Ações do setor de transporte estão atraentes

os papéis dessas empresas estão com os preços descontados por conta da saída dos investidores estrangeiros

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São Paulo, 25 de Agosto de 2008 – O forte crescimento da venda de veículos e máquinas agrícolas, impulsionado pela expansão do crédito e pela exportação de commodities agrícolas, deve garantir bons resultados para as fabricantes de autopeças e veículos, que devem se destacar entre as ações small caps, de menor liquidez.

Segundo os analistas, os papéis dessas empresas estão com os preços descontados por conta da saída dos investidores estrangeiros das ações de menor liquidez, mas apresentam perspectiva de alta no médio e longo prazo.

É o caso dos papéis da Randon Implementos e Participações, que atua nos segmentos de implementos rodoviários (reboques/semi-reboques), ferroviários (vagões) e veículos especiais, bem como autopeças e sistemas automotivos e serviços. Segundo um analista da corretora Socopa, a empresa tem se beneficiado do aumento da produção agrícola e das exportações de commodities, e apresentou um crescimento de 22,2% da receita líquida consolidada no primeiro semestre, que atingiu R$ 1,45 bilhão.

A corretora está com recomendação de compra para os papéis com preço-alvo de R$ 23,60, o que representa potencial de alta de 74,8%, ante o fechamento da última sexta-feira em R$ 13,50.

O aumento das vendas no mercado interno, que representaram 88% do faturamento da empresa no segundo trimestre deste ano, deve compensar a queda das exportações para os Estados Unidos e a desvalorização do dólar, aponta a Fator Corretora.

Já a Iochpe-Maxion, que atua na fabricação de rodas e chassis para veículos comerciais e de vagões de carga e fundidos ferroviários, segundo o analista da Socopa, está mais vulnerável ao desaquecimento da economia norte-americana, já que possui uma joint venture com a empresa americana Amsted Industries. A corretora está com recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 49, potencial de ganho de 72,77%, ante o fechamento de sexta-feira. “Os papéis estão bastante atrativos, apresentando um P/L para 2008 (relação do preço sobre o lucro) de 8,54 vezes”, diz. No ano, as ações da acumulam queda de 33,02%, ante baixa de 12,58% do Ibovespa.
A empresa, segundo a análise da Socopa, não deve sofrer grande impacto com a retração no mercado de crédito, já que é favorecida por linhas especiais de financiamento como o Finame.

De acordo com levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os licenciamentos de caminhões e do grupo de ônibus e coletivos cresceram 30,7% e 18,4% de janeiro a julho deste ano comprado com mesmo período do ano passado.

Para o analista de small caps do Unibanco Invest Shop, André Rocha, o impacto da alta dos juros nas vendas de veículos deve ser sentida a partir de 2009.

No caso da Marcopolo, uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus, a internacionalização da empresa, com fábricas próprias em seis países e joint venture na Rússia e na Índia, devem compensar um possível desaquecimento das vendas de ônibus e carrocerias no mercado interno. As operações interna-cionais , segundo Rocha, representaram 38% do faturamento da empresa. “A Marcopolo está presente em maior parte em países emergentes que têm apresentado forte crescimento”, diz.

O Unibanco está com recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$11,90, o que representa potencial de alta de 108,77% ante fechamento da última sexta-feira.

Apesar de estar com recomendação de atraente para as ações da Marcopolo, a análise da Fator Corretora, no entanto, aponta que o resultado da empresa no segundo trimestre de 2008 foi fraco e suas ações devem sofrer no curto prazo. A companhia apresentou uma queda de 12,4% no lucro líquido no segundo trimestre ante o mesmo período de 2007, somando foi de R$ 25,8 milhões.
Já para a Tegma, a alta da taxa de juros pode trazer um impacto maior, já que 80% de sua receita é proveniente do transporte de veículos novos.

Segundo projeções da Anfavea, as vendas de veículos novos devem crescer cerca de 25% neste ano. Porém, segundo analista da BB Investimentos, esse número deve cair para 10% em 2009.
O Unibanco também está com recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 43, alta de mais de 200%. No ano, os papéis acumulam perda de 40,42% até sexta-feira.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 3)(Silvia Rosa)

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