Julio Fontana deixa a MRS após 10 anos na presidência

Quem assumirá a presidência interinamente de uma das maiores concessionárias de ferrovias do País será Juarez Rabello, acumulando o cargo de presidente do conselho administrativo da MRS

Notificada, Infraero diz que vai recorrer da suspensão de voos noturnos no Santos Dumont
Lucro da BR cresce 49% no ano, para R$ 1,028 bilhão
Mercado interno deve continuar a aquecer produção de veículos, diz Anfavea

Depois de 10 anos à frente da MRS Logística, o executivo Julio Fontana, deixará a empresa em primeiro de junho. Quem assumirá a presidência interinamente de uma das maiores concessionárias de ferrovias do País será Juarez Rabello, acumulando o cargo de presidente do conselho administrativo da MRS.

A decisão de se retirar do comando da empresa foi tomada na última quinta-feira e na sexta-feira Julio Fontana comunicou a todos os funcionários da MRS que estaria se desligando da companhia. Segundo a empresa, Rabello ficará na presidência até o mês de julho e a companhia terá este período para eleger o novo presidente da MRS.

A carreira de Julio Fontana na MRS se inicia em 1997 quando participava do conselho de administração representando um dos sócios controladores da empresa, a Gerdau. Em 1999, ele assumiu a empresa e fez da MRS uma das maiores companhias ferroviárias do País em movimentação de cargas.

Ao assumir a presidência da MRS Júlio Fontana deparou-se com uma estrutura e cultura de serviços públicos. Em uma entrevista à Gazeta Mercantil ele contou que o maior desafio foi imprimir um pensamento com foco nos resultados da empresa, coisa rara nsqueles tempos de Rede Ferroviária Federal. “Precisávamos crescer e rapidamente”. Assim a empresa criou a Academia MRS, voltada para treinamento de pessoal e cursos profissionalizantes. “Formamos pessoal para dar suporte ao nosso crescimento”, disse.

E o esforço de Fontana deu resultado. De 1999 até 2008, a MRS quase triplicou as toneladas úteis transportadas – em 1999 foram 55 milhões passando para 135,8 milhões de toneladas em 2008. E os resultados financeiros também foram auspiciosos. De rejuízo de R$ 166,8 milhões em 2002 passou para lucro de líquido de R$ 663,2 milhões no ano passado.

No primeiro trimestre deste ano a companhia registrou lucro líquido mesmo em cenário de retração na atividade e no consumo, ocasionado, principalmente, pelo fraco desempenho das economias globais. O resultado positivo da companhia foi de R$ 99,9 milhões e uma receita líquida de R$ 460,7 milhões.

No primeiro trimestre, a empresa teve que se reinventar com a forte queda no transporte de minério de ferro, principal produto movimentado. Foram transportados, nos primeiros três meses de 2009, 25,9 milhões de toneladas úteis, queda de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado. A movimentação de minério caiu 22%, chegando a 17,9 milhões de toneladas ante 22,9 milhões de toneladas.

Em função da crise que se abateu no cenário econômico mundial e consequentemente, os principais clientes da MRS, a empresa reduziu as perspectivas de investimentos deste ano para R$ 549 milhões, frente a uma perspectiva de aportes de cerca de R$ 800 milhões.

Sob o comando de Julio Fontana os investimentos realizados foram agressivos. No ano em que assumiu a presidência, a MRS investiu R$ 76 milhões. Em 2008 o volume foi de R$ 1 bilhão.

Duerante a gestão de Julio Fontana comprou 5 mil vagões, modernizou o sistema de sinalização e telecomunicações, ampliou pátios e duplicou 100 quilômetros de linha.

COMMENTS