Rodrigo Vilaça fala sobre o transporte ferroviário no Brasil

Diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, Vilaça concedeu entrevista para o Portal Transporta Brasil e falou sobre o desenvolvimento do modal no País e os entraves que ainda criam gargalos competitivos para o Brasil

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Leia a íntegra da entrevista com o diretor executivo da ANTF (Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários), Rodrigo Vilaça,  sobre a atual situação do modal sobre trilhos no Brasil:

Portal Transporta Brasil: Qual é a participação atual do transporte ferroviário na matriz brasileira? Este número tem aumentado?

Rodrigo Vilaça: Hoje nós estamos com 26%. Este número vem aumentando desde a concessão para a iniciativa privada, saltando de 18% para 26%. Naturalmente, houve uma queda por causa da crise econômica mundial, mas neste ano já recuperamos este processo. Agora está em um ritmo bastante satisfatório. Queremos crer que com a chegada dos 35 mil quilômetros de malha e, eventualmente, dos 40 mil quilômetros até 2020, nós possamos ultrapassar 28%. Isso significa algo em torno de 600 milhões de toneladas úteis transportadas no sistema ferroviário por ano.

Portal Transporta Brasil: Quais são as vantagens competitivas do trem em comparação com o caminhão?

Rodrigo Vilaça: Hoje, o trem se apresenta como um complemento da carga geral, da carga diversificada e da prática da intermodalidade. Mas, nitidamente, o trem se apresenta como a grande solução para grandes commodities agrícolas e minerais, volumes com baixo valor agregado e principalmente quando nós estamos tratando da interiorização do Brasil, ou seja, de buscar essas riquezas minerais e agrícolas que estão dentro do nosso País para os principais portos de operação. A ferrovia tem características próprias, e precisa muito do transporte rodoviário como complemento em algumas situações para suas operações.

Portal Transporta Brasil: Quais são os maiores entraves para a construção de infraestrutura ferroviária no Brasil?

Rodrigo Vilaça: Nós temos quatro grandes problemas. O ambiente regulatório é o principal entrave jurídico, naturalmente. As questões ambientais quando se referem não só à malha existente, mas principalmente para a expansão. A questão pratimonial, que são as desapropriações. E, naturalmente, o passivo que a antiga rede estatal possuía e possui, o que nos causa um grande problema em embate jurídico em casos que seriam, em tese, da responsabilidade da União.

Portal Transporta Brasil: O trem já é extremamente importante para o escoamento da soja do Mato Grosso. Que outros exemplos existem de corredores de commodities?

Rodrigo Vilaça: O que vem se destacando muito agora, principalmente na região do Estado de São Paulo, são as usinas de álcool. Houve o crescimento do entender por parte do usuário, que o sistema de ferrovia pode beneficiar o volume de produção que o complexo açúcar/álcool nos proporciona. A ferrovia é sim um grande instrumento na movimentação dessas cargas, da mesma forma que é hoje para o minério. Ainda bem que nós temos ferrovias tratando de transportar o minério, do contrário já teríamos um caos pior ainda no sistema rodoviário brasileiro. Além disso, temos a questão portuária. Atualmente, o maior problema na infraestrutura de transportes do Brasil, sem dúvida, são os portos. Nós precisamos agir rapidamente, todos os setores envolvidos no sistema terrestre, nós precisamos estar em um mesmo centro de comando para que o planejamento desse modal possa se recuperar de forma mais rápida.

Portal Transporta Brasil: Qual é a participação dos governos em relação ao desenvolvimento do transporte ferroviário no Brasil?

Rodrigo Vilaça: No mundo todo, qualquer governo subsidia situações de melhor viabilidade econômica para os projetos ferroviários, tanto para carga quanto para passageiros. É muito importante que essa estrutura para todo ambiente ficar mais consolidado em receber investimentos possa ter dentro da sistemática adotada do marco regulatório segurança jurídica para que você possa desempenhar e avançar, de forma apressada e com atitudes, esse tempo que nós já perdemos nessas últimas duas décadas. De certa forma, a União precisa criar um ambiente seguro, confortável e em busca de uma competitividade e de benefícios ao sistema para que ele flua de forma mais evolutiva, mais rápida, mais concretizada em obras necessárias para um País continental como o nosso.

Por: Leonardo Andrade. Colaboração: Victor José – Redação Portal Transporta Brasil

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