Superávit da balança comercial pode despencar 31% neste ano

Diante desse cenário, o superávit comercial deve cair para US$ 17,120 bilhões, ou seja, ficar 30,8% abaixo dos US$ 24,735 bilhões apurados em 2008

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Depois de apresentar crescimento nas exportações por onze anos consecutivos, o Brasil deve registrar neste ano queda de US$ 34,8 bilhões na receita das vendas externas na comparação com 2008. Essa é a projeção oficial da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), divulgada ontem, que traça o cenário da balança comercial para 2009.

As importações também devem se retrair, depois de um período de crescimento que perdura desde 2002, quando foram beneficiadas pelo câmbio. A expectativa é de um recuo de US$ 27,177 bilhões.

Diante desse cenário, o superávit comercial deve cair para US$ 17,120 bilhões, ou seja, ficar 30,8% abaixo dos US$ 24,735 bilhões apurados em 2008, conforme estimativa da associação.

A instituição atribui o resultado aos reflexos da crise financeira mundial que, além de elevar o dólar ante ao real, deprimiu os preços das commodities e derrubou a demanda mundial por produtos básicos e industrializados.

Os embarques, que atingiram US$ 197,942 bilhões no ano passado, devem cair 17,6%, para US$ 163,150 bilhões este ano. Já as importações devem totalizar US$ 146,0 bilhões. Isso representa queda de 24,4% ou US$ 27,177 bilhões se comparados aos valores obtidos no ano passado, de US$ 173,207 bilhões.

A estimativa da AEB é de que a corrente de comércio cairá 16,7% neste ano, dos US$ 371 bilhões do ano passado para US$ 309 bilhões. Este recuo deve diminuir a participação do comércio exterior no Produto Interno Bruto (PIB) de 29,5% para 24,8%.

Apesar do arrefecimento da balança comercial neste ano, o vice-presidente da instituição, José Augusto de Castro, disse que a alta do dólar deve evitar um rombo maior das exportações. Isso porque o câmbio deve ajudar a reduzir as compras internacionais. Em setembro do ano passado, o vice-presidente da AEB chegou até a estimar déficit comercial para 2009, em razão do ritmo mais acentuado de alta das importações em relação às vendas externas. A crise mundial mudou esse cenário, freando as importações, por conta da disparada do dólar. A AEB poderá revisar os números se houver alteração do cenário econômico mundial.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou que não comenta as previsões do mercado. Porém, na última sexta-feira o secretário de comércio exterior, Welber Barral, adiantou que 2009 será “um ano difícil” para o comércio exterior e não descartou a possibilidade de queda das exportações. A despeito disso, assegurou que o volume exportado apurado entre 2007 e 2008 (461,6 milhões e 468,9 milhões de toneladas, respectivamente) será mantido. Cobrou, porém, novas desonerações de tributos e redução de custos logísticos ao governo para os exportadores.

Refletindo a queda generalizada das cotações, a AEB prevê retração de 21,7% nas vendas externas dos produtos básicos neste ano. Segundo a entidade, as exportações ficarão em US$ 57,140 bilhões.

A contribuição das exportações de minério de ferro deve cair quase 10%. Os embarques da commodity, feitos sobretudo pela Companhia Vale do Rio Doce (Vale), devem atingir US$ 14,9 bilhões, ante US$ 16,5 bilhões no ano passado. Ainda assim, a AEB acredita que as commodities serão maioria nas exportações deste ano.

Os embarques dos produtos industrializados devem cair em menor ritmo, beneficiados pela alta do dólar, que deve melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. A previsão é de queda de 14,8%, para US$ 102 bilhões. Os produtos manufaturados, que representam boa parte da cesta dos industrializados, devem cair 12,9%, para US$ 80,7 bilhões. Os semimanufaturados tendem a declinar 21,3%, para US$ 21,3 bilhões.

Do lado das importações, é prevista retração na compra de bens de capital. Essas importações devem declinar 13,8%, para US$ 30,9 bilhões. Outra trégua será dada nas compras de bens de consumo, que nos últimos anos ganharam impulso pelo dólar mais baixo. Os gastos podem diminuir 16%, para US$ 18,9 bilhões.

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