Transportadores questionam investimentos em infraestrutura

Governo só gastou 15,5% do valor destinado a manter e recuperar rodovias federais

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A notícia de que o governo gastou apenas 15,5% dos R$ 3,3 bilhões destinados a manter e recuperar as pistas federais em 2008 não surpreendeu os transportadores, que já denunciavam a falta de investimentos em infraestrutura na malha rodoviária. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Paraná (Setcepar), Fernando Klein Nunes, o que espantou foi o total descaso com a situação das rodovias. “Investir o mínimo apenas do que era previsto chega a ser uma vergonha. Esta nossa burocracia estatal, que tantos males causa ao desenvolvimento de nosso país, é uma triste realidade”, destaca.

Nunes comenta que, mesmo com a chegada das férias de verão, os governantes não se preocuparam em acelerar algumas obras e, desta forma, quem precisou trafegar pelas rodovias encontrou milhares de quilômetros esburacados às vésperas das festas de fim de ano. “Com certeza isto contribuiu para as 435 mortes contabilizadas pela Polícia Rodoviária Federal na virada de ano. Até quando seremos obrigados a conviver com estas estatísticas sem nenhuma atitude eficaz de nossos representantes que não percebem, ou não querem perceber que, sem investimentos nesta área, os cidadãos continuarão colocando vidas em risco toda vez que forem viajar?”, questiona.

O percentual gasto em 2008 foi pior do que o registrado em 2006 e 2007, quando a execução dos recursos destinados à melhoria das rodovias ficou em 43% e 44%, respectivamente. O próprio Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) classifica de “mal crônico” a falta de projetos e planejamento no histórico de baixo rendimento para gastar o dinheiro disponível no Orçamento. “Esperamos que em 2009 esta realidade seja diferente. Nossa sociedade não pode mais permitir este tipo de situação. Queremos mais ação, porque o que se percebe com a divulgação destes tristes números é que não há falta de recursos, mas sim de agilidade na liberação e utilização dos mesmos”, finaliza.

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