Logística e matéria-prima de Maracaju atraem indústrias

Em Maracaju, referência no setor de agronegócios como maior produtor de grãos do Estado, as terras destinadas até então à criação de gado vêm cedendo espaço para o plantio de cana-de-açúcar

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A pacata cidade de Maracaju, situada a 157 quilômetros de Campo Grande e com uma população estimada em 30 mil habitantes, em apenas dois anos, vem recebendo investimentos milionários, mudando substancialmente seu perfil econômico. Progresso tão rápido, nem o farmacêutico João Pedro Fernandes, que transferiu seu estabelecimento na região em 1923, fugido de um surto de malária em Nioaque, chegou a testemunhar.

Em Maracaju, referência no setor de agronegócios como maior produtor de grãos do Estado, as terras destinadas até então à criação de gado vêm cedendo espaço para o plantio de cana-de-açúcar. Até 2004, a média de área colhida deste produto era de 9 mil hectares. Já em 2005, a área chegou a 13,5 mil hectares, representando um aumento de mais de 30%, ou seja, um terço a mais que as produções dos anos anteriores, resultando na colheita de 1,4 milhão de toneladas.

Assim que assumiu a administração do Estado, o governador André Puccinelli, apostando no crescimento econômico do Estado por meio do setor de agronegócios e na instalação de novas indústrias, iniciou uma série de contatos com grupos empresariais do Brasil e de outros países, para atrair novos investimentos em Mato Grosso do Sul.

Com visão futurista voltada ao crescimento do consumo internacional do biocombustível, o governador priorizou investimentos nessa área visando transformar o Estado em referência nacional na produção de etanol. Relatório da Agência Internacional de Energia, divulgado este ano, prevê que os biocombustíveis vão ter contribuição significativa no setor de energia para transporte terreste até 2020, estimando um crescimento na produção anual girando em torno de 9%.

O município de Maracaju, apontado como a quinta melhor economia de Mato Grosso do Sul, foi uma das regiões escolhidas pelo governador para a solidificação deste projeto, o qual terá papel decisivo para que o Estado se transforme num dos maiores produtores do Brasil. Além de ser referência na produção de grãos, o município passou a ser uma das principais bases do Estado, deixando de ser um simples fornecedor de matéria-prima de produtos primários, transformando-se num dos principais fornecedores de etanol.

Com o anúncio da Ferroeste, que ligará Maracaju até o Porto de Paranaguá (PR), os grandes empresários estão apostando ainda mais na região, devido a facilidade de escoamento para atender o mercado internacional. A soma da logística com as terras férteis do município, está transformando a região numa espécie de “mina de ouro”.

Além da ferrovia, no início do ano passado, o governador André Puccinelli autorizou investimentos no município para melhorar a malha viária. Entre os projetos que estão sendo realizados destaca-se a construção do anel viário, para desviar o trânsito pesado da área urbana e construir uma rodovia com padrões europeus, ligando Maracaju até o Distrito de Vista Alegre (ver boxe). O que para os moradores era uma promessa que se transformou em novela, tornou-se numa história real com começo, meio e fim, que será contada por todos a partir do segundo semestre deste ano.

O Distrito de Vista Alegre, onde viviam até o início do ano passado pouco mais de 3 mil moradores, é epicentro deste cenário, onde estão sendo instaladas as principais indústrias da cidade. Dez anos antes, a população da região era três vezes menos. Este ano, a prefeitura já trabalha com uma estimativa de que os novos empreendimentos façam com que a região passe a contar com cerca de 5 mil moradores.

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