Queda no volume de carga afeta companhias de navegação

A Orient Overseas de Hong Kong, controladora da companhia de navegação OOCL, anunciou prejuízo de US$ 232 milhões no primeiro semestre, enquanto a Hanjin Shippind da Coreia do Sul teve perda de US$ 516 milhões

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A semana passada foi terrível para duas das maiores companhias de navegação da Ásia, em razão dos efeitos que a crise sobre o setor de transporte marítimo de carga. As duas anunciaram grandes prejuízos e uma delas alertou que as perspectivas para o ano que vem continuam “desafiadoras”.

A Orient Overseas de Hong Kong, controladora da companhia de navegação OOCL, anunciou prejuízo de US$ 232 milhões no primeiro semestre, enquanto a Hanjin Shippind da Coreia do Sul teve perda de US$ 516 milhões.

As divisões de contêineres das duas companhias sofreram com a mesma combinação de queda nos volumes transportados e queda nos preços por contêiner embarcado. O transporte de contêineres pela OOCL caiu 17,2% comparado ao primeiro semestre de 2008, enquanto a receita encolheu 37,2%, para US$ 2,05 bilhões. A OOCL divulgou um prejuízo operacional de US$ 197 milhões para o semestre, contra um lucro de US$ 216 milhões no mesmo período do ano passado. A divisão de contêineres da Hanjin registrou uma queda de 20% nos volumes transportados, enquanto as receitas caíram 38,6% para US$ 2 bilhões. A divisão teve prejuízo operacional de US$ 342 milhões contra lucro operacional de US$ 59 milhões no primeiro semestre de 2008.

Os números consolidados da OOCL foram afetados ainda mais por uma perda operacional de US$ 5,11 milhões na divisão de imóveis e uma baixa contábil de US$ 15 milhões no valor de seu escritório de incorporações no Wall Street Plaza de Nova York. A Hanjin teve uma perda operacional de US$ 57 milhões em sua divisão de cargas secas – que transporta minério de ferro, carvão mineral e outras commodities secas -, sobre uma receita que caiu 45%, para US$ 566 milhões.

A Hanjin informou à Bloomberg que a recuperação deverá levar algum tempo. C.C. Tung, o presidente do conselho de administração da OOCL, disse que as perspectivas para 2009 e 2010 continuam “desafiadoras”. “Embora haja sinais de que o pior da recessão pode ter ficado para trás, a recuperação da economia mundial deverá ser fraca.”

As linhas de transporte de contêineres estão sofrendo com a queda na demanda por bens de consumo, que são as principais cargas transportadas por elas, aliado a um problema crescente de excesso de capacidade, uma vez que navios encomendados durante o boom do setor, no começo da década, começam e ser entregues.

Na semana passada a Zim, de Israel, anunciou um plano de reestruturação para evitar a insolvência e disse que vai queimar US$ 1 bilhão de seu caixa até 2013. Na semana retrasada, a Hapag-Lloyd, da Alemanha, foi forçada a vender uma participação de um terminal de contêineres para seus acionistas, para evitar um colapso.

Sob Tung, presidente do conselho de administração e filho do fundador da companhia, a OOCL ganhou uma reputação especialmente forte pela excelente administração e tecnologia da informação, uma área problemática para muitas companhias de navegação.

O prejuízo consolidado do grupo compara-se a um lucro líquido de US$ 158 milhões no primeiro semestre de 2008. A receita consolidada caiu 35,5%, para US$ 2,07 bilhões. “A deterioração do desempenho no transporte de contêineres e das operações de logística foi resultado de uma queda dramática das receitas, já que os volumes de negócios sofreram em todas as linhas de comércio”, disse Tung.

Os prejuízos da Hanjin comparam-se ao lucro de US$ 254 milhões no primeiro semestre de 2008. A receita caiu 40%, para US$ 2,56 bilhões. Recentemente, a Hanjin reforçou seu balanço vendendo navios para uma agência do governo coreano, criada para ajudar as companhias de navegação. Ela opera a décima maior frota de navios de contêineres do mundo, enquanto a OOCL possui a 12º maior frota.

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