Estudo vai traçar alternativas para ferrovia

Na quarta-feira, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma chamada pública para elaboração de estudos de viabilidade do projeto, cujo prazo termina no dia 24

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Deve começar a ganhar corpo nos próximos meses o projeto do Corredor Ferroviário Bioceânico, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, na América do Sul. Na quarta-feira, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu uma chamada pública para elaboração de estudos de viabilidade do projeto, cujo prazo termina no dia 24.

O objetivo do estudo, segundo o BNDES, é mapear as alternativas de traçado e sua viabilidade econômica – considerando a estimativa de seus custos operacionais, orçamentos e projeções de receita. Também fazem parte do estudo a avaliação institucional e legal dos países envolvidos e a possibilidade de integração da ferrovia com outros modais (rodovias, hidrovias e portos).

Em comunicado enviado pela sua assessoria de imprensa, o banco diz que vai usar recursos do Fundo de Estruturação de Projetos (FEP) para financiamento do estudo. De acordo com o BNDES, ‘a conexão das rotas de comércio internacional entre os dois oceanos é o principal desafio para a ampliação dos intercâmbios comerciais entre os países da América do Sul’.

Traçado

Para que o corredor ferroviário saia do papel, no entanto, há inúmeras questões técnicas e políticas por resolver. O traçado da malha ligando os dois oceanos ainda é uma incógnita e alvo de especulações e informações dispersas de todos os lados. Nem mesmo os países cortados pelo corredor estão oficialmente confirmados. No fim de 2007, em encontro na Bolívia, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, do Chile, Michelle Bachelet, e da Bolívia, Evo Morales, fizeram o lançamento de um projeto de corredor tendo como extremidades os portos de Santos, no litoral de São Paulo, e Arica, no Chile. Para chegar à Bolívia, uma das opções seria o corredor ferroviário de Corumbá (Mato Grosso do Sul).

O Paraná, no entanto, também ‘disputa’ a participação no corredor. Mais do que isso, o presidente da estatal Ferroeste, Samuel Gomes, tem como certo o contato com o Atlântico através do Porto de Paranaguá. Dois projetos da Ferroeste completariam o trecho brasileiro do corredor: o trecho entre Paranaguá e Guarapuava – a estatal já apresentou um pré-estudo de viabilidade ao governo federal – e um novo ramal entre Cascavel e Foz do Iguaçu. ‘O projeto, a princípio, parece muito estratosférico mas, no Brasil, faltam apenas 170 quilômetros entre Foz e Cascavel e 300 quilômetros entre Guarapuava e o porto.’ Deixando o Paraná, segundo Gomes, o corredor atravessaria o Paraguai, a Argentina e depois o Chile, chegando ao porto de Antofagasta.

Cordilheira

Outro grande desafio para a consolidação do corredor bioceânico é a Cordilheira dos Andes – as ferrovias que atravessam as montanhas têm alta inclinação e obrigam o uso de trens pequenos, e com velocidade baixa, diminuindo a capacidade de transporte de cargas. Uma das opções seria a construção de um túnel.
Justamente por conta deste gargalo, o presidente da Ferroeste acredita que o corredor deve beneficiar o Porto de Paranaguá – que poderá receber cargas do Paraguai e de toda a região central da América Latina.

Benefício

Para o professor da área de logística da Universidade Positivo, Daniel Rossi, independentemente das dificuldades políticas e técnicas que o projeto do corredor bioceânico deve enfrentar, o investimento deve trazer um importante retorno no sentido de reduzir custos para a movimentação de cargas no país. ‘Qualquer investimento na estrutura ferroviária é muito bem vindo. Este é um modal no qual estamos muito defasados, mas no qual qualquer aporte de recursos traz benefícios extraordinários’, diz. ‘É um ganho em infra-estrutura que fatalmente se traduz em números.’ (Gazeta do Povo)

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