Estatal pretende baixar significativamente custo do transporte ferroviário

“O governo federal assimilou a reivindicação dos estados e pretende estender os trilhos de bitola larga à Região Sul, seus portos e regiões produtivas. Para isso, é preciso definir com o Ministério dos Transportes os parâmetros para ligar o corredor ferroviário da Norte-Sul com o Sul do país”, disse Samuel Gomes, presidente da Ferroeste

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O presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, participou hoje (22) de duas reuniões visando a avançar no processo de interligação da Ferrovia Norte-Sul com o Sul do país. A primeira reunião foi com o chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército, general Ítalo Forte Avena. A segunda, à tarde, foi com o secretário de Política Nacional de Transportes do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato.

“O governo federal assimilou a reivindicação dos estados e pretende estender os trilhos de bitola larga à Região Sul, seus portos e regiões produtivas. Para isso, é preciso definir com o Ministério dos Transportes os parâmetros para ligar o corredor ferroviário da Norte-Sul com o Sul do país”, disse Gomes à Agência Brasil. Segundo ele, essas conexões´permitirão reduzir significativamente os custos dos transporte de carga no país.

Entre os temas discutidos nas reuniões de hoje, estavam os R$ 30 bilhões previstos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) para as obras de interligação de Maracajú (MS) a Cascavel (PR) e de Guarapuava (PR) ao Porto de Paranaguá. Cascavel e Guarapuava já estão interligados pela Ferroeste.

Parte das obras – que ligarão o trecho paulista da Norte-Sul, localizada no interior paulista, ao Rio Grande do Sul, passando pelo Paraná e por Santa Catarina – ficará a cargo do Exército, como foi feito no trecho entre Cascavel até Guarapuava. Até 1991, o Exército ajudou a estatal a tocar suas obras, que foram paralisadas entre 1997 e 2006.

“O melhor é que seremos imbatíveis em termos de custos para o transporte de cargas, porque temos meta diferente da iniciativa privada: apresentar o frete mais barato possível”, acrescentou Gomes, após criticar os “monopólios privados” e a política de privatização do setor ferroviário desenvolvida durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Essa condição “antieconômica” foi, segundo Gomes, “fator que acabou por aumentar ainda mais o custo Brasil”, uma vez que “o resultado dessas políticas foi a cobrança de preços pautados por um mercado restrito, com demanda muito maior do que oferta para os serviços de transporte de cargas por meio ferroviário”, argumentou.

A Ferroeste está fazendo estudos e levantamentos para ampliar em mais 1.300 quilômetros sua malha, incluindo o trecho que liga a região central do Paraná, próximo a Guarapuava, à região de Chapecó, em Santa Catarina; e, ainda, entre Cascavel e Foz do Iguaçu. “Ligando Cascavel a Foz do Iguaçu, estaremos ligando o Paraguai ao Porto de Paranaguá”, explicou Gomes.

Com as ampliações da Ferroeste, a estatal passará a se chamar Ferrosul. “Do pé dos Andes para baixo, tudo será área de influência da Ferrosul. Cataremos as cargas das regiões mais produtivas do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de Mato Grosso do Sul, e as cargas transportadas na Hidrovia do Rio Paraná. Tudo estará interligado aos portos do Sul, como Itajaí (SC) e Rio Grande (RS), além de Paranaguá”, prevê.

A Ferrosul pretende ainda ligar as ferrovias brasileiras a todo o Paraguai, por Porto Murtinho (MS); à região de Santa Cruz, que é a mais produtiva da Bolívia; e ao Norte e Nordeste da Argentina. “Os bolivianos ficam restritos a usar o Porto de Ápica, do Chile, para escoar sua produção. Ou seja, precisam cortar a Cordilheira dos Andes, que é um grande acidente geográfico”, argumenta.

A Ferroeste estima que, com a expansão da malha e a adaptação de alguns trechos para a bitola larga, transportará de 40milhões a 50 milhões de toneladas de carga por ano, a partir de 2013. A velocidade prevista para as locomotivas é de 80 a 90 quilômetros horários, para o transporte de cargas; e superior a 120 quilômetros horários para o transporte de passageiros, que também será explorado por toda a malha da empresa.

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