Entrega expressa mira as pequenas empresas

As estratégias que devem impulsionar os negócios dessas companhias no ano que vem vão desde programas para o fomento de exportações, até a aplicação de descontos e formas de pagamento mais flexíveis, uma saída para incrementar as receitas em tempos de turbulência da econômica mundial

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Duas das maiores empresas de entregas expressas do mundo, a norte-americana FedEx Express e a alemã, DHL Express, do grupo Deutsch Post, aceleram as ações para fortalecer sua base de clientes de pequenas e médias empresas no Brasil. As estratégias que devem impulsionar os negócios dessas companhias no ano que vem vão desde programas para o fomento de exportações, até a aplicação de descontos e formas de pagamento mais flexíveis, uma saída para incrementar as receitas em tempos de turbulência da econômica mundial.

“Verificamos caso a caso e damos descontos de acordo com a faixa de cada de contrato”, comentou Carlos Ienne, diretor executivo de operações para o Brasil e o Cone Sul da FedEx, que garantiu que o País é um dos importantes focos estratégicos da matriz nos próximos anos. Cerca de 80% da base de clientes FedEx é composta por pequenas e médias no Brasil. Por isso, ela mantém um programa denominado “FedEx PyMEx Membership”, que só no território nacional tem mais de duas mil participantes, sendo 2,7 mil em toda a América Latina.

Para as corporações-membros do FedEx PyMEx, as possibilidades de tarifas atrativas são maiores, conforme informações de Jane Nunes, gerente de Vendas para América do Sul da FedEX. “Parte do programa é uma tarifa que oferecemos com descontos entre 25% e 40%, só para os associados, independentemente de ser uma amostra ou um pacote de 100 quilos”, contou ao DCI.

A gerente disse que entre os principais setores atendidos pelo programa estão o têxtil, de eletroeletrônicos, bebidas, químicos e automotivo. Ela observou que as empresas menores iniciam enviando seus produtos pelos países vizinhos como Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia e Venezuela, para depois de um certo tempo, mandá-los para Europa e Estados Unidos.

Além das facilidades econômicas, o programa oferece uma gama de seminários, em diversos estados, onde um instrutor da Fundação Getulio Vargas (FGV), apóia a orientação teórica e práticas sobre logística e comércio global, além de um portal que oferece informações sobre as regulamentações em mais de 200 países, sobre os requisitos de importação e exportação em cada um deles. No Brasil, a FedEx atua com mais de 150 veículos e cinco vôos semanais, que mesmo com o atual abalo financeiro mundial continuam com taxas de ocupação na casa dos 80%. A companhia também mantém parceiras como Expresso Araçatuba e Rapidão Cometa.

Lojas – Já a concorrente DHL Express tem um projeto de expansão de até 100 franquias no próximo ano, que segundo Joakin Thrane, presidente da empresa no Brasil, pode ser uma boa ponte com estes clientes. “As lojas constituem mais uma forma de agilizar o atendimento voltado às pequenas e médias empresas, onde elas podem utilizar facilidades como o pagamento via cartão de crédito”, explicou.

A empresa adotou ainda estratégias como o congelamento do dólar a R$ 1,80, no fechamento de contratos, para garantir o avanço desejado de 10% para o mercado brasileiro, ao final deste ano. Apesar dos tempos difíceis, o presidente da DHL crê que sejam factíveis as metas de avanço da empresa. Outra ação para fidelizar essa clientela é o portal de Internet que a DHL acaba de lançar: o “DHL Mundo PME”, destinado a fornecer informações de recursos para que as pequenas e médias possam expandir negócios globais. A empresa chegou ao projeto por meio e uma pesquisa realizada pela Red Global de Exportación (RGX).

“O desenvolvimento do projeto contou com a experiência internacional da DHL”, afirmou Juliana Vasconcelos, diretora de Marketing da DHL Express no Brasil. O portal é multilíngüe, concebido para facilitar o processo via Internet, pouco utilizado pelas empresas como ferramenta de divulgação e comércio.

A cobertura atual do portal abrange Brasil, México, Argentina e Canadá, e em janeiro próximo deve atingir Colômbia, Venezuela, Panamá e Costa Rica, para só em abril de 2009 chegar à Guatemala, ao Chile, Equador e Caribe, e ao final do semestre em países como Peru, Bolívia, Uruguai e Paraguai. Este ano a frota da entregadora saltará de 200 veículos para 280 unidades, no Brasil, e deve acompanhar a intenção que a empresa tem de avançar no mercado interno brasileiro.

Neste final de ano, a DHL lançou serviço especializado para o manuseio e a entrega de brindes corporativos para seus mais de 200 destinos. Denominada de “Operação Brindes”, que além da entrega, inclui a conferência e o armazenamento de cada item, com o preparo de embalagens diferenciadas. Os pacotes de serviços são comercializados nas cidades de Curitiba, São Paulo, Santos, Campinas, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, até janeiro próximo.

Crise – Recentemente, tanto DHL como FedEX passaram por processo de demissões nos Estados Unidos. No caso da DHL, foram 9,5 mil trabalhadores, mas a empresa no Brasil garantiu que foi uma reestruturação local que não impactará as filiais de fora, ao lembrar que no País a força de trabalho aumentou em 25% este ano. No caso da FedEx o ajuste eliminou 800 colaboradores, que prestavam serviços exclusivos que, segundo Ienne, não ocorrerá aqui. “Estamos organizando as operações para eliminar custos com horas extras e o pagamento de prestadores de serviços eventuais”, explicou.

Têxtil – Outra empresa internacional de entregas expressas, a UPS, também desenvolve ações e parcerias voltadas às PMEs. Especialmente no setor têxtil, ela tem uma parceria com a Iódice, com manuseio da entrega especial, para destinos nos Estados Unidos e a Europa. A empresa também assessora a Carmim, para agilizar a emissão de encomendas para países como a Espanha. A UPS disse orientar as pequenas e médias. São cerca de 7,6 mil empresas desse porte na carteira, sobre as quais faz a gestão de documentos e a melhor forma de enviar essas remessas para mais de 200 países.

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