Líder do Senado pede plano B às montadoras

Os democratas afirmaram que a votação que aprovou o pacote de ajuda financeira às montadoras foi certamente a última importante medida tomada pela Câmara nesta administração

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As perspectivas quanto à aprovação do pacote de até US$ 14 bilhões para o resgate financeiro das montadoras norte-americanas pareceram virar fumaça na manhã de ontem, quando o líder republicano no Senado, Mitch McConnell do Kentucky, discursou contra o projeto de lei, apesar da insistência da Casa Branca.

Durante seu discurso no Senado, McConnell e outros republicanos defenderam uma clara distinção entre o pacote de US$ 700 bilhões do Tesouro para a estabilização econômica, que eles ajudaram a aprovar em outubro, e a proposta de ajuda às montadoras, que levanta, no seu ponto de vista, questões sobre quais indústrias ou indivíduos merecem ajuda.

“Muitos cidadãos americanos que estão em dificuldades se perguntam onde estão seus pacotes de resgate financeiro”, defendeu McConnell em seu discurso no Senado. Embora McConnell tenha demonstrado apoio a um plano alternativo que está sendo elaborado pelo senador Bob Corker, republicano do Tennessee, é difícil acreditar que será possível chegar a um acordo político a esta altura do ano.

Na noite da quarta-feira, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um plano, negociado por congressistas democratas e a Casa Branca, para a liberação de US$ 14 bilhões em empréstimos emergenciais de curto prazo para a General Motors (GM) e a Chrysler – que teriam que se submeter à supervisão direta do governo através da figura de um “czar de carros” indicado pelo presidente Bush.

Os democratas afirmaram que a votação que aprovou o pacote de ajuda financeira às montadoras foi certamente a última importante medida tomada pela Câmara nesta administração. Eles também defenderam que – caso o projeto de lei seja barrado no Senado pelos republicanos – o governo Bush não terá outra escolha a não ser buscar formas alternativas para impedir o colapso financeiro da GM e da Chrysler, duas das três maiores montadoras de Detroit.

Harry Reid, líder da maioria do Senado e representante de Nevada, pediu ontem que os senadores republicanos apresentassem um pacote alternativo àquele aprovado pelos deputados na véspera. Pouco depois o senador McConnell respondeu que os republicanos iriam opor-se ao projeto da Casa Branca.

A Câmara aprovou o pacote, que usaria o dinheiro dos contribuintes para financiar o socorro das montadoras, por 237 votos contra 170, a maior parte dos parlamentares alinhou-se segundo a orientação de seus partidos. Votaram a favor 205 democratas e 32 republicanos, especialmente aqueles cujos estados de origem dependem fortemente da indústria automotiva; 150 republicanos e 20 democratas votaram contra.

Todavia, o teste crucial acontecerá no Senado, onde na quarta-feira os republicanos rejeitaram o apelo do chefe de Gabinete da Casa Branca, Joshua B. Bolten, para que apoiassem o projeto de lei. Ao invés disso, alguns republicanos defenderam que as montadoras deveriam ir à bancarrota.

A medida precisa de 60 votos para passar no Senado, onde o partido democrata possui maioria de 50 contra 49, incluindo dois senadores independentes. Há uma cadeira vazia devido à renúncia do presidente eleito Barack Obama.

Proposta de Reid

Reid afirmou em seu discurso que os republicanos deveriam apresentar um outro plano se acham que podem fazer melhor. “Eu acredito que se a minoria republicana considera o projeto atual insatisfatório, então eles deveriam oferecer um alternativa”, defendeu Reid. “E eu os convido a fazê-lo. A Câmara aprovou ontem o projeto de lei.”

A Casa Branca saiu, ontem, novamente em defesa do pacote. “Nós acreditamos que a economia encontra-se atualmente tão fragilizada que o corte de mais de um milhão de postos de trabalho é algo que nossa economia não suportará”, afirmou Dana Perino, porta-voz do presidente Bush.

“Entendo a raiva e a frustração das pessoas com relação à situação na qual se encontram nossas montadoras atualmente”, disse Obama em uma coletiva de imprensa em Chicago. “Eu questionei a saúde da nossa indústria automobilística a um ano e meio atrás, quando falei com líderes do setor em Detroit. Insisti que eles agissem rapidamente para adotar novas tecnologias e uma nova abordagem nos negócios que os ajudariam a permanecer competitivos nestes tempos de mudanças. Uma vez que falharam em ir rapidamente atrás destes objetivos, neste momento de grande desafio para nossa economia, não podemos simplesmente ficar impassíveis e assistir a essa indústria entrar em colapso. Fazer isso levaria a um efeito propagador devastador por toda a nossa economia”

A GM e a Chrysler disseram que não poderão sobreviver por mais muito tempo sem a ajuda federal; enquanto a Ford, que está em situação melhor do que seus concorrentes, não está pleiteando empréstimos emergenciais.

The New York Times

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