Randon propõe jornada e salário menores para 6 mil funcionários

A medida vale para todos os níveis hierárquicos das empresas e de acordo com o vice-presidente da holding Randon S.A., Alexandre Randon, a possibilidade de consulta está prevista em cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho

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Cerca de seis mil funcionários das unidades da Randon Implementos, Master, Jost, Suspensys e Randon Veículos – todos de Caxias do Sul – votam, amanhã, proposta da direção para redução da jornada de trabalho e salário. A intenção é adequar a mão-de-obra ao volume de pedidos em carteira atualmente. Para isso, a empresa propõe diminuir cinco dias de trabalho por mês nos meses de fevereiro, março e abril, bem como o de bancar o pagamento de 50% destes dias parados – o que na prática deverá corresponder a uma perda de cerca de 10% do salário no final de cada mês.

A medida vale para todos os níveis hierárquicos das empresas e de acordo com o vice-presidente da holding Randon S.A., Alexandre Randon, a possibilidade de consulta está prevista em cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho. “Se o mercado reagir positivamente podemos antecipar bem antes este acordo”, torce o empresário gaúcho. O grupo tem hoje 9,4 mil empregados. Estão fora da votação os funcionários da Fras-le, de Caxias do Sul, e das unidades de São Paulo e da Argentina.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Caxias do Sul, Assis Melo, é contra a proposta e deixou isto bem claro para a diretoria da Randon semana passada. “Reduzir salário não é garantia para a solução do problema, mesmo porque a empresa não garante estabilidade. Por isso, nós sugerimos criar um banco de horas paradas e usá–las quando retomar as atividades normalmente”, informa Melo.

Considerando o porte, Randon e Marcopolo, conforme o dirigente são as duas principais empresas de Caxias do Sul que enfrentam maiores dificuldades para adequação da mão-de-obra. A partir de hoje, 1,9 mil empregados da unidade Ana Rech, da Marcopolo, em Caxias do Sul, iniciam período de férias coletivas com duração de 20 dias. Outros exemplos de empresas de porte, como Guerra e Agrale, não falam em redução de jornada e de salários.

O vice-presidente da Randon informa que entre 2005 e 2008, o grupo abriu 2,5 mil novos postos de trabalho e que de lá para cá as demissões ficaram sempre dentro do fluxo normal. “Não por demissão, simplesmente, mas por interesse de pessoas em trocar de emprego e trabalhadores que se aposentaram”, diz o empresário gaúcho. A ociosidade média atualmente nas empresas é superior a 20%.

“Em algumas linhas da Randon Implementos a ociosidade oscila entre 10% e 50%”, informa Alexandre. O cenário para 2009, analisado pela direção, conta o empresário, indica um primeiro trimestre fraco, com recuperação a partir do segundo trimestre. “É preciso muita cautela para dimensionar os efeitos da crise, mas o que estamos imaginando para 2009 é uma posição próxima da de 2007”, revela.

A saber: em 2007, o grupo obteve receita bruta consolidada de R$ 3,6 bilhões (alta de 24,4% sobre 2006) e receita líquida de R$ 2,5 bilhões (aumento de 25% sobre 2006). Em 2007, foram produzidas 20,3 mil reboques e semi-reboques, com aumento de 33,4% em relação ao ano anterior.

Os números relativos ao desempenho de 2008 não estão fechados, mas se as projeções do mercado estiverem corretas, o grupo deverá encerrar 2008 com taxa de crescimento ao redor de 20% em relação a 2007, ou seja, a receita bruta ficará próxima de R$ 4,3 bilhões e receita líquida consolidada de R$ 3 bilhões.

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