Entrevista com Renato Reichmann

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Renato Reichmann, do PMN

Portal Transporta Brasil: Caso seja eleito, o senhor irá manter as restrições aos caminhões na cidade?

Renato Reichmann: A restrição à circulação de caminhões na cidade precisa ser estudada com muito cuidado. Há prós e contras, para transportadores, donos das cargas e população. Ainda não temos como analisar efeitos dessa medida. Um ponto positivo, é que o custo não irá aumentar com as entregas de madrugada, pois é possível fazer o triplo das entregas que se faz durante o dia. Portanto, o custo por equipamento, por empregado cai. Já existe esse sistema de entrega noturna há um bom tempo, a banca de jornal; e funciona muito bem. Mas, a restrição é uma questão extremamente delicada, e precisamos pensar em um fato importante: São Paulo tem cinco ou seis avenidas, mas que são na verdade BRs ou SPs. Por exemplo, a Avenida do Estado, Marginais, Avenida dos Bandeirantes, Francisco Morato, são BRs, ligações entre rodovias estaduais e federais onde parte significativa do trânsito é ocasionado por caminhões que, teoricamente, não param na cidade, por tanto não precisariam entrar na cidade. Por isso, a finalização do Rodoanel precisa ter prioridade, pois irá melhorar o trânsito de São Paulo, além de facilitar para os caminhoneiros. Afinal, não é justo punir uma população com 11 milhões de habitantes com congestionamentos gigantescos fazendo com que as pessoas se irritem durante mais de duas horas diariamente no trânsito da cidade de São Paulo.

Portal Transporta Brasil: Que medidas podem ser tomadas contra a “frota pirata” da cidade de São Paulo, que são os veículos que não pagam IPVA, multas e licenciamento e circulam impunes?

Renato Reichmann: É uma situação muito delicada. Temos que diferenciar entre o inadimplente, que tem seu carrinho velho, na periferia, muitas vezes para exercer sua profissão. E o sonegador, que licencia seu carro em Curitiba. Inspeção veicular e ambiental, que são assuntos de segurança e do meio ambiente; e a inspeção do licenciamento, que é assunto tributário. Mas é bom ressaltar que não é proibido (nem deveria ser) trocar as pastilhas de freio por estar sem IPVA pago, nem é negado atendimento médico (nem deveria ser) a quem está inadimplente com o IR. Portanto, inspeção de segurança, e ambiental devem ser realizadas independentemente da situação de licenciamento. Senão, adicionaremos poluição e risco de acidente, com prejuízos maiores para todos.

Portal Transporta Brasil: O senhor é favorável ao pedágio urbano, solução que se mostrou eficaz em algumas grandes cidades do mundo?

Renato Reichmann: No centro da cidade, sou favorável. Mas, desde que o transporte público seja de qualidade. E atenda às necessidades da população. Desde que existam linhas que circulem na região central, com quantidade e com o mínimo de conforto, e estacionamentos ao longo das vetoriais do transporte. As vagas nestes edifícios garagens teriam preços populares – equivalente a uma passagem de ônibus vigente, no caso R$ 2,40 – nos quais as pessoas poderiam deixar seus carros e terminar o percurso usando transportes coletivos nas áreas mais congestionadas. As pessoas, neste cenário, não terão a necessidade de ir ao centro de carro. É uma questão de física. Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço.

Portal Transporta Brasil: Qual seria a política de uma eventual gestão sua em relação à logística na cidade, criação de Centros de Distribuição e terminais de cargas?

Renato Reichmann: Os Centros de Distribuição e os terminais de cargas, também conhecidos como Portos Secos, são uma ótima alternativa. Ajudam a direcionar o fluxo de carga, além de diminuir os custos e agilizar na distribuição dos produtos. Irei criar uma Câmara de Transporte, composta por profissionais e operadores do setor, com capacidade consultiva ao Gabinete do Prefeito e Secretarias de Transportes e de Obras, para poder opinar e orientar nas ações e no planejamento viário.

Portal Transporta Brasil: A ampliação do viário urbano em São Paulo é urgente para que o trânsito não sature em curto prazo. Que propostas de obras sua campanha tem para a cidade?

Renato Reichmann: Uma das propostas seria a abertura de alças de acesso ao anel viário nos bairros de periferia, melhorando o transito, e viabilizando estes bairros economicamente. Em relação ao transporte público, propomos a construção de novos corredores de ônibus, e utilização dos corredores somente por ônibus de altíssima capacidade (trucados, e bi- ou tri-articulados) e a operacionalização eletrônica de controle, já existente, mas não utilizada, nos corredores de ônibus. Além da criação da linha expressa, a qual teria um determinado percurso sem paradas, ultrapassando os outros ônibus em uma faixa para ultrapassagem nas paradas com recuo. Construção de faixas reversíveis permanentes, para acabar com a “dança dos cones”, são opções para melhorar o trânsito e a reestruturação da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tanto nos equipamentos quanto na atualização e treinamento constante dos funcionários, para desenvolver um trabalho com mais engenharia e menos multa. Tendo um serviço oferecido com qualidade, o trânsito ficará mais ágil. Para isso a CET utilizaria helicópteros para identificar o que está ocasionando o congestionamento de trânsito. Com uma visão panorâmica das vias o funcionário poderá desenvolver uma solução mais viável, de forma rápida e eficaz, e repassar essa solução, ou mesmo informar a situação do trânsito, aos funcionários que estarão no solo. Vemos há mais de 20 anos, todos os dias, as estações de rádio e programas de televisão utilizarem este recurso para diagnosticar os problemas do trânsito.

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