Entrevista com Ivan Valente

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Ivan Valente, do PSOL

Portal Transporta Brasil: Caso seja eleito, o senhor irá manter as restrições aos caminhões na cidade?

Ivan Valente: A restrição aos caminhões no centro tem seus benefícios para o trânsito, mas é uma medida paliativa, que inclusive gera outros problemas nas avenidas e rodovias que cortam a cidade. Nós queremos discutir com a população que o problema de São Paulo não são os caminhões, mas a matriz do transporte baseada no automóvel, que é individual – 62% dos carros circulam com apenas um passageiro. Resolver o problema do trânsito passa obrigatoriamente pela ampliação do transporte coletivo de massa, em especial o transporte sobre trilhos, já que o Metrô consegue transportar ate 100 mil passageiros por hora.

Portal Transporta Brasil: Que medidas podem ser tomadas contra a “frota pirata” da cidade de São Paulo, que são os veículos que não pagam IPVA, multas e licenciamento e circulam impunes?

Ivan Valente: Esse tipo de problema só se resolve com mais fiscalização e mais rigor nas punições. Hoje já existe uma legislação para isso, o que falta é fazer uma fiscalização de fato. Contratar mais agentes de trânsito ou mesmo a Guarda Civil Metropolitana (GCM) que para nós deve ter um caráter comunitário, poderia atuar na prevenção de acidentes e na fiscalização das infrações do trânsito.

Portal Transporta Brasil: O senhor é favorável ao pedágio urbano, solução que se mostrou eficaz em algumas grandes cidades do mundo?

Ivan Valente: Não. Sou absolutamente contra o pedágio urbano, que na prática onera apenas as classes média e baixa. Quem tem dinheiro para pagar o pedágio não vai deixar de estacionar no centro por causa de dinheiro, vai pagar, e o restante? O restante ficará a mercê do transporte público (que hoje não serve bem à população). Alguns candidatos estão citando cidades no exterior que possuem pedágio e funcionam bem. No entanto, eles não informam que nessas cidades existe um transporte coletivo bem estruturado e de qualidade. Nesses locais a lógica se inverte: como o transporte coletivo é bom, onera-se quem faz questão de andar de automóvel. Aqui quem tem renda menor é que acabaria pagando o pato.

Portal Transporta Brasil: Qual a política de uma eventual gestão sua em relação à logística na cidade, criação de Centros de Distribuição e terminais de cargas?

Ivan Valente: Os centros de distribuição são importantes, sobretudo, quando localizados ao redor do centro nervoso da cidade. Na medida em que se organiza a logística da distribuição, se reduz o número de viagens de abastecimento, reduzindo conseqüentemente o trânsito, já que a distribuição poderia ser feita em veículos menores em horários apropriados. No entanto, se a criação de novos centros não for acompanhada por outras medidas, na situação caótica em que se encontra São Paulo, nada vai adiantar. Os veículos vão continuar parados nos enormes congestionamentos. Mesmo os centros de logísticas mais eficientes estão tendo dificuldades de abastecer sua rede por conta dos engarrafamentos. Então, a nossa prioridade não é propor soluções paliativas, nós queremos soluções reais, ainda que em longo prazo. É preciso desestimular o uso do automóvel – hoje a cidade de São Paulo emplaca cerca de 800 carros por dia – e investir agressivamente no transporte coletivo de massas sobre trilhos.

Portal Transporta Brasil: A ampliação do viário urbano em São Paulo é urgente para que o trânsito não sature em curto prazo. Que propostas de obras sua campanha tem para a cidade?

Ivan Valente: Definitivamente São Paulo não precisa de mais obras viárias. São Paulo precisa combater a cultura do automóvel. Atualmente são emplacados em média 700 carros por dia, mais do que os números de bebês que nascem diariamente, em média 500 bebês. O problema do trânsito só será combatido com a desestimulação do uso dos automóveis e o investimento pesado em transporte coletivo de massas. Eu costumo dizer que governar é fazer escolhas. Entre escolher fazer uma obra viária de R$ 260 milhões – como foi o caso da Ponte Estaiada, que serviu apenas de cenário para uma emissora de TV – eu optaria por construir moradias para 25 mil pessoas, ou ampliar em 10 km os corredores exclusivos de ônibus ou, ainda, garantir creche para 30 mil crianças.

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