Entrevista com o presidente da Unicam, José Araújo “China” da Silva, sobre o Procaminhoneiro

Presidente da União Nacional dos Caminhoneiros fala sobre o programa do BNDES para fomentar a renovação da frota brasileira e sobre as dificuldades que milhares de transportadores têm tido para conseguir o financiamento. Acompanhe a entrevista na íntegra

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china-unicamO Procaminhoneiro, programa do BNDES que concede juros de 4,5% ao ano e prazo de até 96 meses para financiar a compra de caminhões novos e usados com até 15 anos de fabricação, foi prorrogado pelo governo federal e tem gerado muitas dúvidas entre as empresas e os transportadores autônomos. O programa, criado para fomentar a renovação da frota brasileira, com idade média de 23 anos, tem apresentado dificuldades para milhares de transportadores em busca do financiamento. O presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo “China” da Silva, concedeu entrevista exclusiva ao Portal Transporta Brasil sobre o programa. Acompanhe a íntegra:

Portal Transporta Brasil: Qual a importância do Procaminhoneiro para o transporte de cargas no Brasil?

José Araújo “China” da Silva: É um programa de importância vital para todos os caminhoneiros do Brasil, que trabalham hoje com uma frota sucateada com idade média de 23 anos. Os caminhoneiros sempre sofreram com o descaso dos governos anteriores com o transporte de cargas e agora poderão ter acesso ao crédito para comprar caminhões mais novos. Este programa significa tudo na vida de um caminhoneiro, que sempre foi aquele que comprou o caminhão de alguém que não queria mais, sucateado e velho. Normalmente, 70% dos autônomos sofrem com isso. As frotas das empresas de transportes têm idade média de 11 anos. No caso do agronegócio, a idade média é de cinco anos. Considerando os autônomos, a coisa fica feia. A idade média é de 23 anos. Isso é a média. Temos caminhões de 40 e de até 60 anos rodando pelo Brasil. É comum vermos os famosos Barriga D’água, os Jacarés, da Scania, os Fenemês, trabalhando País afora. É por isso que este programa é tão importante.

Portal Transporta Brasil: Como nasceu o Procaminhoneiro?

José Araújo “China” da Silva: No governo Lula, foram feitos três programas para a compra de caminhões. O primeiro foi o Modercarga, que não deu certo. O segundo foi o BNDES Caminhoneiro, que também não deu certo, e o terceiro foi o Procaminhoneiro. Eu não sou o inventor do Procaminhoneiro. O que eu fiz foi aperfeiçoar o projeto, a pedido do próprio presidente Lula. Quando me encontrei com ele há pouco mais de um ano, ele me perguntou como estavam as ações para melhorar as condições dos transportadores. Eu disse a ele que estava tudo da mesma forma, nada tinha evoluído. Foi então que ele me pediu para aperfeiçoar o projeto, que entreguei no dia 29 de abril de 2008 à ministra Dilva Rousseff, da Casa Civil, e um mês depois o Procaminhoneiro foi recriado. Eu não sou o autor do programa, mas ele foi reformulado por mim na Unicam, junto com uma equipe de profissionais e com a ajuda de entidades e empresas, como a Fenabrave e a Pamcary. Foi aí que nasceu o projeto de adequação do Procaminhoneiro, nos moldes em que ele está hoje, com juros de 4,5% ao ano e prazo de 96 meses para financiar caminhões novos ou usados com até 15 anos de fabricação.

Portal Transporta Brasil: Os caminhoneiros têm tido dificuldades para ter acesso ao financiamento?

José Araújo “China” da Silva: Temos tido reclamações constantes de caminhoneiros que entram em contato conosco na Unicam, que não estão conseguindo o acesso ao crédito. Os bancos têm dificultado este acesso e não estão respeitando a decisão do governo federal de propiciar esta facilidade aos transportadores. Os bancos estão empurrando com a barriga e não querem cumprir esta decisão governamental, tentando empurrar para os caminhoneiros outras linhas de crédito, como o Finame, que tem uma remuneração muito mais interessante para eles. Este é o grande gargalo que a categoria tem encontrado.

Portal Transporta Brasil: Quem tem conseguido o financiamento?

José Araújo “China” da Silva: Pelo que sei, há muitas empresas conseguindo o financiamento. Entre os autônomos, muitos conseguiram, mas ainda há um número muito grande de transportadores que estão esbarrando na má vontade dos bancos para o acesso a esta linha de crédito.

Portal Transporta Brasil: Com a prorrogação do Procaminhoneiro até junho, você acha que os caminhoneiros terão acesso mais facilitado ao programa?

José Araújo “China” da Silva: Com certeza. Primeiro porque a grande preocupação dos caminhoneiros era o prazo para conseguir o financiamento. Este prazo terminaria agora em 31 de dezembro e eu nunca tive dúvida que este prazo seria prorrogado. Eu dizia aos caminhoneiros que não se preocupassem, pois, um governo como o do presidente Lula, que sempre se empenhou para atender às causas do transporte rodoviário de cargas, não podia deixar este curto prazo para que os caminhoneiros tivessem acesso ao programa. Está comprovado este empenho e a prorrogação é a concretização disso. Estávamos esperando este sinal do governo e agora é oficial. Eu já estive pessoalmente reunido com o presidente Lula sete vezes e sempre tive dele muita boa vontade em relação aos pleitos do transporte de cargas. Tudo que pedimos a ele foi atendido. E esta boa vontade se estende a todos os escalões do governo, todos têm nos ajudado a pedido do presidente da República.

Portal Transporta Brasil: Como garantir que os caminhoneiros terão acesso ao crédito?

José Araújo “China” da Silva: Eu vou me empenhar pessoalmente nisso. Quero saber do BNDES e das montadoras quantos caminhões estão sendo vendidos via Procaminhoneiro. Vou pedir relatórios mensais para que possamos acompanhar esta evolução. Se os caminhoneiros tiverem problemas para a obtenção do financiamento com as montadoras e com os bancos, devem ligar para mim, entrar em contato com a Unicam (www.unicam.org.br11 – 3935-6760). Peço que me escrevam, que mandem e-mail (unicam@unicam.org.br), para que eu possa saber como está esta adesão e como cobrar das autoridades. Eu sei que há problemas, mas não tenho tido subsídios da categoria para agir. Peço que entrem em contato conosco para que possamos interceder. Eu sei de quem cobrar. Temos que fazer acontecer. A Unicam não vai abrir mão do Procaminhoneiro de jeito nenhum. É uma questão de honra. Se abrirmos mão desta conquista, estaremos dando um passo gigantesco para trás. Vou entrar em contato com as entidades que representam os bancos e as montadoras para fazermos valer este direito dos caminhoneiros. Temos o aval do governo federal, dos órgãos que cuidam do meio ambiente e do ministério da Indústria e Comércio Exterior, que foi o que endossou o Procaminhoneiro. Caminhoneiros, tenham certeza que não abriremos mão deste programa. O Brasil precisa de caminhões novos, a sociedade brasileira precisa disso, e o ar que respiramos também precisa disso.

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