Restrição ao crédito leva Randon a esticar férias

A empresa que iria conceder descanso aos funcionários de 19 de dezembro a 4 de janeiro, estenderá o intervalo, antecipando para 12 de dezembro e prorrogando o retorno para o dia 12 de janeiro

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A restrição ao crédito continua inibindo as vendas de implementos rodoviários. O diretor executivo da Randon e vice-presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), Noberto Fabris,acredita que até fevereiro o mercado sofrerá com a falta de crédito bancário.

“Haverá um período de redução brusca de produção de hoje até fevereiro, depois acredito que as coisas ficarão mais claras e poderemos avaliar como ficará o mercado”, disse Fabris.

Segundo ele, a falta de perspectivas positivas fez a Randon reavaliar as férias coletivas. A empresa que iria conceder descanso aos funcionários de 19 de dezembro a 4 de janeiro, estenderá o intervalo, antecipando para 12 de dezembro e prorrogando o retorno para o dia 12 de janeiro.

“As montadoras de caminhões também estão revendo as férias coletivas. Todo mundo está procurando zerar os estoques”, afirmou o executivo. A Scania e Ford já anunciaram férias coletivas para o final do ano. Volkswagen Caminhões, Iveco e Mercedes-Benz estão avaliando o mercado.

O setor de implementos começa a sentir a escassez de crédito, provocado principalmente pelo freio que os bancos privados estão impondo aos seus tomadores. “Alguns clientes destas instituições com um nível de endividamento próximo do nível tolerável estão recebendo um sonoro não”, ressaltou o executivo.

O diretor-executivo da Anfir, Mário Rinaldi, disse que a redução dos financiamentos, principalmente de linhas mais atrativas como a Finame, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), impactou muito. “Há muito produto nos pátios das empresas. Esse momento é muito ruim para todos que dependem de crédito para acelerar suas vendas. Não está nada fácil”, disse Rinaldi.

Alguns clientes, na ânsia de ver realizada as suas compras, estão saindo das linhas tradicionais de financiamento, como o Finame, e buscando opções mais caras. Na Randon, líder do mercado nacional, a Finame tem um peso de aproximadamente 60% na realização dos negócios.

“Esperamos ansiosos por medidas que estimulem o crédito. O pacote de ajuda ao setor automotivo anunciado nos últimos dias não nos beneficiará já que primeiro as montadoras resolverão os seus problemas. Temos que nos garantir no mercado comum, com juros bem superiores”, ressaltou Rinaldi.

Mercado em retração

Mesmo com o mercado no último trimestre em retração, 2008 ainda será um ótimo ano para a indústria de implementos rodoviários. A expectativa da Anfir é que sejam produzidas cerca de 60 mil unidades, um recorde histórico. “2008 foi muito bom para o setor. Nos primeiros meses a indústria de caminhões bateu todos os recordes e nós vamos a reboque, por isso, teremos esse número tão expressivo”, disse Rinaldi. Do total previsto de produção para este ano, 52 mil unidades serão destinadas ao mercado interno.

Para 2009, os números são conservadores. A estimativa é de que as vendas cairão para o patamar de 2007, chegando a 47 mil unidades. “Não se trata de algo 100% negativo;, mas de uma acomodação. A venda de equipamentos para o transporte de granéis e de cana continuarão mantendo um ritmo parecido com o de 2008, em função das expectativas da safra de grãos 2008-2009, estimada em 142 milhões de toneladas e novas usinas em operação”, disse Norberto Fabris. (Ana Paula Machado e Guilherme Arruda – Gazeta Mercantil)

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