Empresa de cruzeiro encomenda mais navios para verão 2009/2010

Às vésperas de ganhar uma nova legislação que deve regulamentar o segmento no Brasil, grandes corporações estrangeiras estão de olho também nos investimentos em terminais de passageiros, a exemplo do que fazem lá fora

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As empresas de cruzeiros marítimos aproveitam o momento de ascensão que o setor vive no País para incrementar os negócios, e revelam ainda, planos de até dobrar as frotas na próxima temporada, que inicia este ano e vai até 2010, como no caso da Costa Cruzeiros. Às vésperas de ganhar uma nova legislação que deve regulamentar o segmento no Brasil, grandes corporações estrangeiras estão de olho também nos investimentos em terminais de passageiros, a exemplo do que fazem lá fora. “Estamos em constantes reuniões com o ministro Pedro Brito (da Secretaria Especial dos Portos (SEP), e haverá alguns planos em andamento”, confirmou Eduardo Vampré do Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar).

Umas das primeiras empresas a embarcar no negócio, seria a MSC Cruzeiros, que estaria em conversação, para conquistar uma área no Porto de Santos, que seria voltada ao atendimento destes turistas. O representante da Abremar, contou ao DCI, que, prova que o segmento avança por aqui é a abertura, pela Royal Caribbean, de um escritório no Brasil e que a CVC Turismo negocia e pode trazer novos navios para o verão 2009/2010.

A tendência de crescimento, mesmo em tempos de crise econômica internacional e oscilação do dólar, é confirmada pelos executivos que representam estas companhias de navegação turística. “Nesta temporada trouxemos três navios, mas na próxima serão seis, inclusive da Ibero”, falou Claudia del Valle, gerente local de Vendas e Marketing da Costa Cruzeiros. Ela explicou que a Ibero é uma empresa do grupo espanhol Costa, que navegará por águas brasileiras, no próximo verão, com roteiros e tarifas atrativas – até 20% mais baratas, voltadas aos jovens

Claudia concordou que a falta de infraestrutura para atender o que chamou de “novo cruzeirista”, ainda consiste em um dos fatores que freia o segmento. “Poderíamos diversificar mais o itinerários. Locais como Maceió (AL) e Florianópolis (SC) necessitam de mais estrutura”, analisou.

Para a gerente, a companhias estão interessadas em novas oportunidades, faltando apenas um comum acordo entre autoridades portuárias e empresas. “Terminais estruturados com banheiros e demais equipamentos, atraem o comércio, como lojas e restaurantes”, falou a executiva. A Costa administra três terminais de passageiros, em cidades europeias como Gênova e Barcelona.

Nesta temporada, a empresa estima que embarcará mais de 90 mil pessoas apenas no Brasil, número que pretende elevar para 240 mil nas próximas férias. Para isso, deve estender a temporada local, além de trazer transatlânticos maiores. A frota mundial é composta por 14 navios.

Outro empresário que demonstra otimismo com o mercado é o diretor de Marketing da Sun & Sea, operadora responsável pela comercialização dos cruzeiros da Royal Caribbean no Brasil, também contabilizou mais opções na próxima temporada. “Este ano foram dois navios, mas no outro verão já são três confirmados”, falou Ricardo Amaral, diretor de Marketing da Sun & Sea. A expectativa é de que a Royal mantenha cinco embarcações turísticas na América do Sul, no verão 2009/2010 – a companhia voltou a operar no Brasil somente no ano retrasado.

Segundo Amaral o avanço do setor deve-se a uma percepção por parte da clientela de que a relação custo-benefício do cruzeiro é melhor, ao oferecer transporte, hospedagem e entretenimento em um só local. No Brasil, a empresa deve embarcar 45 passageiros nesta temporada, com perspectiva de bater a casa dos 80 mil clientes na outra.

O executivo da Sun & Sea analisou que o mercado brasileiro ainda é muito atrativo e que por isso existem companhias interessadas em investir. Para ele, uma boa saída para a situação seriam as parcerias público-privadas (PPPs), que poderiam originar terminais de passageiros em regiões como o Nordeste e o Sul do País, atrativas ao turista. “Os espaços existentes não dão vazão ao fluxo crescente”, finalizou o executivo.

Concorrência

Há ainda duas importantes empresas que disputam mercado brasileiro com as europeias Costa e Royal, a nacional CVC Turismo que traz hoje o maior número de embarcações e a italiana MSC Cruzeiros.

Para esta temporada a CVC Cruzeiros divulgou a comercialização de pacotes para o maior número de navios na costa brasileira. Ao todo, serão seis embarcações turísticas afretadas (alugadas), com a pretensão de aumentar em 30% o volume de passageiros transportados.

A empresa foi a primeira empresa a comercializar o sistema all inclusive (tudo incluído), que flexibiliza o consumo de bebidas e da alimentação a bordo.

Outra empresa que marca presença no País, é a italiana MSC Cruzeiros, que nesta temporada, que vai até o próximo ano, deve transitar pela América do Sul com quatro transatlânticos. No Brasil, a MSC aposta nos cruzeiros temáticos musicais, para atrair maior volume de turistas.

Todas as empresas citadas, afirmaram conseguir na atual temporada, alcançar taxas de ocupação médias acima dos 85% e declararam ter feito saídas com 100% das vagas lotadas nos navios, apesar da turbulência econômica internacional.

“A cotação do dólar subiu, mas o custo do navio recuou com a diminuição do preço do petróleo”, analisou o atual presidente da Abremar.

Após ter sido deflagrada a crise, elas também correram com ações para garantir os negócios neste verão. O que se assistiu foi uma avalanche de promoções e descontos. A Costa Cruzeiros por exemplo, adotou o dólar fixo e descontos de até 15%, enquanto a Sun & Sea, da Royal, seguiu a mesma trilha congelando a moeda norte-americana. Já a CVC estabeleceu cotações diárias da moeda, além do tradicional parcelamento. Atenta a tendência, a MSC Cruzeiros deu descontos de 20% para reservas antecipadas e ofereceu 3ª pessoa grátis.

A Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar) calcula para esta temporada, o embarque de mais de 500 mil turistas até abril, cerca de 25% a mais do que na última, ritmo de crescimento que deseja garantir no próximo verão. Mas para dar prosseguimento ao avanço, terá de contar com a recuperação econômica, e além disso, enfrentar uma nova legislação que deve entrar em vigor para o País.

A ideia da proposta que tramita no Congresso Nacional é instituir regras para as empresas de cruzeiros, de modo que elas tenham as mesmas obrigações que outras corporações do trade turístico – associações ligadas ao setor hoteleiro alegam que a concorrência com os passeios marítimos se transformará em algo desleal, em virtude do mar de promoções e preços atrativos.

A nova lei pode atribuir para os transatlânticos maior carga tributária para que operem por aqui. Também estão na lista de exigências, as obrigações trabalhistas, além do cumprimento de normas ambientais e sanitárias, no mesmo patamar dos hotéis.

A espanhola Costa Cruzeiros trouxe, nesta temporada, três navios para a região sul-americana. Já para a próxima temporada prevê o dobro de embarcações e trará a marca Ibero. (Fabíola Bina-DCI)

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