Capitalizada, EBX resiste à crise

A LLX, braço de logística do grupo, terá no próximo mês aumento de capital para dar conta dos investimentos necessários ao porto do Açu

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A crise financeira pode ter derrubado as ações das empresas de Eike Batista, mas não abateu os ambiciosos planos do grupo. A LLX, braço de logística do grupo, terá no próximo mês aumento de capital para dar conta dos investimentos necessários ao porto do Açu. A companhia de petróleo OGX, que brilhou na estréia da bolsa, vai pular etapas de exploração e já conversa com fornecedores de plataformas para preparar a produção na bacia de Campos.

“Não estamos precisando de financiamento. Nosso grupo está megacapitalizado”, afirmou Eike Batista, ao fazer um balanço sobre a situação de suas empresas. As subsidiárias da EBX, segundo ele, captaram US$ 7,2 bilhões de dezembro de 2007 a meados deste ano.

A MPX, empresa de energia, acaba de adquirir licença para a construção de mais uma térmica. Na companhia de mineração, responsável pelas minas de minério de ferro em Corumbá, as coisas também vão bem, segundo ele. “Na MMX estamos com recursos para a gente fazer o que quer”, acrescentou.

Mesmo com o rápido andamento dos projetos, as empresas de Batista não escaparam dos efeitos da crise norte-americana. As ações da OGX despencaram de R$ 1.131 na estréia na Bovespa em junho para R$ 387 anteontem. Os papéis da MMX e LLX acompanharam as perdas da ordem de 65% da petroleira. Cada papel da mineradora custava R$ 8,9 na terça -um terço dos R$ 24,6 registrados em junho. A queda nas ações da MPX foi maior: um recuo de 75% em quase quatro meses. Valiam R$ 240 na terça-feira.

Para Eike, o mundo perdeu o juízo na hora de precificar o valor dos papéis. “O mundo perdeu a referência de valores. Não tem mais referência. As pessoas estão vendendo o que tem liquidez e o que pode ser vendido, sem critérios. Essa é que é a verdade. É um negócio tão doido, sobe, desce …”,desabafou o empresário na noite de terça-feira – um dia após o Congresso norte-americano vetar o pacote de US$ 700 bilhões aos bancos mergulhados na crise.

Batista não tenta minimizar a crise, pelo contrário. E culpa a ganância dos agentes do setor financeiro pelas perdas monstruosas nas bolsas de todo o mundo. “Estamos passando uma fase única no mundo, gravíssima, de excessos causados por ganâncias que resultaram em alavancagens nada saudáveis.” O nível elevado de alavancagem dos bancos norte-americanos expôs, segundo ele, a necessidade de alguém assumir o ”lixo tóxico”.

O Brasil, na opinião do empresário, será o primeiro país a se recuperar dos males do sistema financeiro. A robustez da economia, os recursos naturais em abundância e a boa saúde dos bancos devem livrar o País da crise e torná-lo, segundo ele, referência de investimentos. “Acho que o Brasil vai ter a menor redução de todos os outros países e vai passar a ser uma ilha de destino de investimentos em várias áreas.”

O executivo prevê retomada no preço das commodities no segundo trimestre do próximo ano. “Com a dramática queda da inflação você vai ver os chineses pisarem no acelerador de novo. Se computar o segundo trimestre de 2009, acho que a China vai voltar a mostrar crescimento na faixa de 10%.”

“Os bancos brasileiros estão captando dinheiro de investidores estrangeiros porque estes descobriram que os bancos brasileiros estão altamente saudáveis. Depósitos maciços em bancos brasileiros, em todos os grandes”, arriscou.

As empresas brasileiras, para Batista, estão protegidas pela sua própria geração de caixa. “O importante dos grupos é você ter caixa suficiente para cumprir seus programas, sem depender da necessidade de ir para o mercado de capitais. Mas a criação de valor numa empresa listada em bolsa nunca é negócio de seis meses ou um ano. Quem investe em bolsa tem de ter um horizonte de no mínimo três a cinco anos.”

Batista rebateu também quem chamou seus ativos de ”empresas de papel”. “Olha aqui, muita gente chamou a MMX de empresa de papel, só que essa ‘empresa de papel’ foi vendida por US$ 7,2 bilhões (dois sistemas de produção para a Anglo American). O que você me diz?”, indagou o empresário.

As reservas minerais nas mãos da EBX são o trunfo de Batista na hora de argumentar que a queda na bolsa – e as más línguas – vão cessar. “O que uma empresa de recursos naturais tem? As reservas no chão. Só que eu tenho de quantificá-las em detalhe e gerar quanto vai me custar tirar aquilo. Isso é que é importante. Mas essencialmente você tem um valor enorme”, declarou.

Caso de polícia

Além dos críticos das “empresas de papel”, Batista enfrentou nos últimos meses suspeitas de corrupção. Uma operação da Polícia Federal batizada de Toque de Midas investigou supostas irregularidades na concessão da estrada de ferro da MMX no Amapá. Agentes da PF revistaram a sede da empresa e a casa do empresário, no Rio. Suspeitas de vazamento da operação teria levado ainda à demissão do segundo homem mais importante da PF.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 1)(Sabrina Lorenzi)

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