Mercado antecipa balanços de aéreas e as ações despencam

Segundo a Economatica, o valor de mercado da Gol passou de R$ 8,85 bilhões no início do ano para R$ 1,8 bilhão no último pregão, enquanto a TAM encolheu de R$ 6,42 bilhões para R$ 2,72 bilhões

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As companhias aéreas Gol e TAM divulgam nesta semana o balanço do terceiro trimestre. Analistas e investidores bem que gostariam de ter uma surpresa positiva, mas a possibilidade é remota e as corretoras de valores já recomendam aos clientes manter distância desses papéis. Na sexta-feira, Gol, TAM e Embraer lideraram as maiores desvalorizações do Ibovespa. Fora da carteira do índice, a ordinária da TAM registrou perda de 69%.

Segundo a Economatica, o valor de mercado da Gol passou de R$ 8,85 bilhões no início do ano para R$ 1,8 bilhão no último pregão, enquanto a TAM encolheu de R$ 6,42 bilhões para R$ 2,72 bilhões. Com margens comprimidas pelo preço do petróleo no primeiro semestre, que gera impacto direto no querosene da aviação, essas empresas ainda não se beneficiam da menor volatilidade da commodity nos meses de julho a setembro e se depararam com um novo obstáculo: a desaceleração econômica.

A absorção da Varig e o modelo de negócio têm colocado a Gol numa posição ainda menos favorável. Na quinta, a companhia controlada pela família Constantino divulgou estatísticas preliminares de tráfego referentes ao mês de outubro – indicando que o tráfego doméstico de passageiros diminuiu 14% e a capacidade aumentou 6,1%, no comparativo com o mesmo mês do ano passado. No mercado doméstico, a taxa de ocupação da Gol foi de 57% e no mercado internacional, de 55%.

Além disso, afirmou que a valorização de 20% do dólar frente ao real no trimestre terá um efeito contábil sobre os passivos líquidos da companhia negativo em cerca de R$ 225 milhões. As aéreas ficam expostas ao câmbio também por conta dos contratos de leasing, feitos em dólares. “As preliminares mostram um desempenho doméstico e internacional mais fraco, que deve se confirmar no balanço e a expectativa é de prejuízo para Gol e resultado levemente positivo para TAM”, diz Nicholas Barbarisi, analista da Hera Investments.

Na avaliação da equipe de análise da Planner Corretora, o viés é neutro para TAM e negativo para Gol. Os analistas esperam um arrefecimento nos custos da companhia comandada por Barioni, mas ressaltam que a Gol tem um ponto de equilíbrio (ofertaransporte de passageiros) de 62% – e deve afirmar a taxa de 55,8% anunciada em outubro para o trimestre anterior.

A Planner destaca que a companhia tem contratos de leasing que a obrigam a fazer hedge cambial para reduzir exposição – por isso fica com margens ainda mais apertadas, enquanto a TAM tentava justamente aumentar o percentual de receitas em dólar para 50% (principalmente com rotas internacionais) do total, o que gera ganho com a recente valorização do dólar.

“A Gol já acumulou R$ 290 milhões de prejuízo e deve aumentar essa conta para R$ 380 milhões”, estima Fausto Gouvêia, analista da Alpes Corretora. “Talvez a Varig comece a contribuir com resultados no quarto trimestre e o movimento de final de ano ajude no balanço, mas as companhias têm margens líquidas muito apertadas. A margem da TAM é de 1,66%.”

O movimento é global. A Iata (International Air Transport Association) divulgou que a ocupação média de vôos internacionais caiu de 81% em agosto de 2007 para 79,2% este ano, enquanto o tráfego internacional de carga teve o terceiro mês consecutivo de queda. O cenário afeta também a Embraer, que melhorou margens operacionais, mas teve perdas cambiais.

“É complicado entrar em papéis que têm exposição ao nível de demanda”, diz André Segadilha, estrategista de renda variável da Maxima Asset Managment.

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