Volkswagen Caminhões é vendida por US$ 1,6 bi à MAN

Com a conclusão das negociações, o Brasil abrigará a oitava fábrica da MAN. A estratégia da empresa tem sido ampliar a sua participação nos países BRIC

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A Volkswagen Caminhões e Ônibus, com sede em Resende (RJ), foi adquirida por US$ 1,6 bilhão pela alemã MAN. A compra faz parte da estratégia da companhia européia em aumentar a sua participação na América Latina, local em que a empresa ainda é pouco conhecida. A transação, que foi totalmente desvinculada da crise financeira internacional pelos executivos da Volkswagen e da MAN, acontecerá no dia 1º de janeiro e a conclusão do negócio é aguardada ainda para o primeiro trimestre de 2009, o que inclui a aprovação das autoridades antitruste. A marca da VW será mantida e a empresa operará como um braço da MAN, que já produz caminhões e ônibus, além de motores a diesel e turbinas.

“Estamos entrando no mercado brasileiro, uma das regiões que mais cresce e queremos fazer parte desse crescimento o quanto antes. Nossas previsões são a longo prazo e essa foi a melhor maneira de tomar posição dentro desse mercado. É um bom momento para se fechar o negócio”, afirmou ontem o CEO da MAN, Hakan Samuelson, destacando o descolamento da compra com a crise internacional.

Segundo o executivo, as negociações com a Volkswagen se iniciaram há alguns meses, antes da eclosão da crise financeira, no mês de setembro. A compra será realizada com o caixa próprio da empresa. “Temos uma posição financeira muito forte”, salientou Samuelson. A MAN, que é líder no segmento de caminhões e ônibus na Europa Ocidental, possui faturamento anual de US$ 20,5 bilhões. Após a aquisição, esse montante chegará a US$ 23,2 bilhões.

Com a conclusão das negociações, o Brasil abrigará a oitava fábrica da MAN. A estratégia da empresa tem sido ampliar a sua participação nos países BRIC. A companhia já está presente na China e Índia. “Nós estamos seguindo uma evolução natural da empresa. Nós agora fazemos parte de uma empresa em que o core business é caminhões e ônibus”, afirmou o presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Antonio Roberto Cortes. A também alemã Volkswagen possui 29,9% de participação da conterrânea Man.

O anúncio realizado ontem em São Paulo segue os planos de outras multinacionais que vêem no Brasil um mercado consumidor em ascensão na contramão de onde estão instaladas as matrizes das companhias, como Europa e Estados Unidos, mercados já em descendência ou estagnados. A Volkswagen produzirá neste ano em Resende cerca de 54 mil unidades, sendo 45 mil comercializadas no mercado interno. Já a produção nacional de caminhões no acumulado de janeiro a novembro de 2008 foi de 157,9 mil unidades, registrando um crescimento de 26,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

A linha de produtos que serão oferecidos no Brasil será ampliada a partir do próximo ano, mas a possibilidade de se produzir componentes, caminhões e ônibus da MAN na fábrica em Resende ainda estão sendo analisados. “A idéia é trazer os produtos da MAN para complementar os produtos existentes. A rede de distribuição da Volkswagen Caminhões irá distribuir esses produtos no mercado brasileiro”, afirmou Roberto Cortes. No início, a empresa deve expandir o portfólio focada em modelos pesados e extrapesados de caminhões e em ônibus.

Investimentos – Os aportes anunciados pela Volkswagen de US$ 500 milhões para os próximos cinco anos estão, até o momento, mantidos. Os investimentos já anunciados pela empresa seriam utilizados para elevar a capacidade produtiva, e para o lançamento de novos produtos, inserção de novas tecnologias e adequação ao programa de emissão de poluentes.

De acordo com o CEO da MAN, a sinergia da integração das empresas pode chegar US$ 68,3 milhões, em três anos após a fusão.

O complexo fabril de Resende fez parte de um pacote de investimentos de R$ 1 bilhão, que ocorreu entre os anos de 1995 e 2001.

A unidade foi construída em 1997, após a dissolução da Autolatina, como era conhecida a união entre a Volkswagen e a Ford, no Brasil.

Naquela época, a montadora tinha 15% de participação no mercado de caminhões. O auge foi obtido em 2003, quando obteve uma fatia de 32,5%. Já em 2008, ano a empresa mantém uma participação de 31,4%.

Crise – O presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus afirmou que 2009 deverá ser mais difícil para a empresa. O executivo aguarda um mercado que pode oscilar de “5% menor a 5% maior” no período. De acordo com ele, no primeiro semestre do próximo ano a “empresa terá uma nova idéia de quais serão os novos planos e pode analisar a nova realidade”.

“Nós esperamos retomar os mesmos patamares de crescimento já em 2010”, afirmou Roberto Cortes. A diretoria atual da empresa será mantida após a aquisição.

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