Entrevista com Soninha Francine

A união faz bons implementos rodoviários
“Onde está a criatividade?”
Soninha Francine: o caminhão não é o culpado pelo congestionamento

Soninha Francine, do PPS

Portal Transporta Brasil: Caso seja eleita, a senhora irá manter as restrições aos caminhões na cidade?

Soninha Francine: Ninguém gosta muito da idéia do rodízio e da restrição à circulação, mas como o espaço viário é pequeno e não dá conta desta nossa frota imensa, com tantos veículos em circulação, a gente tem que estabelecer algumas regras de escalonamento do uso. Mas, o rodízio de caminhões, da maneira com que foi estabelecido na gestão atual, eu acho duro demais, a ponto de prejudicar muito algumas atividades econômicas. A Prefeitura está implantando o rodízio gradualmente e o ponto máximo que ela deseja atingir é a proibição total da circulação de caminhões das 5 da manhã às 9 da noite. Eu acho isso muito pouco razoável, pois condena quase toda a atividade com caminhões a ser feita só de madrugada, tarde da noite. Isso vai trazer prejuízos a alguns setores e muita intranqüilidade em alguns lugares. O caminhão ocupa muito espaço na via, e isso traz uma má impressão aos motoristas, mas ele não é um transporte individual. O caminhão exerce uma função que serve à coletividade. Ele ocupa muito espaço, mas atende a muitas pessoas. O grande culpado pelos congestionamentos é o transporte particular individual. São os carros com apenas uma pessoa dentro. Este é o uso irracional do espaço viário.

Portal Transporta Brasil: Que medidas podem ser tomadas contra a “frota pirata” da cidade de São Paulo, que são os veículos que não pagam IPVA, multas e licenciamento e circulam impunes?

Soninha Francine: Assim como em relação a várias outras irregularidades que existem hoje na cidade, é necessário ter duas medidas associadas: fiscalização exemplar, pois à medida que você mostra que está punindo com rigor alguns, os outros já começam a se sentir incomodados; e a desburocratização dos processos de regularização dos veículos. Porque se for muito difícil, muito demorado e muito caro regularizar a situação, você estimula a irregularidade. Quando você facilita e simplifica o acerto das dívidas com tributos de qualquer natureza, você combate a irregularidade.

Portal Transporta Brasil: A senhora é favorável ao pedágio urbano, solução que se mostrou eficaz em algumas grandes cidades do mundo?

Soninha Francine: Sim, mas ninguém pode achar que o pedágio urbano é a solução para todos os problemas do trânsito. Não existe solução no singular. Não é o rodízio, não é o Metrô, não é o pedágio, não são os corredores de ônibus. É preciso um conjunto de medidas integradas para tratar a questão da mobilidade urbana. Mas o pedágio urbano pode ser sim uma medida desejável, desde que acompanhada de várias outras. A função do pedágio urbano é desestimular o uso supérfluo do automóvel. A idéia é cobrar um extra pelo uso dos automóveis em lugares que já sejam bem servidos de transporte público, onde há alternativa para o uso do carro. Além disso, deve haver uma rede de estacionamentos integrada às estações de Metrô e terminais de ônibus para que o cidadão tenha a alternativa de deixar seu carro para ir às áreas centrais. Em outras cidades do mundo isso foi implantado, no início com grande resistência da população e temor do comércio por queda de movimento, mas o que se viu foi que o movimento do comércio começou a ser mais bem distribuído ao longo da semana e durante os finais de semana. O que ocorreu foi que as pessoas começaram a planejar melhor os seus deslocamentos e a sua agenda. O perfil de uso se modificou ao longo dos dias. A arrecadação com o pedágio urbano tem que ser revertida exclusivamente e obrigatoriamente para a melhoria do transporte coletivo. O trânsito como está hoje em São Paulo já custa muito caro para todo mundo, inclusive para quem não usa automóvel. Os congestionamentos têm um custo altíssimo para todos.

Portal Transporta Brasil: Qual a seria política de uma eventual gestão sua em relação à logística na cidade, criação de Centros de Distribuição e terminais de cargas?

Soninha Francine: Certamente existem estudos técnicos sobre isso que não são aplicados na administração pública. São Paulo necessita demais de um sistema mais racional e mais bem pensado para a distribuição das cargas na cidade. Existem exemplos de outras cidades do mundo que podem ser aplicados aqui, como centrais de redistribuição e cross-docking, com uma logística muito bem definida. Isso tem que ser feito. O trânsito de São Paulo é muito direcionado ao Centro e temos que redistribuir este fluxo para outras regiões da cidade.

Portal Transporta Brasil: A ampliação do viário urbano em São Paulo é urgente para que o trânsito não sature em curto prazo. Que propostas de obras sua campanha tem para a cidade?

Soninha Francine: Temos propostas no sentido de melhorar o fluxo do trânsito com o redirecionamento dos veículos. Não adianta alargar avenidas ou construir vias sobre as marginais, se depois, nas saídas dessas vias, não há ruas suficientes para suportar o número maior de carros. O que precisamos é deixar o sistema viário mais parecido com uma teia. Isso tem sido feito nos últimos anos, com ligações perimetrais e anéis viários, que precisam ser complementados. Não adianta fazer grandes avenidas, se ainda existem gargalos para o trânsito na cidade. Temos que levar em conta a dinâmica de origem e destino para a circulação de pessoas, para a circulação de serviços e para a circulação de mercadorias.

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