Brasileiros geram falta de gasolina argentina

Movimento nos postos do país vizinho aumenta desde o fim do ano passado, quando o preço do álcool disparou

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Com a escalada de preços do álcool no Brasil, a procura por combustível mais barato do outro lado da fronteira se tornou rotina para os motoristas de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Os turistas que passam pela região também vão à Argentina para encher o tanque, atraídos pela economia de até 40% em relação aos valores praticados em território nacional. Com essa grande demanda, o estoque de gasolina em Puerto Iguazú tem sido drasticamente afetado. Desde que os brasileiros voltaram a ser maioria nos postos locais, pelo menos uma vez por semana há falta de combustível na cidade.

Nos postos de Foz do Iguaçu o preço do litro da gasolina varia de R$ 2,56 a R$ 2,68 e o álcool não sai por menos de R$ 1,89. Na Argen­tina, o litro da gasolina varia de R$ 1,65 a R$ 2,15. “Cada vez que abasteço aqui economizo em média R$ 50. Em quatro semanas são mais de R$ 200. Enquanto a diferença valer a pena, vou continuar cruzando a fronteira”, comentou o mecânico Claudeci Antônio Garcia.

Os donos de postos de Foz do Iguaçu – que, em janeiro, sentiram queda no movimento de até 20% – costumam enfatizar que a composição da gasolina argentina pode danificar os motores dos carros vendidos no Brasil. “A gasolina comercializada na Argentina é diferente da comercializada nas bombas dos postos brasileiros. No Brasil, por lei, é obrigatória a adição de etanol na gasolina pura. Devido a esta característica, os carros já saem das montadoras brasileiras preparados para funcionar com este tipo de combustível”, explica Wilson José Silva, coordenador técnico do Comitê Sul Brasileiro de Qualidade dos Combustíveis (CSQC).

Prioridade

Diante da “invasão” brasileira e das reclamações dos motoristas argentinos, a Câmara de Turismo e Comércio de Puerto Iguazú determinou no mês passado que os consumidores argentinos deveriam ter prioridade no atendimento. A medida, entretanto, não conseguiu evitar os desabastecimentos. Há quatro anos, um cenário semelhante forçou o governo do país vizinho a publicar um decreto que estabelecia preços mais altos para carros com placas estrangeiras, o que acabou desestimulando o consumo. Dois fatores voltaram a deixar a gasolina argentina mais vantajosa para o bolso do motorista brasileiro: o real valorizado e os constantes aumentos do álcool.

No meio da tarde de ontem, havia filas de carros brasileiros nos postos argentinos, mas elas eram relativamente curtas (no feriado de carnaval, houve casos em que a espera durava mais de meia hora). “Até o início da noite, o movimento normalmente triplica”, explicou um dos frentistas. Motoristas de Foz do Iguaçu e de municípios próximos, como Santa Terezinha de Itaipu e Matelândia, aguradavam para ser atendidos. “Desde o fim do ano passado, toda vez que venho para Foz, encho o tanque na Argentina”, conta o comerciante de São Miguel do Iguaçu, Luiz Augusto Carri, que no sábado não conseguiu abastecer. “Os postos só voltaram a vender gasolina ontem (terça-feira).”

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