Estudo sobre trem-bala começa a ser entregue

Independentemente do resultado do trabalho que está sendo realizado desde o início do ano, empresas de todo o mundo já estão se preparando para entrar na eventual disputa de um contrato que deve superar os US$ 11 bilhões

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O consórcio de consultorias contratado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para realizar os estudos técnicos-econômicos sobre a implantação de um trem de alta velocidade ligando as cidades de São Paulo, Campinas e Rio começa entregar os primeiros trabalhos no próximo mês. As consultorias Halcrow, Sinergia e Balman tem até novembro para concluir o estudo que vai apontar tanto a viabilidade técnica quanto financeira para a construção da ferrovia. Será com base neles que o governo decidirá se vai colocar o projeto em execução e qual a melhor forma de fazê-lo.

Independentemente do resultado do trabalho que está sendo realizado desde o início do ano, empresas de todo o mundo já estão se preparando para entrar na eventual disputa de um contrato que deve superar os US$ 11 bilhões. O consórcio japonês Shinkansen, formado pelos grupos Mitsui, Kawasaki, Toshiba e Mitsubishi, já demonstrou interesse em participar da disputa. Assim como eles, grandes empresas francesas, alemãs e canadenses já deixaram claro que vão entrar na disputa deste que pode ser o primeiro projeto de trem de alta velocidade na América Latina.

Mesmo com o declarado interesse dos maiores grupos ferroviários do mundo, é certo também que o governo brasileiro terá que desembolsar pelo menos 50% dos onerosos custos de implantação da infra-estrutura básica para que a ferrovia entre em operação. Entre outras obras, esse trabalho envolve a construção dos trilhos, os equipamentos de sinalização e as desapropriações que serão necessárias para a construção da linha. “Em nenhum lugar do mundo os trens-bala foram implantados apenas com recursos privados; a participação do poder público é fundamental para que o projeto se realize”, afirma Ignacio Barron, diretor da divisão de trens de alta velocidade da União Internacional Ferroviária (UIC, na sigla em francês), entidade nascida na França na década de 20 e que hoje congrega mais de 200 companhias de todos os continentes, com exceção da América Latina.

Barron está no Brasil para fortalecer o lobby em prol do trem de alta velocidade no país. Desde que chegou, no início desta semana, está visitando empresas privadas, órgãos públicos e membros do governo. Apesar de todos os conhecidos benefícios trazidos por esse meio de transporte que vem tomando o lugar do avião em várias regiões da Europa e da Ásia, ele reconhece que se o Brasil quiser ter um trem-bala ligando suas principais capitais será preciso que o governo abra os cofres.

“O volume de recursos que cabe aos governos não é pequeno”, diz. Até hoje, apenas duas linhas – Paris-Lyon e Tóquio-Osaka – se mostraram viáveis economicamente com recursos exclusivamente privados. “Mas apenas se descobriu isso depois de 20 anos de operação”.

A ADTrem, uma organização criada para fazer lobby a favor do trem de alta velocidade, estima que o governo terá que desembolsar cerca de US$ 8 bilhões apenas na construção da infra-estrutura básica de uma linha ligando o Rio a São Paulo. “O fato de as duas capitais terem uma grande aglomeração urbana nas áreas de chegada dos trens encarece o preço do projeto”, diz Guilherme Quintella, presidente da ADTrem. Pelos cálculos da agência, cada quilômetro no Brasil sairia por cerca de US$ 30 milhões, o dobro da média dos custos de construção europeus. 

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