Seminário resgata estudos de navegação na região metropolitana de São Paulo e propõe Tietê e Pinheiros para o transporte de cargas

Encontro pretende traçar as perspectivas do uso da navegação no transporte de cargas na metrópole, medidas que já podem ajudar na redução dos congestionamentos urbanos; o transporte de cargas já é possível no Tietê, em 41 quilômetros do seu leito

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A utilização do modal hidroviário, além de trazer benefícios ambientais – com maior eficiência energética e redução dos níveis de poluição atmosférica – também pode contribuir para a redução dos congestionamentos urbanos. Hoje, se a navegação nos rios Pinheiros e Tietê restringe-se à remoção de material dragado de seus leitos, a mesma pode prestar um enorme serviço ao transporte de cargas, aliviando as Marginais e outras vias da RMSP de parte do tráfego pesado. No decorrer dos últimos cem anos, alguns estudiosos estiveram atentos a essas possibilidades, com estudos apontando desde a retificação e melhorias para o rio Tietê, passando pelo projeto de racionalização do sistema de manutenção de profundidade e uso da navegação no Alto Tietê, até a concepção de um hidroanel como soluções para a logística metropolitana.

Para ajudar neste desafio, o Departamento Hidroviário, órgão vinculado à pasta dos Transportes, resgata a história de 100 anos de estudos e projetos de navegação na Capital, com o Seminário “Navegação na Região Metropolitana de São Paulo”, realizado nesta quarta-feira, 22 de outubro, no IPT-USP, em São Paulo, que contou com a participação dos secretários estaduais Mauro Arce (Transportes) e Dilma Seli Pena (Energia e Saneamento); Ubirajara Tanuri Felix, superintendente do Daee; o diretor do Departamento Hidroviário (DH), Frederico Bussinger, o vice-almirante Terenilton Sousa Santos, do Comando do 8º Distrito Naval, e o presidente da Frente Parlamentar das Hidrovias, deputado estadual João Caramez.

Diversos órgãos públicos e privados vêm estudando há décadas o aproveitamento dos corpos d’água da RMSP para navegação. Alguns resultaram em projetos importantes, como a conclusão das obras de Ampliação da Calha do Rio Tietê, para fins de controle de cheias, e o Programa de Obras de Controle da Poluição, em desenvolvimento, que abrem a perspectiva da utilização do trecho metropolitano do Tietê, para o transporte de cargas e passageiros. “A navegação já acontece em 41 quilômetros no leito do rio Tietê entre a Barragem da Penha e Edgar de Souza, em Santana do Parnaíba”, salienta Bussinger. No projeto de Ampliação da Calha foi adotado como premissa o transporte pelo próprio rio.

Mauro Arce explica que muitos dos projetos não são novos, mas ajudarão a definir mudanças importantes. “O desafio é muito grande e não vai ser feito de uma só vez, mas a médio prazo  já será possível navegar – feita a manutenção da calha do Tietê – fazer o transporte de areia, de pedra, de madeira, de materiais da construção civil. Nós temos vários degraus que precisariam ser vencidos. Um dia poderemos ligar a hidrovia do Alto Tietê, Santana do Parnaíba até próximo de Mogi das Cruzes, e o rio Pinheirtos até a Billings, e dela chegar quase ao ABC inteiro – com essa hidrovia que chega quase a Buenos Aires. Esse é um sonho para 20 anos, mas com início entre três e cinco anos”, ressaltou o Secretário.

Hidroanel de São Paulo – proposta de integração similar ao Rodoanel e Ferroanel

A intermodalidade é hoje um dos principais pilares que a área de infra-estrutura busca para tentar racionalizar o transporte de mercadorias, no caso de São Paulo. Nesse sentido, a Secretaria dos Transportes promove a sinergia entre os modais rodoviário, ferroviário, hidroviário e dutoviário, com projetos importantes como o Hidroanel, mais um sistema anelar – a exemplo do Rodoanel e Ferronel – como forma de integrar os modais de infra-estrutura longe do centro da cidade. Esses três anéis irão propiciar a oportunidade de estabelecimento de centros logísticos de concentração e distribuição de cargas. Hoje, 93% das mercadorias do Estado são transportadas por rodovias; o modal ferroviário responde por apenas 5,2% nesse bolo e, as ricas e navegáveis hidrovias do Estado representam cerca de 1%.

Inserir a hidrovia na logística da infra-estrutura o mais rápido possível é, portanto, o objetivo do Governo do Estado. Para Mauro Arce, é preciso equilibrar a utilização dos modais de transporte no Estado. ‘É exatamente essa intermodalidade que precisa ser feita. A utilização da matriz hidroviária diminuiria o índice de 93% de mercadorias transportadas por caminhão. Lá pra frente, em vez de 93%, teríamos o aumento desse índice. A intenção da Secretaria é que, em 2020, estejamos transportando 67% dos nossos produtos por caminhão. E o restante dividido por outros modais”.

Vantagens do Modal Hidroviário da RMSP

A Região Metropolitana de São Paulo é servida por diversos cursos d’água que foram utilizados, em algum momento, como vias de navegação, e, ao longo do tempo, para formação de lagos artificiais. Sendo os mais importantes, os rios Tietê e Pinheiros e as Represas Guarapiranga e Billings.

Os rios Tietê e Pinheiros encontram-se espacialmente integrados em algumas das principais infra-estruturas de transporte existentes, representando espaços públicos, disponíveis para uso com a função de transporte.

A localização da Hidrovia nesta importante região exige a adoção de políticas públicas que venham a promover a sua inserção na matriz regional de transportes, planejando e incentivando as conexões intermodais. Segundo Bussinger, a circulação de carga anual na RMSP supera 900 milhões de toneladas, doze vezes a mais que a movimentação do Porto de Santos. “Se for possível transferir de 20% a 40% para a hidrovia, vamos contribuir muito para a diminuição do congestionamento na cidade de São Paulo”, reforça o diretor do DH.

A incorporação da modalidade hidroviária na Matriz de Transporte na RMSP trará as vantagens de uso de um sistema de transporte de maior eficiência energética (ton/HP), menor consumo de combustíveis (l/tku), menor emissão de gases poluentes (g/tku), e maior capacidade de concentração de cargas -, com menor consumo de espaço por tonelada transportada – impactos altamente positivos para uma região já bastante afetada pela poluição atmosférica e pelos congestionamentos urbanos.

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