Radioamadores clandestinos tentavam desviar rotas de trens em Ourinhos

A Labre está auxiliando a Polícia Federal nas investigações, fazendo a intermediação das informações entre os radioamadores locais e as autoridades policiais

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Brasília – Além de atrapalhar a comunicação entre os trens e a estação de controle na cidade de Ourinhos (SP), os interceptadores identificados pela Operação Linha Cruzada, da Polícia Federal, tentavam desviar a rota dos trens. De acordo com o vice-presidente da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão de São Paulo (Labre-SP), José Armando de Macedo Soares Júnior, os infratores passavam instruções falsas para os maquinistas.

“Essas pessoas são criminosas, não deu para entender qual era a intenção delas”, afirma. Ele explica que as interceptações foram feitas por equipamentos de uso de radioamadores, mas quem os utilizava não pode ser considerado radioamador. “Para ser um radioamador, é preciso atuar apenas dentro da faixa estabelecida pela Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações]. Mesmo tendo autorização, se utilizar a comunicação fora da faixa, é considerado clandestino”, diz.

A Labre está auxiliando a Polícia Federal nas investigações, fazendo a intermediação das informações entre os radioamadores locais e as autoridades policiais. “Existe uma lei do silêncio na cidade, a pessoa que aparece nas gravações exerce grande influência ou temor nos moradores”, diz Júnior. Para ele, ações como essas prejudicam a imagem dos radioamadores junto à sociedade.

Em trechos da gravação da interferência, aos quais a Agência Brasil teve acesso, um homem reclama do apito do trem, que passa próximo à sua casa, e faz ameaças aos operadores. O clandestino não se intimida nem ao ser informado de que as conversas estavam sendo gravadas e seriam analisadas pela Polícia Federal. Durante a conversa, o operador da empresa alerta para o risco de um acidente por causa das interferências.
O delegado responsável pela Operação Linha Cruzada, José Navas, disse que foram identificadas interferências procedentes tanto de equipamentos clandestinos quanto de autorizados. Segundo ele, a maioria dos equipamentos apreendidos era utilizada por radioamadores sem autorização da Anatel para operar. No entanto, também foram recolhidos equipamentos de pessoas com autorização, para verificar se elas também poderiam estar interferindo na comunicação dos trens.

De acordo com Navas, a Polícia Federal de Marília (SP) está ouvindo dezenas de pessoas que podem estar envolvidas na comunicação clandestina. Os equipamentos foram enviados para a perícia e o delegado deve pedir a prorrogação do prazo de 30 dias estabelecido para a conclusão do inquérito.

A operação apreendeu cerca de 20 equipamentos de radioamador que poderiam estar interferindo na operação de deslocamento dos trens e vagões que cruzam a área urbana de Ourinhos. Pelo local, passam diariamente vagões com quase 500 mil litros de álcool combustível e outros 250 mil litros de materiais inflamáveis. (Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil )

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