança; e as empresas deverão estar prontas para dar uma resposta rápida a qualquer desafio que provenha dos setores de produção, mercado, comercialização, força de vendas e condições da concorrência; a inserção de gestão eficaz e aperfeiçoamento tecnológico serão fundamentais, pois são os fatores que levarão a diminuição de custos de produção, levando à redução dos preços.

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